segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Aulas voltam na rede pública da Bahia; particulares são orientadas a esperar fim da greve

 

Cerca de um milhão de estudantes e 40 mil professores da rede pública de ensino da Bahia deverão retomar as atividades hoje, segunda-feira (6). A Secretaria de Segurança Pública informou que a volta às aulas terá a presença de homens do Exército e de outras forças policiais, nas ruas desde a última sexta-feira (3).

Pais de alunos da rede privada devem procurar as instituições para serem informados sobre a volta às aulas, inicialmente programada também para esta segunda-feira. O Sinep (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Bahia) vem orientando as escolas a retomarem as atividades somente após o fim do movimento grevista.

Neste domingo de sol, a população de Salvador tenta manter alguma tranqüilidade e foi às praias. As feiras livres estão funcionando, bem como padarias, delicatessens, bares e restaurantes da orla.

“O dia está lindo, não dá para ficar preso dentro de casa”, disse a pedagoga Arlete Silveira, que se dirigia para uma caminha na orla, por volta das 8h. As igrejas católicas e evangélicas também estavam cheias nesta manhã, apesar de terem ocorridos novos saques em pequenas lojas de bairros localizados na periferia da cidade durante a madrugada.



Fonte: UOL

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Volta às aulas: como organizar a recepção dos alunos

 

Para integrar os alunos novos e receber bem os antigos, é preciso planejamento e cuidado


O ano letivo começa e muita coisa muda na escola. Alunos novos chegam e os que já estudavam na unidade no ano anterior são reorganizados em outras turmas, com colegas e professores diferentes. Planejar a volta às aulas é fundamental. É preciso integrar os novatos, acolher quem retorna e garantir o melhor ambiente para que todos convivam. "É importante que os estudantes notem que houve preparo para o momento de recebê-los", defende Jussara Tortella, professora do programa de pós-graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

O fundamental nos primeiros dias é criar um ambiente de acolhida, em que cada um se sinta pertencente ao espaço escolar. Esse ambiente aparece em decisões planejadas - como a exposição de mensagens de boas-vindas nas paredes, a apresentação da escola aos novatos, as dinâmicas que o docente faz em classe para conhecer a turma etc.

"A volta às aulas deve ser preparada de acordo com o segmento em que estão os alunos", explica Célia Cassiano, diretora da EMEF Jardim Monte Belo, em São Paulo. Todo ano, ela define atividades diferenciadas para receber as crianças que chegam para cursar o Ensino Fundamental no período diurno e os mais velhos, que vão estudar à noite na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O mesmo ocorre com escolas de Educação Infantil. Os cuidados próprios à faixa etária não podem ser esquecidos. Com os pequenos, a adaptação deve ser bem planejada para que a escola não seja vista como um ambiente hostil.

Confira nesta página e nas próximas dicas para organizar a chegada dos alunos e preparar as atividades que serão realizadas com as diferentes turmas.


Recepção das famílias

Boas-vindas planejadas. Ilustração: Francisco Martins

No horário de entrada, é importante que o diretor e o coordenador estejam no pátio para tirar dúvidas dos pais e ajudar os alunos, principalmente os novatos. atitudes como essa demonstram que os gestores estão abertos a questionamentos e interessados em acolher todos os estudantes desde o início do ano letivo.


Apresentação da escola

Boas-vindas planejadas. Ilustração: Francisco Martins

Para que os novatos conheçam o lugar em que vão estudar, é importante organizar uma equipe para recepcioná-los, mostrar as dependências da instituição e apresentar os funcionários. Uma sugestão é propor que os estudantes mais antigos fiquem responsáveis por essa visita guiada. assim, os novos já começam a conhecer a turma.


Integração dos alunos

Boas-vindas planejadas. Ilustração: Francisco Martins

Estimule os novos estudantes a participar de grupos mistos, formados por alunos de diferentes anos. Essas equipes podem ser organizadas pelos próprios estudantes, de acordo com as áreas de interesse deles. Grupos de jardinagem, teatro e esportes são algumas opções.


Cuidado com os novatos

Boas-vindas planejadas. Ilustração: Francisco Martins












Quando ainda não conhecem os colegas, crianças e jovens que acabaram de chegar tendem a ficar mais retraídos. para evitar esse isolamento, é importante que a escola planeje atividades para momentos como o intervalo. nos primeiros dias, é bom também pedir que os educadores prestem atenção extra nos novatos para que não fiquem sozinhos.







Prêmio Jovem Cientista: está aberta a temporada 2012



A 26ª edição do Prêmio Jovem Cientista tem como tema a Inovação Tecnológica nos Esportes. A ideia é estimular novos talentos na ciência e, assim, investir em estudantes e profissionais que buscam soluções para os desafios brasileiros.

Podem participar estudantes que estejam regularmente matriculados no Ensino Médio, no Ensino Superior e alunos já graduados. Além desses, serão premiados um pesquisador doutor de destaque na área e uma instituição educacional.

As escolas de Ensino Médio terão linhas de pesquisa específicas dentro do tema principal. São elas: Educação e cidadania para os esportes; Cuidados com a saúde e a nutrição nos esportes; Aplicação e desenvolvimento de materiais esportivos; Gestão e instalação de infraestruturas esportivas; Tecnologia da informação para esportes.


Os interessados em participar podem se inscrever pelo portal, a partir do dia 1º de abril.


Prêmio – Os três primeiros colocados na categoria Ensino Médio e as escolas onde estudam receberão um laptop e bolsas de iniciação científica. Além disso, a instituição de Ensino Médio premiada à qual estiver vinculado o maior número de trabalhos com mérito científico receberá R$ 35 mil para investir em infraestrutura e equipamentos escolares.


Cronograma

1º semestre de 2012: elaboração dos trabalhos pelos alunos do Ensino Médio, com a orientação de seus professores.

De 15 de março a 30 de maio: oficina de formação de professores do Ensino Médio nas 12 cidades sede da Copa do Mundo de Futebol

De 15 de março a 30 de junho: kits pedagógicos sobre Inovação Tecnológica nos Esportes para professores do Ensino Médio estarão disponíveis.

De 1º de abril a 31 de agosto: inscrições pelo portal

Setembro de 2012: avaliação dos trabalhos inscritos pelas comissões julgadoras

Novembro de 2012: anúncio dos vencedores

Dezembro de 2012: cerimônia de entrega dos prêmios




Fonte: UNDIME

Educação Integral: escola pré-selecionada tem até 15 de fevereiro para a adesão



Escolas públicas urbanas e do campo pré-selecionadas pelo Ministério da Educação para oferecer ensino integral este ano têm prazo até 15 de fevereiro para aderir ao programa Mais Educação. As unidades de ensino que já estavam no programa em 2011 devem informar o número de alunos a serem atendidos e escolher as atividades a serem desenvolvidas.

A expectativa do MEC é oferecer educação integral em 30 mil estabelecimentos — 5 mil do campo — e atender 5 milhões de estudantes em 2012. Esse número compreende cerca de 3,1 milhões de alunos que já estão no programa e os que vão ingressar agora.

Como a adesão ao Mais Educação é opcional, o MEC pré-selecionou 14,2 mil escolas urbanas e 14,5 mil do campo, explica Leandro Fialho, coordenador de ações educacionais complementares da Secretaria de Educação Básica (SEB). Dados da secretaria mostram que 3,1 mil novas escolas buscaram acesso ao Sistema de Informações Integradas de Planejamento, Orçamento e Finanças do MEC (Simec) para fazer o cadastro. Esse procedimento é necessário para a unidade aderir ao programa e receber recursos do governo federal.


Os dirigentes escolares que tiverem dúvidas ou dificuldades para preencher as informações no Simec podem pedir esclarecimentos pelos telefones (61) 2022-9175, 2022-9176, 2022-9174, 2022-9184, 2022-9211, 2022-9212 e 2022-9181.


Adesão — Para as escolas pré-selecionadas, o acesso ao Simec ocorre por meio de senha, fornecida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ao aderir, além de informar quantos estudantes serão atendidos, o gestor escolar pode
relacionar até seis atividades, escolhidas em uma lista disponível na página eletrônica do programa.

Confira a relação de escolas urbanas pré-selecionadas

Confira a tabela das escolas do campo pré-selecionadas.



Fonte: Portal MEC

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Jornada pedagógica vai reunir 40 mil professores


Cerca de 40 mil professores da rede estadual de ensino estarão reunidos, de 1º a 3 de fevereiro, para avaliar e planejar o ano letivo. Mais uma vez a jornada pedagógica acontecerá nas próprias escolas. Durante estes dias, eles estarão analisando os indicadores internos e externos da unidade escolar, por série, nível e modalidade, e construindo planos de ação para 2012, no intuito de atender às perspectivas de sucesso do ensino e da aprendizagem.


Visite o site da Jornada Pedagógica 2012


Além disso, eles vão conhecer o Projeto de Monitoramento, Acompanhamento, Avaliação e Intervenção Pedagógica (Paip), da Secretaria Estadual da Educação, que vai dar subsídios às escolas para resolverem questões de ordem pedagógica, por meio de assessoria da Superintendência de Desenvolvimento da Educação Básica (Sudeb). “O objetivo do encontro é fazer com que, de forma coletiva, os professores possam avaliar e planejar o ano letivo, percebendo a escola como um conjunto articulado e integrado. O trabalho dos professores repercute diretamente nos processos de ensino e da aprendizagem dos alunos”, avalia a diretora da Educação Básica, Ana Lúcia da Silva.

A diretora destaca que um dos desafios da jornada pedagógica é transformar a escola numa comunidade educativa. “Para fazer isso, é preciso romper coM a dicotomia que existe entre vida e educação, que devem ser integrados. Para isso, é preciso pensar a partir do próprio cenário da escola, debruçando-se sobre seu diagnóstico, para, de forma sistêmica, realizar o planejamento pedagógico e reverter os indicadores críticos apresentados”, diz Ana Lúcia.



Fonte: SEC - Bahia

Lei que transformou forma de ensino no país completa 50 anos




Organizada em 96 artigos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) regulariza o sistema de ensino do País. Antes de sua homologação, em dezembro de 1961, a educação brasileira era somente citada na Constituição de 1934. Cinco décadas depois, porém, o que de fato mudou no cenário educacional do País?

De acordo com especialistas em educação, as mudanças se resumem em uma humanização do sistema educacional: se antes repetência era o único caminho para quem não atingia os objetivos da série em questão, hoje já se fala em dependência e recuperação. Da mesma forma, se em 1961 a educação especial era algo à parte da escola regular, nos dias atuais já se levanta a bandeira por uma escola inclusiva.

Para Hamilton Werneck, pedagogo e especialista em educação, a LDB de 1961 representou um grande avanço para o ensino nacional. De acordo com ele, antes disso, o ensino era basicamente conservador e vertical: professor ensina, aluno aprende. Como instrumento de aprendizagem, apenas quadro negro, lápis e papel. “Contra essa lei se levantaram todos os enciclopedistas que continuam até hoje lutando no sentido de evitar que se parta para um ensino voltado para um modelo sistêmico. Mas a tendência foi a de aproveitar os espaços e o tempo de estudo durante um ano letivo para proporcionar aos estudantes outras oportunidades e formas de aprender”, opina.

Foram necessários 13 anos de debate até que o texto final da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961 fosse finalmente sancionado pelo então presidente João Goulart – quase 30 anos após ser prevista pela Constituição de 1934. Organizada em 120 artigos, essa foi a primeira legislação criada somente para regularizar o sistema de ensino do País tratando de aspectos como regulamentação de conselhos estaduais de educação, formação mínima exigida para professores e ensino religioso facultativo.

Depois, durante o regime militar, em 1971, o presidente Emílio Garrastazu Médici modificou aspectos do documento. A mudança, basicamente técnica, representou um avanço ao falar pela primeira vez na ideia de recuperação e dependência. “Antes, a ideia de recuperação era um verdadeiro crime. O aluno, para os conservadores da época, não deveria ter um ensino que permitisse alternativas. (A escola deveria) somente separar os que sabiam dos que não sabiam, sem possibilidade de recuperação do tempo perdido”, analisa Werneck.



Nova LDB
Mas foi somente no dia 20 de dezembro de 1996 que o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou o que veio a se tornar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação da atualidade. A modificação na lei de 1961, feita pelo relator e antropólgo Darcy Ribeiro, foi resultado de um trabalho de seis anos. Na época, o Plenário se dividia em duas propostas que visavam atualizar a antiga LDB, já considerada obsoleta com metas como 4º série primária obrigatória e um artigo voltado somente para a educação de “excepcionais”.

A primeira proposta, conhecida como Projeto Jorge Hage, foi o resultado de uma série de debates abertos com a sociedade, organizados pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. A segunda proposta foi elaborada pelos então senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa em articulação com o poder executivo por meio do Ministério da Educação (MEC). Entre as duas, a principal divergência era sobre o papel do Estado na educação: a primeira se preocupava com mecanismos de controle social no sistema de ensino, e a segunda previa uma estrutura de poder centralizada. Apesar de conter alguns elementos levantados pelo primeiro grupo, o texto final se aproxima mais das ideias levantadas pelo segundo.

Depois disso, três emendas modificaram o documento original. A primeira foi em 2001, quando foi sancionada a primeira lei do Plano Nacional de Educação (PNE). Depois, em 2009, quando ocorreu uma ampliação da obrigatoriedade da oferta e matrícula para jovens de 4 a 17 anos. E a última em 2010, que tornou o ensino de arte e suas expressões regionais obrigatório na grade escolar.

Werneck, que também foi integrante do Conselho Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro, afirma que depois de 1968 diversas mudanças ocorreram na regulamentação da educação superior, o que influenciou significativamente vários cursos universitários. “Ela acabou, por exemplo, com a divisão do curso de letras em neolatinas e anglo saxônicas, priorizando, sobretudo, o ensino do inglês. Perdemos, a partir dessa época, a formação de professores de italiano, espanhol e francês”, critica.




‘O conceito de inclusão foi o que mais mudou na LDB’, diz especialista
Werneck destaca a inclusão como o aspecto que mais mudou ao longo dos anos. Ele afirma que o conceito foi se abrindo e se aprimorando em cada emenda feita. “Poderíamos dizer que a trajetória é de uma escola elitista, excludente e enciclopédica que foi se humanizando ao longo do tempo”, afirma.

Ao analisar as modificações documentais que ocorreram na LDB sobre o tema inclusão, o professor de Políticas Educacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Juca Gil diz que as nomenclaturas sobre o público-alvo foram as que passaram por grandes transformações. Se em 1961 se falava da Educação de excepcionais, na Constituição Federal de 1988 eles já eram citados como portadores de deficiência. Na lei de 1996, foram denominados educandos portadores de necessidades especiais e, na Resolução de 2011, do Conselho Nacional de Educação (CNE), educandos com necessidades educacionais especiais.

O professor acredita que esse cuidado com a correta denominação é importante, pois mostra a preocupação nacional em identificar quem são esses alunos e quais tratamentos educacionais merecem ter. Contudo, a garantia de uma educação pública para todos, prevista em lei, tem se mostrado uma tarefa complexa. A principal discussão quando o assunto é inclusão, de acordo com ele, é a garantia de uma escola inclusiva ou a de um atendimento especializado para pessoas com deficiência. “Deveríamos aprender a lidar com as diferenças vivenciando-as, e não as escondendo em outras salas ou escolas”, opina.



‘A teoria da lei é perfeita, o que falta é prática’, defende educadora

No site Conexão Professor, mantido pelo governo do Rio de Janeiro com o objetivo de reunir artigos e opiniões de educadores do Estado, a diretora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Faria, e a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) Andréa Serpa deixam claro que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito quanto à educação. Para Andréa, o grande problema é o não cumprimento da legislação.

De acordo com ela, todos os artigos do documento educacional são “belíssimos”, mas nem todos são cumpridos. “Desde 1996, se fala em valorização do professor. Mas cada vez mais os professores encontram-se sozinhos em suas turmas lotadas, resolvendo todas as questões sociais que a pior distribuição de riqueza do planeta gera, sem apoio algum e recebendo salários miseráveis”, afirma, destacando também o problema de gestão educacional. “A lei fala em gestão democrática, mas o que se vê são sistemas criados à revelia. Mães, professoras, alunos, coordenadoras são ignorados em suas especificidades e diferenças”, completa. “O que precisa ser modificado, em primeiro lugar, é o respeito à lei. Que ela se cumpra”, conclui.

Para a diretora Lia Faria, nem a teoria é tão perfeita assim. O percentual de recursos destinados à educação ainda é um problema na visão dela. “A lei não proporcionou grandes conquistas referentes à questão dos recursos públicos a serem aplicados, sobretudo no que diz respeito às verbas para a educação”.



Fonte: Terra

Estudo mostra que geração digital não sabe pesquisar






Há pouco tempo, quando os alunos eram solicitados a fazer um trabalho de pesquisa, era necessário ir até uma biblioteca e realizar a busca em diversos livros didáticos e enciclopédias. Nos dias de hoje, a realidade é outra: debruçar-se sobre páginas impressas é raro quando existem milhões de links sobre o assunto desejado à disposição com apenas um clique.

Mas, o que deveria ser um avanço acabou resultando em retrocesso, segundo um estudo americano que aponta que a geração digital não sabe pesquisar. Na investigação realizada na Universidade de Charleston, nos Estados Unidos, ficou claro que os estudantes de hoje não sabem realizar uma pesquisa de forma efetiva. Conforme os resultados, o grande inimigo está na comodidade que o meio digital oferece. Ferramentas de busca como o Google tornaram os alunos menos preocupados com a credibilidade de uma fonte de informação, por exemplo.

No estudo, os pesquisadores pediram que um grupo de universitários respondesse a um questionário utilizando a internet como meio de pesquisa. Para testar os participantes, foram colocadas intencionalmente informações erradas nos primeiros resultados das buscas realizadas pelos estudantes. Como previsto, os alunos basearam-se nos primeiros links e erraram todas as questões.

O trabalho revelou uma realidade lamentável: os estudantes da era digital se contentam com informações rápidas, sem se importar com procedência e fidelidade. Para José Moran, professor aposentado de Novas Tecnologias da Universidade de São Paulo (USP) e diretor de Educação a Distância na Universidade de Anhanguera (Uniderp), o fato é consequência de uma geração que cresceu com computadores e está acostumada com informações em 140 caracteres. Contudo, Moran acredita que o fato não se restringe somente a crianças e adolescentes.

“A internet deixou as pessoas em geral mais acomodadas. Adultos também cometem erros ao realizarem pesquisas online”, diz. Por isso, o professor acredita que um dos papéis da escola, atualmente, deve ser o de ensinar metodologias de pesquisa desde cedo. “Os educadores pedem tema de estudo, mas não ensinam metodologias”, afirma.

Outra pesquisa americana também comprova que jovens da geração digital não se preocupam com a procedência de suas fontes de estudo. Realizada pela Universidade Northwestern (EUA), a pesquisa pedia que 102 adolescentes do Ensino Médio buscassem o significado de diversos termos na internet. Todos tiveram sucesso nas respostas, mas nenhum soube informar quais foram os sites utilizados. “Os jovens confiam demais na internet”, destaca o diretor de Educação a Distância da Uniderp.




Ensino de pesquisa na internet

Na Escola de Educação Básica Rocha Pombo, em São Joaquim (SC), o projeto “Ensinando a fazer pesquisas na internet” foi implantado nas turmas de 4º série. Elaborado pelo professor de informática Francisco Mondadori Junior, o projeto tem como objetivo trabalhar o conceito de pesquisa desde cedo, pois assim os estudantes chegam ao Ensino Médio sabendo utilizar as barras de pesquisa a seu favor.

O trabalho consiste em um questionário em que os alunos devem apontar suas áreas de interesse e pesquisar sobre esses assuntos. “Sugerimos a pesquisa na internet, no Google, digitando as palavras-chave das atividades que mais gostam. Cada aluno faz a sua pesquisa, procurando o site mais interessante”, explica, dizendo que os pequenos são auxiliados por professores que também ensinam a importância de utilizar fontes de informação confiáveis.

Professor do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) das escolas estaduais de São Joaquim (SC), Mondadori Junior conta que o ensino da pesquisa científica e escolar é uma das preocupações do núcleo, que procuram criar atividades lúdicas e divertidas para trabalhar o conceito em sala. “Em minha opinião deveria existir uma disciplina só para isso nas escolas”, opina, dizendo que percebe, cada vez mais, a dificuldade dos alunos em realizar trabalhos de pesquisa. “Eles se contentam com os primeiros links”, diz, destacando que é comum ouvir frases como “achei no Google”.

Mondadori Junior defende a postura adotada por algumas escolas e educadores de não permitir o uso da internet como fonte de pesquisa. “É interessante proibir só no início, pois assim o estudante descobre que existem outras possibilidades de estudo, e não somente o meio virtual”, explica. José Moran discorda: “Isso resulta em um estudante que usa livros na escola, e a internet em casa”, sentencia, ressaltando que as dificuldades continuariam existindo. “Um dia esse aluno vai poder usar a internet para pesquisar, e então vai fazer de forma errada, pois não aprendeu na escola”, completa.

Em mais de 20 anos de docência, Moran afirma que nunca deixou de trabalhar metodologias de pesquisa com seus alunos, seja no ensino fundamental ou no superior. “Sempre que eu passo trabalhos, especifico o tipo de pesquisa que eu quero, e ainda vejo com os estudantes algumas possibilidades mostradas pelo Google”, diz, afirmando que ainda compara links e aponta informações que podem estar equivocadas. “Com isso, o jovem passa a desconfiar da internet, pois cria a consciência de que nem tudo que está no meio online é verdadeiro”, conclui.

Na Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, a preocupação com o ensino de pesquisa na internet começou em 2009. Os educadores do colégio viram a necessidade de criar uma estrutura online que pudesse auxiliar os estudantes nos trabalhos escolares. Por isso, foi criado o “Caminhos de pesquisa na internet”, uma ferramenta virtual que discute alguns critérios de pesquisa e avaliação das informações. Além dos professores deixarem dicas de endereços confiáveis, os alunos podem postar informações retiradas de sites para que os docentes possam avaliar sua veracidade.

Apesar de achar a solução interessante, Moran alerta que nem sempre os alunos terão uma ferramenta escolar a sua disposição. “A escola precisa ensinar os estudantes a caminharem sozinhos e terem noções críticas de fontes de pesquisa”, opina.






Fonte: Terra
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