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quarta-feira, 12 de junho de 2013

DEBAIXO DA PONTE, UM ALUNO NOTA 10 QUE SONHA SER MÉDICO



José Luiz Moni, 15 anos, um estudante exemplar, espera se tornar doutor no futuro

Fonte: Zero Hora (RS)




Debaixo de uma ponte da BR-116 mora um menino que drena toda a sua força para os estudos na esperança de, futuramente, se formar doutor. Colecionador de notas 10, José Luiz Camboim Moni tem 15 anos, pouco menos de 1m70cm e se expressa melhor com um sorriso doce do que com as palavras.

Tendo como teto o asfalto da rodovia que liga Porto Alegre ao Interior e rodeado pelas dificuldades de quem não tem um endereço formal com CEP e número de residência, José mora com a mãe, viúva, e dois irmãos.

Os obstáculos que encontra nos planos para se tornar médico, ele supera com criatividade. São muitos os exemplos. Sem pasta para carregar os livros, avistou nas últimas férias uma mochila boiando no Arroio Sapucaia. Recolheu, limpou e hoje a usa para ir à escola. Repetiu de ano apenas uma vez, aos sete anos, quando ingressou na Escola Estadual de Ensino Fundamental Ezequiel Nunes Filho, de Esteio. Foi justamente na época em que o pai morreu atropelado. O acidente coincidiu com o mesmo ponto da rodovia em que a família vive hoje — perto do km 259, em frente à empresa Refap. Depois da repetência, virou um aluno exemplar. Jamais deixou de entregar um trabalho. Em 2012, recebeu um certificado por estar entre os melhores alunos.

São 10 minutos a pé que separam José da escola. Quando retorna para o lar, nem mexe nos cadernos. No barraco de piso vermelho, de terra úmida e luz fraca, precisaria dividir a atenção no conteúdo com o trepidar do asfalto sobre a sua cabeça e com o ranger dos trilhos do trem. Assim, adotou uma estratégia:

— Ele é o primeiro a entregar as tarefas e as realiza com ótimo desempenho. Como não tem um ambiente apropriado em casa para estudar, prefere fazer os temas na aula. Isso nos comove — revela Mart'Ana Silva Pereira de Melo, professora de língua portuguesa.

Sob a proteção da ponte, são os desenhos ou filmes no DVD que deixam José feliz. Foram estes momentos de lazer, assistindo a filmes de ação, aliás, que estimularam a imaginação do adolescente e fizeram brotar o desejo de salvar vidas.

— É o que eu gosto de fazer porque aqui não dá para fazer outra coisa. Se jogar bola, pode cair no arroio. Fico olhando os filmes, imaginando se um dia eu vou mesmo conseguir ser médico — argumenta José.

Estudante da 8ª série, preenche o dia com as idas constantes à biblioteca e ao laboratório de informática. Na internet, usa o buscador para executar os trabalhos e, sempre que dá, digita "corpo humano" em sites de busca e se diverte com os resultados sobre o tema que mais o atrai.

— Ele se concentra nas atividades e é muito inteligente. Leva tudo a sério. A gente percebe que ele tem consciência de que é preciso se dedicar para haver uma mudança na vida — avalia a diretora da escola Cláudia Alves.

Mas ainda falta muito para que o futuro do menino se organize. Prestes a ingressar no Ensino Médio, José nem sabe bem o que é Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). De todas as formas que persegue o sonho da Medicina, para ele, a letra é o sinal mais claro.

— Já tenho letra de médico. Só eu me entendo — brinca José.

— Mas no meu tempo não era assim. Tu tinhas a letra bem caprichada, José — observou Márcia Porciuncula, a professora responsável pela alfabetização.

A mesma mulher que mostrou a ele o universo do saber, agora está mobilizando a comunidade em torno de uma causa. Em novembro, os colegas farão uma viagem para o Beto Carreiro. São oito parcelas de R$ 52 que serão custeadas pela comunidade escolar para que ele possa acompanhá-los.

Será a primeira vez que o menino olhará o mundo que existe além de Esteio.

O trepidar dos pilares agora não assusta mais

A miséria não impede que José ande sempre no capricho: banho tomado, cabelo aparado, estômago cheio e roupas limpas. Sozinha, a mãe, Tatiana, 35 anos, cria o garoto e os irmãos Matheus, 13 anos, e Jorge,11 anos, e ainda auxilia a filha mais velha Jéssica, 19 anos, e o neto de três anos, que moram no mesmo terreno.

Tatiana sustenta a casa como carroceira. Ou melhor, sustentava. É que no começo de maio, um carro bateu na traseira do veículo velho e desmontou-o. Enquanto aguarda o conserto, trabalha em um galpão de reciclagem e, por isto, recebe uns trocados, que dão para as três refeições diárias.

Depois que o marido morreu, pagar as contas ficou cada vez mais complicado, e a mulher que sempre teve teto, quarto, sala, banheiro e cozinha, achou a ponte até que bem aprazível quando ficou sem ter para onde ir.

Chegou lá há oito meses. Levou tudo o que tinha na antiga moradia e mobiliou o espaço público. Foram dois meses até a família se acostumar com o trepidar dos pilares.

— Para dormir, só na base do remédio. Parecia que a qualquer momento um carro ia despencar nas nossas cabeças. Agora nem ligo mais — garante Tatiana.

Dá para contar nos dedos os poucos objetos que enfeitam paredes ou decoram ambientes: um relógio sem pilhas, um buda de porcelana, um ramalhete de chá de marcela, algumas fotos nas paredes do quarto e cartas que ganhou dos filhos.

Às 20h fecha as portas da casa — que de fora, se assemelha a uma caverna —, acomoda as crianças. Antes de dormir, retira a Bíblia do criado mudo ao lado da cama e lê até adormecer. O mantra em suas preces é sempre o mesmo: que todos os filhos encontrem o caminho do bem. Sobre os planos para o futuro, fora o de ter um médico na família, nenhum outro. Ainda não sabe se vai conseguir sair dali tão cedo, mas tem fé.

— Não há mal que dure para sempre, tu não acha? _ pergunta para a repórter.. 






terça-feira, 7 de maio de 2013

BRASIL CELEBROU DIA DA EDUCAÇÃO AINDA COM MUITOS DESAFIOS PARA SUPERAR



Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos pela Educação, ressalta que houve avanços, mas ainda há problemas para resolver

Fonte: Globo Cidadania





Temos o que comemorar no Dia da Educação, celebrado em 28 de abril, mas os desafios do Brasil no setor ainda são grandes. De acordo com o professor Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação, a aprovação da Emenda Constitucional nº 59, em 2009, que determina a ampliação da obrigatoriedade do ensino entre 4 e 17 anos de idade (antes era dos 6 aos 14 anos), teve um impacto positivo na Educação Básica.

“Acho que a emenda contribui para colocar as crianças na escola. A partir do momento que foi aprovada, acabou refletindo nas três primeiras metas do Plano Nacional de Educação (PNE), relativas à universalização do ensino. Outro ponto de avanço é o progressivo aumento de aprendizagem nas séries iniciais. Com isso, acho que antes de 2020, prazo final do PNE, conseguiremos atingir as metas previstas para as séries iniciais”, ressalta.

Por outro lado, segundo Ramos, é preciso ficar mais atento às etapas seguintes de formação, principalmente, o Ensino Médio. “Os desafios só serão vencidos se tivermos gente qualificada dando aula. Infelizmente, a carreira de magistério não é sedutora. A questão da escassez de professores é preocupante e já está refletindo no Ensino Técnico. Falta mão de obra em Matemática, Química e Física”, alerta o especialista.

A proposta do PNE continua tramitando no Congresso, atualmente no Senado, e a polêmica do momento é a destinação de 100% dos royalties do pré-sal para a educação, explica Ramos. “A questão que está pegando é que o Executivo quer 100% dos royalties para a educação, e os prefeitos não querem, afirmando que parte dos royalties poderia ser destinada para outras áreas. Mas acredito que isso será resolvido e o PNE aprovado”, completa.

Em tramitação no Congresso Nacional como projeto de lei, o novo Plano Nacional de Educação (PNE) contempla ao todo dez diretrizes objetivas e 20 metas relacionadas ao acesso, à permanência, à qualidade, à democratização, ao financiamento e à inclusão escolar.










quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A história da Matemática apresentada sob um novo prisma



Professora do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IM/UFRJ), Tatiana Roque convida professores e estudantes a empreenderem uma fascinante viagem pelo pensamento matemático no livro “História da Matemática: Uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas”, que acaba de ser publicado pela Editora Zahar. 

Baseada em aspectos culturais, sociais e científicos de cada período histórico analisado, a autora revela que diferentes práticas matemáticas coexistiram desde sempre, dando soluções diversas para problemas semelhantes. 

Doutora pela Coppe/UFRJ, Tatiana Roque — que foi pesquisadora do Collège International de Philosophie, em Paris (2001 a 2007) e é membro do instituto de pesquisa Archives Poincaré, em Nancy, dedicado à história da Matemática — desconstrói a tradicional visão de que a Matemática é universal, sendo matemática grega superior à de outros povos da Antiguidade, como os árabes.

Segundo a professora, especialista em historiografia da Matemática, o trabalho pretende transformar a imagem que muitos têm da disciplina — uma ciência teórica, abstrata, acessível apenas a gênios. 

Primeiro livro de história da Matemática propriamente brasileiro, escrito em linguagem objetiva e com ilustrações, “História da Matemática: Uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas” aborda os sistemas matemáticos desenvolvidos desde a Mesopotâmia até o século XIX – passando pelo Egito antigo, a Grécia clássica, a Idade Média, a chamada Revolução Científica e os debates dos século XVIII. 

Quem assina o prefácio do livro é Gert Schubring, pesquisador da Universidade de Bielefeld (Alemanha), que destaca valor da obra, resultado de uma pesquisa original realizada por Tatiana Roque.

Preocupada com o ensino de Matemática, a professora da UFRJ ressalta, na entrevista, que a disciplina costuma ser rejeitada porque os programas e, portanto, os livros, em geral, não a tratam do modo adequado. Contudo, a educadora se mostra otimista com as recentes iniciativas do governo federal para aprimorar a qualidade das abordagens desta matéria no ensino fundamental. 

A senhora acaba de lançar o livro “História da Matemática: Uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas”. O que a motivou a produzir esse trabalho?

Tatiana Roque - Minha motivação principal foi contribuir para transformar a imagem que as pessoas têm da Matemática, como um saber formal e abstrato, acessível a poucos. A história tradicional ajudou a construir esta visão, mas hoje existem trabalhos históricos que podem ajudar em um outro modo de considerar a Matemática. Em meus cursos de História da Matemática em níveis de graduação, pós-graduação e outros cursos voltados para professores, percebi que não havia bibliografia adequada, pois os livros disponíveis em português, a maioria livros traduzidos de obras estrangeiras, seguem uma visão ultrapassada da história, já desmentida e amplamente criticada pelas pesquisas mais recentes. Como não havia bibliografia para dar os cursos, comecei a escrever as notas de aula, que evoluíram para o livro, a fim de tornar disponível, de modo mais compreensível e didático, as pesquisas atuais, originalmente publicadas em livros ou artigos científicos escritos em outras línguas.

Quais são os mitos e lendas a respeito da Matemática contestados em seu trabalho?

A história da Matemática tradicional é permeada de mitos e lendas que, além de não terem nenhum embasamento histórico, acabam formando uma imagem deturpada de que a Matemática é um saber atemporal e transcendente. Por exemplo, presume-se que os primeiros povos a possuírem uma fórmula para resolver equações do segundo grau foram os babilônios; ou diz-se que a descoberta dos números irracionais por um matemático pitagórico gerou uma crise na Matemática grega, que provocou até um suposto afogamento daquele que propagou a descoberta. Tratam-se de lendas ou aproximações com diversos níveis de interpretação equivocada, como procuro mostrar no livro.

A seu ver, de que forma a Matemática deve ser apresentada a alunos dos cursos de graduação e a estudantes da educação básica?

A Matemática deve ser apresentada como um saber vivo, que se conecta não apenas com problemas concretos, do cotidiano (pois muitas vezes isso não acontece), mas sim com problemas que atravessaram a história da humanidade e a construção de sua identidade.

Em seu livro, a senhora aborda os sistemas matemáticos desenvolvidos desde a Mesopotâmia até o século XIX – passando pelo Egito antigo, a Grécia clássica, a Idade Média, a Revolução Científica e os debates dos século XVIII. Que fontes a senhora utilizou?
Livros e artigos científicos, sobretudo o intenso volume de pesquisa que vem sendo publicada desde os anos 1970, em diversas línguas, e que traduz novas preocupações dos historiadores da Matemática em relação à abordagem historiográfica, em particular à metodologia no tratamento de fontes e evidências históricas. A produção matemática que teve lugar em diversos períodos da história da humanidade, se relaciona de modo muito complexo com as transformações da visão de mundo, e estas conexões devem ser analisadas caso a caso. O que proponho é fazer uma análise que mostre como a Matemática era encarada em cada época e relacionada com o contexto. Procuro mostrar, quando pertinente, os problemas matemáticos propriamente ditos, como um dado histórico. 

Essa abordagem histórica da Matemática integra a grade dos cursos de formação de docentes em Matemática? 

Muitas vezes sim, mas por falta de bibliografia adequada, os cursos acabam por não entrar em detalhes sobre a história, reproduzindo a visão dos livros mais antigos que são os únicos disponíveis em português. 

O seu trabalho, livro de história da Matemática propriamente brasileiro, é inédito no Brasil. Por quê?

É inédito porque torna disponível, com uma apresentação acessível para um público vasto, a pesquisa recente em história da Matemática, que vem se modificando profundamente desde os anos 1970 ou 1980. Até este momento, não havia um profissional historiador da Matemática. Quem fazia história da Matemática era um matemático, ou cientista, sem formação específica. A consequência disso é que não havia tanta preocupação com os documentos, os registros. Reproduziam-se afirmações sem que elas fossem fiéis às evidências sobre uma certa época, que, em muitos casos, são escassas e fragmentadas. Assim, os relatos foram construídos com base em aproximações e interpretações que reproduziam o ponto de vista daquele que estava escrevendo a história. Em tempos mais recentes, a história da Matemática vem se profissionalizando e seus praticantes têm preocupações cada vez maiores com o tratamento historiográfico, com a utilização de métodos usados por historiadores.

Em outros países, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, qual é a relevância e o espaço dado para os estudos sobre “História da Matemática”? No Brasil, qual o panorama das pesquisas acadêmicas nesse setor?

Na Europa e nos Estados Unidos a relevância e o espaço dos estudos de História da Matemática é muito maior que no Brasil. Há diferentes instituições de pesquisa, espaços de formação, além de muitas publicações e periódicos especializados. A pesquisa em História da Matemática feita no Brasil ainda é muito incipiente. Há uma comunidade numerosa trabalhando sobre a Matemática que foi produzida e ensinada no Brasil, em diversos momentos de sua história. Nesta área, há trabalhos importantes e diversos pesquisadores de qualidade, ligados à Sociedade Brasileira de História da Matemática e a diferentes programas de pós-graduação em Ensino ou mesmo História de Matemática. A Revista Brasileira de História da Matemática também tem sido um veículo importante para a consolidação desta comunidade. No entanto, a pesquisa em História da Matemática, relacionada a temas e abordagens que são tratados pela comunidade internacional, está apenas começando. Há poucos artigos de brasileiros nas revistas internacionais mais importantes na área (por exemplo Historia Mathematica e Archive for History of Exact Sciences). Há também pouco diálogo e trabalho conjunto de pesquisadores brasileiros com historiadores estrangeiros ativos na área atualmente. Recentemente, este panorama vem se transformando e espero que meu livro contribua neste processo. 

Como a senhora analisa o ensino de Matemática no Brasil? Por que essa disciplina é tão rejeitada por estudantes?

Acho que a Matemática é vista de um modo equivocado. No ensino básico é tratada, na maioria das vezes, como um saber operacional, puramente técnico. A culpa não é dos professores, pois estes devem seguir os currículos e livros didáticos e não possuem a formação adequada para mudar este quadro. Meu filho tem cinco anos e adora Matemática! Mas quando vejo alguns livros didáticos do 1º ano do ensino fundamental, que ele cursará no ano que vem, fico assustada e com medo de ele perder todo o gosto que possui pela Matemática. Os números e as contas, por exemplo, são apresentados de modo massante, como uma reprodução de procedimentos parecidos, sem nenhuma conexão com as experiências das crianças. A Matemática é rejeitada porque os programas e, portanto, os livros, em geral, não a tratam do modo mais adequado. Nos últimos anos, esta situação vem mudando bastante. Tem havido uma atenção especial dos últimos governos a estes problemas, com projetos de formação de professores que buscam transformar este panorama. Eu contribuí e continuo contribuindo com alguns deles, como o Pró-letramento e o ProfMat. A mudança que estas iniciativas vão ocasionar são lentas, mas já é louvável que o governo federal venha prestando atenção ao problema.

Uma das propostas em voga, até mesmo em função do Enem, é o trabalho de conteúdos curriculares de forma interdisciplinar. De que forma é possível aplicar essa abordagem no ensino de Matemática? O diálogo dos professores de Matemática com o de outras disciplinas é falho? Em quais pontos?

A abordagem interdisciplinar é interessante mas também é feita, muitas vezes, de modo equivocado. Não adianta dar um trabalho que envolve conhecimentos de geografia, por exemplo, se o objetivo matemático, ao final, é fazer uma conta.

Os cursos de licenciatura de Matemática estão na lista daqueles com menor procura. Por que isso acontece? A senhora teme um “apagão” de professores de Matemática?

Neste caso a resposta é simples: os professores não são valorizados e os salários são baixos. Ora, como alguém vai escolher uma área difícil, como a Matemática, com este estímulo? Este problema é mais complexo de ser resolvido, pois depende de políticas locais que são, em geral, mais eleitoreiras.

De que forma as novas tecnologias podem contribuir para tornar o ensino de Matemática mais atrativo?

Podem ajudar muito. Calculadoras, computadores e jogos eletrônicos trazem muitas oportunidades de explorar a Matemática, conectando-a com a realidade das crianças e jovens da atualidade. Além disso, essas ferramentas permitem explorar a Matemática no que ela tem de mais interessante: aquilo que não pode ser reproduzido por máquinas!







segunda-feira, 26 de março de 2012

“Essa pode ser a pior seca que a Bahia já enfrentou”, diz Costa





Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o secretário da Casa Civil da Bahia, Rui Costa, afirmou que a estiagem enfrentada em 158 municípios baianos pode ser a pior dos últimos 30 anos.

Costa, que coordena o Comitê Estadual para Ações Emergenciais de Combate à Seca, criado na última semana pelo governador Jaques Wagner, explicou ao repórter Daniel Carvalho as ações que o Governo da Bahia está tomando – a assinatura de convênio com o Ministério da Integração, no valor de R$168 milhões foi uma das medidas pontuadas.

Confira a matéria:

Se não chover, Bahia pode ter a maior seca dos últimos 30 anos

Situação de emergência foi decretada em 158 municípios; 2 milhões foram afetados

DANIEL CARVALHO


A seca que atinge o semiárido da Bahia fez o governo estadual decretar situação de emergência em 158 municípios. Em dezembro do ano passado, havia apenas 29 cidades nessa situação.

Cerca de 2 milhões de pessoas já foram afetadas, de acordo com o governo. Se não chover até o final deste mês, a Bahia registrará a maior seca dos últimos 30 anos, afirma a Secretaria da Casa Civil.

O período de chuvas vai de dezembro a março, mas em algumas localidades não cai água suficiente para abastecer a população, alimentar o gado e irrigar plantações desde o início de 2011.

Hoje, o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) vai a Salvador assinar um convênio de R$ 168 milhões para que sejam construídos 1.240 sistemas de abastecimento de água até 2013. Cerca de cem serão feitos em regime emergencial.

O governo federal também deve liberar R$ 10 milhões para contratação de carros-pipas e cestas básicas.

Reservatórios do Estado estão praticamente secos.

O de Mirorós, na margem do rio Verde, está com apenas 9% de sua capacidade. A barragem deveria garantir água para 350 mil habitantes do norte da Bahia.

A seca compromete a agricultura do semiárido. O secretário estadual da Casa Civil, Rui Costa, afirma que praticamente toda a safra de milho e feijão está perdida.

Duas adutoras estão em construção para tentar levar mais água do São Francisco para as barragens. Mas as obras, fundamentais para 750 mil pessoas, só devem ficar prontas no fim do ano.

Enquanto a água não chega, Exército, municípios e Estado abastecem os flagelados com carros-pipas.









Fonte: Casa Civil da Bahia

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mercadante quer dar bônus para escola que alfabetizar aluno de até 8 anos

Em entrevista, Ministro da Educação também fala sobre mudanças para tornar o Enem mais seguro



Para Mercadante, ensino médio é o maior nó - Beto Barata/AE
Beto Barata/AE  Para Mercadante, ensino médio é o maior nó


Há menos de duas semanas no cargo de ministro da Educação, Aloizio Mercadante chegou à conclusão de que a escola não está “interessante”. Isso explicaria parte do fato de 3,8 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estarem fora da escola, segundo dados divulgados no início da semana pela ONG Todos pela Educação. Em entrevista ao Estado, o ministro anunciou que discute o pagamento de bônus para as escolas que alfabetizarem todos os alunos até 8 anos. Essa seria sua prioridade na pasta.


Para evitar que a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sob seu comando não se transforme em nova crise, Mercadante disse que trabalha para aumentar o banco de questões da prova, atualmente com cerca de 6 mil questões - um décimo do mantido nos EUA. Para ele, ainda há risco logístico na prova. A seguir, a entrevista:


O sr. assumiu o cargo anunciando a distribuição de tablets para professores do ensino médio. Mas como pretende cumprir o compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff na campanha de erradicar o analfabetismo? Quase 10% dos jovens e adultos não sabem ler nem escrever um bilhete simples.

A leitura, a redação e as primeiras contas são um direito civilizatório. É um objetivo que estamos perseguindo já há algum tempo e tardiamente, porque o País está muito atrasado no processo educacional. Nossa prioridade vai ser alfabetizar na idade certa, ou seja, reverter essa tendência do analfabetismo funcional.

É muito mais inteligente resolver na idade certa que fazer programa de recuperação depois. E muitas dessas crianças, que vão seguindo sem ler ou escrever, vão abandonar a escola. Estamos concluindo um programa amplo, focando dos 6 aos 8 anos. Precisamos de um programa que motive as prefeituras para colocar os melhores professores nas salas de aulas, que haja bônus nesse processo para o desempenho da escola e um processo de monitoramento, com avaliação pedagógica.


Como vai ser o bônus?

Bônus para as escolas que atinjam os resultados. É um tema que estamos amadurecendo. Se a escola consegue todas as crianças alfabetizadas na idade certa, temos de valorizar essa conquista. Tem de ser um grande esforço nacional.


E o que fazer com o estoque de analfabetos jovens e adultos que diminui lentamente, quase imune aos gastos do Programa Brasil Alfabetizado?

Também é muito importante que a criança frequente a pré-escola. E estamos com um problema. O governo antecipa o pagamento para as prefeituras, mas as creches estão demorando de dois anos a dois anos e meio para ficarem prontas. E o tempo das crianças é agora. Estamos acelerando uma pesquisa sobre novos meios construtivos, estrutura pré-moldadas, abrir opção para os prefeitos, com custo competitivo, fazer algum tipo de pregão eletrônico de serviços de engenharia. Se a gente resolver a entrada, com um programa pedagógico forte, não carregaremos essa herança que carregamos hoje.


Resta o jovem adulto analfabeto nas grandes metrópoles. Vai dar para tirar do papel a meta de erradicar o analfabetismo?

Temos de ser realistas: eleger prioridades e saber o que é uma herança muito antiga. É muito mais fácil construir um programa de alfabetização em parceria com indústria que no interior. A presidente tem uma forma de ver a questão das metas que eu compartilho. Ela diz que sempre precisamos estabelecer metas como quem lida com arco e flecha: mira um pouco mais acima para acertar o alvo. A meta assumida pelo governo em Dacar é chegarmos a 2015 com 6,7% de jovens e adultos analfabetos - temos 9,6%.



O Plano Nacional de Educação prevê a prova nacional de docentes. Isso vai esperar a votação do projeto no Congresso?

Vamos fazer neste ano, acho que a ideia está bem amadurecida. Pretendemos que essa prova ajude a motivar professores para trabalhar em municípios de baixo desempenho na educação e em áreas de risco. Seria uma oportunidade para atrair bons professores para essas áreas. É isso que vai mudar a qualidade da educação.


O sr. mudou o eixo do programa de inclusão digital nas escolas ao anunciar a distribuição de tablets para professores do ensino médio. O programa de distribuição de laptops a alunos foi abandonado, como sugere o estudo encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE)?

O Brasil é o terceiro país onde mais se vende computadores. Para a parcela da população mais pobre, a única opção de acesso verdadeiro é a escola. Não queremos um apartheid digital, como tivemos um apartheid educacional no passado. Tanto há uma demanda por inclusão digital que as lan houses da periferias estão entupidas de jovens, que entram nas redes sociais sem usar todo o potencial dos computadores. É indispensável que a escola se modernize. O arranjo social da escola e o quadro negro são do século 18, os professores, do século 20 e os alunos, do século 21. Nós, que somos do século 20, somos imigrantes digitais, viemos de uma cultura analógica. A reflexão internacional demonstra que o computador na escola deve começar pelo professor.

O ensino médio é o maior nó em termos de evasão escolar. Não dá para o Brasil se acomodar com uma manchete que diz que 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. E estão fora da pré-escola e do ensino médio. De um lado, porque não alfabetizou plenamente. O aluno perde a motivação e a capacidade de acompanhar, porque a escola não está interessante e porque o mundo do trabalho está aquecido.

E como podemos reagir de forma rápida? Dando tablet para o professor e conteúdo para ele preparar as aulas.


Uma questão mais urgente: como o sr. pretende blindar a próxima edição do Enem de mais uma crise?

O Brasil precisa ter convicção de que nenhum país desenvolvido deixa de usar instrumento semelhante ao Enem. Os Estados Unidos têm há 85 anos um exame nacional. A China tem um exame que o aluno pode fazer uma única vez na vida. Alemanha, Itália, França e Grã-Bretanha têm prova uma vez por ano. O Enem é critério de meritocracia num Estado republicano, especialmente entre os mais pobres. Houve aprimoramento ao longo desses anos, como a superação de grandes desafios logísticos de uma prova para 5,4 milhões de alunos. O Brasil não tem culpa de ser tão grande. E há riscos na logística.



Mas como evitar mais uma edição problemática?

Precisamos de um banco com um volume grande de questões. Nos EUA, há mais de 100 mil questões. Eles podem fazer sete vezes por ano, porque seleciona na hora as questões. Quando tivermos banco amplo, o risco acabará. É tanta questão a que você teria de ter acesso que o único caminho é estudar. A segunda questão são as redações. Precisamos aprimorar o critério de correção, para que tenhamos mais segurança na avaliação, pois sempre há componente subjetivo. Essas são as duas frentes mais importantes em que estamos trabalhando.





Fonte: Estadão

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Governador Wagner concede entrevista coletiva nesta segunda-feira

 




O governador Jaques Wagner concede entrevista coletiva hoje, segunda-feira (13), às 9h, na Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia, para fazer um balanço dos últimos acontecimentos em Salvador referentes à greve dos policiais militares.

Na oportunidade, o governador vai falar sobre os investimentos do governo do Estado no Carnaval e de toda a logística operacional que será colocada em prática para que este megaevento ocorra com paz e tranquilidade.




Fonte: AGECOM - Bahia

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Secretário fala sobre políticas educacionais na Assembleia Legislativa





O secretário da Educação do Estado da Bahia, Osvaldo Barreto, participa nesta terça-feira (29/11), às 11 horas, na Assembleia Legislativa da Bahia, de audiência pública proposta pela deputada Kelly Magalhães, presidente da Comissão de Educação, para falar sobre as ações desenvolvidas pelo Estado na área educacional em 2011. Entre os destaques, está o programa Todos pela Escola, que, entre as suas ações, prevê um Pacto com Municípios, para garantir o direito de aprender a todos os estudantes da rede pública de ensino até os oito anos.

O Governo do Estado já firmou parceria com 329 prefeituras no Pacto com Municípios. Ampliar o acesso à educação integral, valorizar os profissionais da educação e promover sua formação e fortalecer a gestão democrática e participativa na rede de ensino estão entre os compromissos do programa.

O secretário também vai falar sobre o mais recente concurso para docente da rede estadual de ensino.  Em outubro, foram nomeados 1559 professores no certame, realizado em janeiro de 2011. A nomeação representa o primeiro grupo de um total de 3.200 docentes que serão nomeados até o início do ano letivo de 2012.

Ainda em 2011, em novembro, a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia aprovou, por unanimidade, projeto de lei do executivo baiano que concede reajuste salarial de 7,29%, este ano, para os professores da rede estadual. O projeto ainda prevê o cumprimento de novos reajustes que venham a incidir sobre a remuneração da categoria, garantindo ganhos reais de 10,64% até 2014. O reajuste para os professores de nível médio, que representam 16% da rede, será retroativo a janeiro de 2011, garantindo, assim, o piso salarial nacional.





Fonte: Secretaria de Educação da Bahia

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MEC deve cortar 50 mil vagas em cursos superiores este ano

Medida vai atingir graduações que obtiveram resultados insatisfatórios no Enade


Ministro diz querer expansão de vagas, mas com freio nos cursos que estão com problema - José Cruz/Agência Brasil












José Cruz/Agência Brasil


Dos 4.143 mil cursos avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), 594 não atingiram resultado satisfatório, com nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador que varia em uma escala de 1 a 5. Entre os cursos avaliados, 1.115 ficaram sem conceito porque não tinham um número mínimo de estudantes concluindo a faculdade.

Considerando apenas as graduações que obtiveram CPC, as com nota baixa representam 20% do total. Os cursos com CPC 4 ou 5 são considerado bons e os com nota 3, satisfatórios. Cerca de 80% tiveram resultado entre 3 e 5 e só 58 cursos podem ser considerados de excelência, com CPC máximo (5). O conceito leva em consideração, além dos resultados do Enade, a infraestrutura da escola, o corpo de professores e o projeto pedagógico.

O Ministério da Educação (MEC) vai cortar vagas de todos os cursos que obtiveram CPC 1 ou 2 em 2010 e que tenham registrado resultado insatisfatório em outros ciclos do Enade (2008 ou 2009). A previsão é que 50 mil vagas sejam cortadas em diferentes áreas até o fim de 2011. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes) baliza a expansão das vagas da educação superior no País porque prevê medidas de correção dos problemas para as instituições e cursos com baixos resultados.

“Para quem está fora dos parâmetros de qualidade, o Sinaes estabeleceu os termos que os trazem para a qualidade. Queremos que o sistema continue em expansão, mas com um freio naqueles cursos que estão com problema”, disse o ministro. Ele informou que cerca de 95% dos cursos de Medicina que passaram pelo processo de supervisão do MEC por apresentar CPC instaisfatório em anos anteriores melhoraram o desempenho em 2010.

Entre os 19 cursos com CPC 1, quatro são oferecidos por universidades estaduais e o restante, por instituições de ensino privadas.




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ênfase em testes empobrece a qualidade da educação, diz Nobel





Pressionadas pela cobrança de resultados em testes que medem o desempenho de alunos em leitura e matemática, as escolas estão cada vez mais negligenciando outras disciplinas e aspectos da formação igualmente importantes para explicar o sucesso na vida adulta. Essa crítica não é feita por alguém avesso a avaliações. Pelo contrário. O autor é o professor da Universidade de Chicago James Heckman, 67.

Ele ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2000 justamente por sua contribuição na criação de métodos estatísticos que ajudaram a medir com mais precisão o impacto de políticas públicas. Seus estudos mostram que intervenções de qualidade que beneficiam crianças de famílias pobres desde a primeira infância têm impactos duradouros na vida adulta.

Os impactos mais significativos, porém, não são medidos em testes de matemática ou linguagem. São, principalmente, o que chama de habilidades não cognitivas, como motivação, controle emocional, disciplina ou capacidade de interação social.

Essas são características que também devem ser trabalhadas pela escola e que têm impacto significativo em fatores com renda futura, envolvimento em crimes, gravidez precoce e outros apontados em seus estudos.

Alguns deles foram feitos com o economista brasileiro Rodrigo Pinto, doutorando da Universidade de Chicago que participou da entrevista.

Heckman estará em São Paulo na semana que vem para o seminário Educação para o Século 21, promovido pelo Instituto Ayrton Senna. Leia trechos da entrevista feita por telefone à Folha.


Folha - O papel da escola está sendo reduzido a preparar para testes?

James Heckman -
Com certeza. É curioso porque, se pesquisarmos o que diziam os criadores desses testes, hoje aplicados a milhões de estudantes, eles sempre afirmaram que os exames captavam apenas parte do que se esperava da escola. Antes dos testes, a visão tradicional da educação era que as pessoas iam para escola para aprender a ter caráter, persistência, sociabilidade, coisas assim.

Daí surgiram medidas para avaliar outras habilidades. Foi o caso do teste de QI, criado no início do século passado para prever quem ia ser bem sucedido na escola. Um dos primeiros pesquisadores a desenvolver avaliações como essa, o psicólogo francês Alfred Binet, já admitia desde aquela época que outras habilidades importantes para o sucesso na escola não eram medidas por esses testes. O mesmo diziam os criadores do teste de Iowa, que foi uma enorme inovação nos EUA, há 60 anos, ao permitir que respostas fossem marcadas em cartões lidos por máquinas que facilitaram a aplicação de provas em massa. É irônico que o foco da escola tenha sido revertido para ensinar apenas os alunos a ir bem nesses testes. É uma subversão. As escolas nos EUA têm abandonado aulas de música, física ou outros assuntos por entenderem que isso é irrelevante e que o que importa é ir bem em testes de leitura e matemática.

Se eu digo que algum aspecto da sua vida será recompensado e outros não, as pessoas vão naturalmente desenvolver mais a parte que é recompensada. É o que está acontecendo nos EUA. Professores e diretores estão agindo assim não porque estão interessados em desenvolver a criança, mas em prepará-las para testes para que eles sejam vistos como bons professores e diretores.

Mas não é importante também avaliar os estudantes para saber se estão aprendendo o básico em leitura e matemática?

Testes têm o seu lugar, e não estou dizendo que devam ser abolidos. Você pode medir a performance de um professor, mas não deve reduzir essa tarefa a saber se um aluno passou ou não num teste. É importante também avaliar como o estudante encara tarefas que lhe são dadas, se é perseverante, se sabe trabalhar em grupo.

Rodrigo Pinto - Um bom exemplo é o processo seletivo de Harvard. Quando alguém tenta uma vaga, não avaliam apenas o desempenho em testes. Querem saber quais atividades paralelas o candidato tem, que esporte pratica, se já foi representante de classe, como é sua rede de relacionamento social.

Harvard não faz isso só por achar interessante ter um aluno com esse perfil, mas porque sabe que esses aspectos também são importantes para definir que sucesso o estudante terá na vida adulta. Boa parte dos recursos de Harvard vêm da doação de ex-alunos, então é preocupação deles admitir quem tem maior probabilidade de ser bem-sucedido.


Essas habilidades não captadas em testes podem ser ensinadas em escolas, ou é algo que se aprende só em casa?

James Heckman – Famílias têm um papel importante. Pais ensinam aos filhos essas habilidades encorajando-os, estabelecendo limites ou dando exemplos de bom comportamento. Mas há intervenções específicas desenhadas para ensinar crianças pequenas que as ajudam a ter foco na execução de tarefas e a trabalhar com os colegas de modo organizado e disciplinado.

É o caso do programa pré-escolar Perry, iniciado nos anos 60 no Estado de Michigan com alunos pobres de três e quatro anos. As crianças vão para a sala de aula e aprendem a planejar uma tarefa, a desenvolvê-la em grupo e a avaliar o resultado com os colegas. Num trabalho, mostramos que adultos que participaram desse projeto na infância se envolveram menos em crimes, tiveram rendas maiores e ficavam menos tempo desempregados se comparados a pessoas com as mesmas características que não participaram do programa.


Sabe-se que o cuidado nos primeiros anos de vida é muito mais importante do que se pensava para o desenvolvimento humano. Isso significa que crianças pobres que não se beneficiaram de uma intervenção adequada até os seis anos serão casos perdidos?
Seria insano achar que a trajetória de um ser humano vai se resumir ao que foi feito nos primeiros anos de vida. Nunca defendi que as intervenções feitas após esse período da vida são inúteis ou que devemos parar de investir em programas para quem não teve essa oportunidade quando criança. O meu ponto é que uma política adequada para a primeira infância fará todas as intervenções posteriores mais efetivas. O custo-benefício de uma intervenção nos primeiros anos de vida é muito mais vantajoso do que tentar remediar mais tarde. Mas há muito que pode ser feito, especialmente no desenvolvimento de habilidades não cognitivas que terão impactos na vida adulta, mesmo após os dez anos.


Ao enfatizar o cuidado nos primeiros anos de vida, não há risco de sobrecarregarmos ainda mais as mulheres, que dedicam mais horas que os homens para educar os filhos?

Creio que as evidências sobre a importância do cuidado adequado nos primeiros anos e seu impacto na vida adulta valorizam e reconhecem ainda mais o trabalho que hoje, de fato, é feito principalmente pelas mulheres. Mas ninguém está dizendo que elas têm que ficar em casa cuidando dos filhos, até porque há estudos mostrando que o aumento da escolaridade e da participação das mulheres no mercado de trabalho tem impactos positivos no desenvolvimento infantil.




Fonte: Folha de S. Paulo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Valorização do educador passa por investimentos na carreira docente, diz especialista


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O professor tem um papel fundamental na educação de crianças e jovens que estão em fase de formação e assimilação de experiências. Ele vira um exemplo, e quando motivado, pode até se tornar fonte de inspiração para seus alunos. Um dos caminhos de reconhecimento do valor desses profissionais para o desenvolvimento da sociedade é o investimento no Plano de Carreira do Magistério, um dos pontos prioritários no novo Plano Nacional de Educação (PNE), em discussão no Congresso, e também tema abordado nos ciclos de trabalho do projeto Parceria Votorantim pela Educação no âmbito de apoio à gestão pública.

Para marcar este Dia do Professor celebrado neste sábado, 15 de outubro, o Blog Educação convidou Roberto Franklin de Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), para falar um pouco mais sobre esta temática e a necessidade de uma maior valorização do trabalho docente. Nessa conversa, Roberto Leão comenta sobre as questões da jornada de trabalho e da remuneração de acordo com a formação acadêmica do profissional e avalia o que considera entraves na efetivação desses planos.

Segundo o entrevistado, o debate sobre a carreira no magistério requer urgência, apesar de existirem projetos de lei tratando da regulamentação dos planos de carreira. O objetivo de todo esse movimento é valorizar o trabalho dos professores para que o reflexo disso possa ser sentido dentro das salas de aula, com melhoras no modo de ensinar e aprender. Para saber mais sobre esse assunto, confira abaixo a entrevista completa.


1)  Qual a posição da CNTE em relação à questão dos planos de carreira dos docentes no País?

A CNTE e seus 43 sindicatos filiados têm lutado para fazer cumprir os preceitos da Lei 11.738, que regulamentou o piso salarial do magistério público da educação básica, dentre os quais consta a formulação ou adequação dos planos de carreira à norma federal (art. 6o. da Lei).

Vale registrar que a carreira dos educadores também é princípio constitucional (art. 206, V), e que precisa ser respeitado no contexto da aplicação do piso.

Os conceitos de carreira defendidos pela CNTE, a serem observados nas legislações locais (estados, DF e municípios), referem-se, sobretudo, à indissociabilidade entre a remuneração (na forma de vencimento inicial e observado, no mínimo, o valor nacional previsto para os docentes de nível médio), a jornada de trabalho (com no mínimo 1/3 dedicada às horas-atividades) e a valorização da carreira (com diferenciação mínima de 50% entre as formações profissionais de nível médio e superior, e condições de trabalho apropriadas – com prevenção e tratamento das doenças laborais e segurança nas escolas).


2)  Quais os principais entraves para que os municípios disponham efetivamente de um plano de carreira para seus docentes?

O entrave, no ponto de vista da CNTE, consiste na efetiva vontade política de se valorizar a educação e seus profissionais.

Desde a promulgação da Constituição Federal, estados e municípios, além do DF, dispõem de 25% da arrecadação de impostos para investimentos na educação. Ao longo do tempo, as políticas públicas cooperativas, como o Fundeb, e os programas federais, a exemplo do PDE e do PAR, têm assegurado aos entes federados verbas extras para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Por outro lado, paradoxalmente, muitos dos municípios que alegam falta de recursos para implantar o piso não conseguem provar a dita insuficiência perante o MEC.

A CNTE não tem dúvida de que todos os estados e municípios do país têm condições de pagar o vencimento base inicial, proposto pelo Piso Nacional, desde que corrigidas as irregularidades na gestão dos recursos educacionais. O problema para alguns, no entanto, consistirá em observar as regras estabelecidas pelos planos de carreira, pois o piso é referência mínima para a carreira profissional de magistério. E sobre este ponto, o governo federal terá de intervir mais incisivamente, a fim de garantir esse princípio constitucional. Ocorre, todavia, que o debate sobre a carreira ainda está atrasado tanto no Ministério da Educação quanto no Congresso Nacional, apesar deste último possuir projetos de lei tratando da regulamentação da matéria.


3)  O que pode ser feito para contornar essas questões?

O primeiro ponto consiste numa gestão pública transparente e participativa, privilegiando o controle social sobre as verbas da educação. Os conselhos de acompanhamento do Fundeb e da merenda precisam funcionar de fato e as escolas necessitam de gestão democrática para serem geridas com autonomia pedagógica e financeira, à luz da Lei de Diretrizes e Bases (artigos 14 e 15 da Lei 9.394).

Num segundo plano, a União, financiadora de parte das verbas da educação básica, precisa impor mecanismos para medir a eficiência da arrecadação de impostos nos estados e municípios, os quais, muitas vezes, criam excessivas concessões fiscais ou cometem ingerências com a aplicação dos tributos na educação, impossibilitando a potencialização dos investimentos.

Outra questão sensível ao problema refere-se às disparidades salariais no Poder Público. Os gastos com autoridades e servidores do judiciário e do legislativo, na maioria dos entes federados, são muito desproporcionais em relação aos servidores do executivo, sobretudo da educação, da saúde e da segurança, que congregam grande número de servidores. Essa distorção tem reflexos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que, por sua vez, tem sobreposto os artigos art. 212 e 60 do ADCT da Constituição, que dispõem sobre a vinculação mínima de impostos para aplicação na educação e, consequentemente, nos salários dos educadores. Assim, não é difícil ver casos em que os gestores públicos justificam a impossibilidade de reajustes para os servidores da educação, alegando limites da LRF – o que é inconcebível do ponto de vista legal, embora seja prática frequente.


4)  A CNTE tem algum levantamento recente que indique o número de municípios brasileiros que já dispõe de planos de carreira para seus docentes?

Segundo a Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino do MEC, cerca de 60% dos municípios do país autodeclararam possuir planos de carreira. Porém, além de não se ter certeza sobre essa informação, pouco também se sabe sobre a qualidade dos planos – se valorizam ou não, de fato, os educadores.


5)  Qual o impacto da lei do novo piso salarial na gestão da educação dos municípios?

A lei do piso é muito mais que uma norma salarial, pois ela condiciona os entes a cumprirem não apenas os requisitos de aplicação das verbas da educação, mas de toda a administração pública – ao menos na maior parte do país que é composta de pequenos e médios municípios. Neste sentido, é muito provável – não certeza – de que o ente que alega insuficiência para pagamento do piso, vinculado à carreira, esteja perecendo de alguma anomalia de gestão, seja esta relacionada a desvios de função das verbas educacionais, seja de supervalorização de salários em alguns setores da administração em detrimento de outros, podendo, também, incorrer nas duas situações, simultaneamente.


6)  O que tem impedido que o pagamento desse novo piso salarial seja cumprido? É a questão orçamentária que se torna um obstáculo ou há alguma outra razão para isso?

Diante das alegações apresentadas acima, concluímos que a questão perpassa pela vontade política do gestor em corrigir as anomalias que impedem a valorização do magistério, à luz dos preceitos da lei do piso.

No caso do governo federal, é preciso maior esforço para colocar em prática uma política de colaboração com os entes federados, a qual deve agregar tanto o aperfeiçoamento da gestão pública e da arrecadação tributária, como também a definição de diretrizes nacionais para a carreira dos profissionais da educação básica. Com base nas diretrizes, o MEC deve suplementar eventuais deficiências orçamentárias.


7)  O Ministério da Educação pensa em formar um grupo para discutir os planos de carreira. De que forma essa iniciativa pode contribuir para os avanços nesta questão?

Esse é um ponto que precisa ser tratado com urgência pelo MEC, já que é fundamental para garantir o princípio constitucional da carreira e para corrigir as distorções que existem entre estados e municípios.

A CNTE tem cobrado a imediata instalação da mesa de negociação do piso e da carreira, e reiterará a cobrança no próximo dia 26 de outubro, por ocasião da 5ª Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida pela CNTE, que acontecerá em Brasília.


8)  Para a CNTE, o que é preciso ser feito efetivamente para que a carreira dos professores seja valorizada?

A indissociabilidade do salário, da formação, da jornada e das condições de trabalho é a principal garantia para a valorização das carreiras. A omissão de qualquer desses conceitos compromete a qualidade dos planos estaduais, distrital ou municipais.


9)  Como o sr. avalia a meta do PNE que prevê equiparação do salário dos professores com o de outros profissionais do mercado?

A meta tem um grave problema, pois ela não se refere à equiparação, senão à aproximação. Isso precisa ser corrigido pelo Congresso, devendo também o piso ficar conjugado à valorização da carreira, seguindo a orientação da Lei 11.738, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade movida por governadores contra a lei do piso. Da maneira como foi apresentada no PL 8.035/10, a mencionada meta reforça a subvalorização do magistério frente às demais profissões e não visa corrigir os problemas atuais que afligem o magistério e os demais trabalhadores da educação, dentre eles, as distorções entre as regiões do país que impedem a qualidade com equidade da educação.


10)  Em relação à questão da formação continuada, o Ministério da Educação tem oferecido algumas oportunidades, e por diversas vezes, esses cursos não tem alcançado uma boa audiência. A que o sr. atribui esse cenário?

A formação do professor (e dos funcionários de escola) precisa ser um compromisso público – ofertada pelo Estado em instituições públicas e gratuitas. Porém é preciso dar condições aos profissionais para que possam frequentar os cursos. A hora-atividade, prevista na Lei 11.738, possibilita conjugar a oferta da formação com as condições de presença dos professores, razão pela qual deve ser atendida e regulada o mais breve possível pelos sistemas de ensino.





quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Incentivar o gosto dos alunos pela leitura é uma das missões dos professores, defende educadora





De acordo com um levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a maioria dos universitários brasileiros lê, em média, apenas de um a quatro livros por ano. A pesquisa foi feita com 19.691 estudantes de graduação de universidades federais de todo o país.

Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por exemplo, 23,24% dos alunos não chegam a ler uma obra por ano, enquanto apenas 5,57% leem mais de dez títulos no mesmo período. Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os alunos se dedicam mais à leitura: 22,98% deles costumam ler mais de dez livros por ano.

Para Vera Lúcia Pereira dos Santos, doutora em Linguística e em Língua Portuguesa e suporte pedagógico de língua portuguesa do Agora Sistema de Ensino e do Ético Sistema de Ensino, ambos da Editora Saraiva, incentivar o gosto pela leitura é uma das missões dos professores. Isso em todas as fases da vida do estudante.

“Os benefícios da leitura ultrapassam o currículo da escola, mas são germinados por ela. A literatura, porém, não deve ser tratada, em primeira instância, como matéria didática que se ministra em minutos cronometrados pela duração de uma aula, ou várias, a que se subordina leitura obrigatória de livros”, afirma.

Todavia, com as novas tecnologias virtuais, o livro impresso perdeu um grande espaço na formação de jovens. Por isso mesmo, é fundamental que o educador aproveite o espaço da sala de aula para despertar nos estudantes o interesse por ler sempre, e não só quando for obrigado pelo colégio ou pela faculdade.

“Há testemunhos desanimadores, como o de pessoas que se orgulham em dizer que nunca leram um livro inteiro na vida e, mesmo assim, entraram em uma faculdade apenas lendo resumos na internet. Ao mesmo tempo, é reconfortante saber que a geração atual de jovens está descobrindo o prazer de ler por meio de best-sellers, como os da saga Crepúsculo e os da série Harry Potter, que servem de ponto de partida para eles chegarem aos clássicos. Um livro puxa outro e prepara para o seguinte”, explica a doutora Vera.



Sistemas de ensino da Saraiva

O Ético e o Agora, os dois sistemas de ensino da Editora Saraiva, disponibilizam para as escolas parceiras uma completa linha de materiais didáticos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, além de um conjunto de soluções educacionais integradas.

Isso inclui portal para alunos e educadores, cursos presenciais e a distância para professores e gestores municipais, análise de desempenho escolar e ampla assessoria pedagógica. O Ético também oferece uma linha de materiais didáticos de reconhecido rigor conceitual para cursos pré-vestibulares.

Já o Agora foi desenvolvido com o objetivo de contribuir para a educação pública brasileira por meio de uma ação educativa eficaz. “O Agora visa atender à identidade da escola pública. Um dos seus diferenciais é sua proposta pedagógica, que evidencia valores e conceitos de humanidade e cidadania por meio de uma aproximação entre o dia a dia dos estudantes e o contexto escolar”, afirma José Arnaldo Favaretto, diretor de Sistemas de Ensino da Saraiva.
 


 


Fonte: UNDIME

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Haddad diz que Orçamento da Educação em 2012 receberá entre 7% e 10% do PIB




O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira que a expectativa de investimento na educação do Orçamento de 2012 ficará entre 7 e 10% do PIB Brasileiro.

- Não vai ser menos que 7% e nem mais que 10%. Espero contar com o apoio do Congresso - disse o ministro, quer participou do primeiro encontro "Pensando o Desenvolvimento do Brasil - Desafios e Perspectivas para Educação Básica", na Fundação Getúlio Vargas.

" Não vai ser menos que 7% e nem mais que 10% "

Na ocasião, Haddad defendeu também a reforma do Ensino Médio, incluindo, o fim do vestibular e aulas em tempo integral. O ministro informou que já há 600 escolas de Ensino Médio em tempo integral, em uma espécie de programa piloto da pasta.

Segundo ele, já existe um processo de substituição do vestibular: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O ministro minimizou problemas no exame, citando que China, Inglaterra e Estados Unidos também registraram situações semelhantes em seus exames nacionais.

Ao defender a aprovação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que espera aprovação no Senado, elogiou a oposição:

- É um projeto que contou com apoio da oposição. Mostra que estamos tentando fazer políticas de Estado. Sempre dialogo com partidos que não são da base do governo, para que não haja risco de descontinuidade. As diferenças partidárias são bem-vindas numa democracia, mas é preciso alçar na educação uma plataforma que mais une do que divide.

Ao fazer uma avaliação de sua gestão, Haddad voltou a elogiar a oposição:

" É um projeto que contou com apoio da oposição "

- Na minha gestão, com o apoio da oposição, conseguimos aprovar duas emendas e mais de 50 projetos de lei.

Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo e nome preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa, Haddad não quis comentar sobre política:

- Não vou comentar. Só comento no final de semana. De segunda a sexta é só educação.

Fonte: O Globo
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