Mostrando postagens com marcador Personalidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Personalidades. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O que foi a Independência do Brasil?




No dia 7 de setembro de 1822, o príncipe regente dom Pedro, irritado com as exigências da corte, declarou oficialmente a separação política entre a colônia que governava e Portugal. Em outras palavras, ele proclamou a Independência do Brasil.

Um mês depois, mais precisamente em 12 de outubro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador e, em 1º de dezembro, coroado pelo bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de dom Pedro 1º.

Resumidamente, a conquista da independência do nosso país poderia ser contada dessa forma, mas a história não é tão simples assim. Começa realmente com o enfraquecimento do sistema colonial e a chegada da corte portuguesa ao Brasil (1808) e só termina em 1824, com a adoção da primeira Constituição brasileira.



Os motivos da separação

Entre os séculos 18 e 19, cresceram no Brasil as pressões externas e internas contra o monopólio comercial português e a cobrança de altos impostos numa época de livre comércio.

Diversas revoltas - a exemplo da Inconfidência Mineira, Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817 -, aliadas à Revolução Francesa e àindependência dos Estados Unidos, provocaram o enfraquecimento do colonialismo e reforçaram o liberalismo comercial no Brasil. Em 1808, com a abertura dos portos, o Brasil passou a ter mais liberdade econômica e, com sua elevação à categoria de Reino Unido, deixou de ser, formalmente, uma colônia.

Em 1820, a burguesia portuguesa tentou resgatar sua supremacia comercial, promovendo a Revolução Liberal do Porto. No ano seguinte, o parlamento português obrigou dom João 6º a jurar lealdade à Constituição e a voltar para Portugal. Seu filho dom Pedro foi deixado no Brasil, na condição de príncipe regente, para conduzir uma eventual a separação política.



O rompimento

As pressões contra o controle de portugal cresceram na colônia, e a metrópole passou a exigir a volta de dom Pedro. O príncipe deu sua resposta a Portugal no dia 9 de janeiro de 1822 (Dia do Fico), com a célebre frase "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, diga ao povo que fico". 

Iniciou-se um esforço político por parte dos ministros e conselheiros de dom Pedro, pela permanência dos vínculos com Portugal, mantendo um pouco de autonomia para o Brasil. Queriam uma independência sem traumas, mas as críticas ao colonialismo ficaram insustentáveis. Dom Pedro, então, se viu pressionado a oficializar o rompimento.

Foi assim que, em 3 de junho de 1822, dom Pedro convocou a primeira Assembléia Constituinte brasileira. Em 1º de agosto, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil e, dias depois, assinou o Manifesto às Nações Amigas, justificando o rompimento com as cortes de Lisboa e garantindo a independência do país, como reino irmão de Portugal. 

Em represália, os portugueses anularam a convocação da Assembléia Constituinte brasileira, enviaram tropas à colônia e exigiram o retorno imediato do príncipe regente a Portugal. No dia 7 de setembro de 1822, durante uma visita a São Paulo, nas proximidades do rio Ipiranga, dom Pedro recebeu uma carta com as exigências das cortes e reagiu proclamando a independência do Brasil. Bahia, Maranhão e Pará, que tinham juntas governantes de maioria portuguesa, só reconheceram a independência em meados do ano seguinte, depois de muitos conflitos entre a população e os soldados portugueses.

No início de 1823, houve eleições para a Assembléia Constituinte que elaboraria e aprovaria a Carta constitucional do império brasileiro, mas, em virtude de divergências com dom Pedro, a Assembléia logo foi fechada. A 1ª Constituição brasileira foi, então, elaborada pelo Conselho de Estado e outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824.

Com a Constituição em vigor, a separação entre a colônia e a metrópole foi finalmente concretizada. Mesmo assim, a independência só é reconhecida por Portugal em 1825, com a assinatura do Tratado de Paz e Aliança entre Portugal e Brasil, por dom João 6º.


Fonte: Almanaque Abril, Fovest e Enciclopédia da Folha




Bom feriado a todos!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Valorizar os professores traz melhores perspectivas para o futuro da educação


Por Francisca Romana Giacometti Paris



No fim de 2010, o Ministério da Educação apresentou um projeto que estabelece quais são os objetivos da educação para esta década (2011-2020). 

O texto traz vinte metas, que pretendem, ao longo do período, alterar a realidade das escolas no sentido de qualificar o atendimento, principalmente no ensino básico. 

Todas as metas poderão ser atingidas desde que haja políticas públicas consistentes, continuidade dessas políticas e investimento na formação e valorização do quadro de professores.

O objetivo de assegurar a todas as crianças e jovens o ensino básico e permitir que eles concluam seu processo de escolarização básica pode continuar sacrificando a qualidade em função da quantidade. 

Todavia, sabemos que a realidade das escolas poderá ser mudada se, sobretudo, as metas propostas estiverem apoiadas na confiança, na ação e no empenho dos professores. 

Isso significa que, se os professores não acreditarem na força e na seriedade das políticas educacionais e não as efetivarem no contexto das escolas, o Plano Nacional de Educação (PNE) será apenas mais um plano bem intencionado, porém ineficaz. 

Deve existir um projeto social e político que aponte, por meio de ações concretas, o desejo de se transformarem significativamente as metodologias e os conceitos que hoje determinam os fazeres escolares.

Ninguém ignora que é a intervenção pedagógica adequada dos educadores que faz quase toda a diferença na escola. 

Todos defendem a ideia de que a atividade docente está cada vez mais complexa e exigente; no entanto, também é consensual a ideia de que a carreira docente com um estatuto social decadente, formação fragilizada e remuneração baixa não atrai à profissão os estudantes mais qualificados nem anima os melhores profissionais a se manterem nas escolas públicas.

Em um tempo em que nós, a sociedade como um todo e as autoridades educacionais buscamos uma escola que atenda mais e melhor à população que dela faz uso, é imprescindível que medidas palpáveis sejam estabelecidas a curto e médio prazo, a fim de tornarmos a carreira docente um pouco mais atraente. 

É preciso que os jovens sejam motivados a serem professores e encontrem incentivo e sentido no magistério. Uma profissão que não consegue atrair os “bons” com certeza será ocupada por aqueles que, do ponto de vista profissional, não tiveram opções melhores. 

Assim sendo, estaremos encaminhando pessoas desmotivadas à carreira docente, sem empenho e, sobretudo, que não acreditam que podem. Por isso mesmo, elas provavelmente não farão a diferença, uma vez que não “escolheram”, mas foram social e economicamente “escolhidas” para serem professores. 

Valorizar o magistério é essencial para que os professores possam realizar suas tarefas com dignidade. É evidente que apenas oferecer um salário maior não irá comprometer nem qualificar o corpo docente, visto que possibilidades culturais e de lazer são também fundamentais; é imprescindível que haja políticas de ampliação das remunerações. 

Isso, aliado a políticas de avaliação externa de docentes, discentes e gestores, que indiquem intervenções técnicas de nossos gestores públicos, a fim de dar saltos na qualidade da escola pública.

Para inverter o “desprestígio” da carreira de professor, é imperativo que se efetivem medidas claras de formação continuada dos docentes e, ao mesmo tempo, se definam com clareza novas condições para o exercício da profissão. O PNE 2011-2020 aparece em hora propícia e deseja o desenho de um novo projeto social para a escola pública. 

Todavia, o primeiro e mais importante passo para tal empreitada é devolver a decência à docência. Pensando de um modo mais amplo, quais são os caminhos para melhorar a situação da educação brasileira? 

Além de qualificar continuamente o professor, há mais três, que se complementam: continuar a melhoria da distribuição de renda, investir na formação pré-escolar, para que a criança chegue mais bem preparada à escola, e escolher materiais didáticos melhores, que dêem chance ao aluno de ter acesso a conteúdos de qualidade. 

É claro que muitos professores desejam desenvolver seu próprio método de ensino e currículo, mas, no caso principalmente dos docentes com baixa qualificação profissional, esta é a verdadeira receita para o fracasso. Isso porque a construção de um fazer pedagógico deve apoiar-se em um material didático cuja função seja instrumentalizar e orientar o educador para a reflexão e a tomada de decisões direcionadas ao aprendizado. E isso é o que o sistema de ensino faz.

Materiais didáticos estruturados (ou “sistemas de ensino”) são cadernos de uso individual que organizam o currículo da escola e os conteúdos das disciplinas, aula a aula. 

Podem ainda orientar os professores e acompanhar o desempenho dos alunos, o que otimiza o aproveitamento do tempo em sala de aula, favorece o estudo do aluno em casa e incrementa o domínio do conteúdo pelo professor. 

Isso porque um sistema estruturado de ensino configura-se como um conjunto de soluções que vão além do material didático. Ele inclui, por exemplo, tecnologias educacionais, portal educativo, formação continuada de professores, avaliação e acompanhamento da aprendizagem do aluno, entre outras, as quais, juntas, resultarão em um melhor desempenho escolar.

A grande diversidade de sistemas de ensino em uso traz a inevitável preocupação com a qualidade, necessariamente vinculada a um adequado projeto pedagógico e editorial, cuidadosa produção e revisão do conteúdo. 

Não cabem improviso, reutilização de materiais segregados ou adaptações de conteúdos planejados para outras finalidades. 

As soluções que atendem às necessidades dos professores e alunos devem ser trabalhadas de forma precisa, desde o planejamento editorial até a produção gráfica.

Em educação, não há uma solução milagrosa para tudo. É preciso combinar diferentes alternativas e esforços. 

Sem a cooperação do poder público – gerando políticas eficazes –, da iniciativa privada – produzindo conteúdos de qualidade para alunos de todas as classes sociais – e das associações de classe – auxiliando na formação continuada –, permaneceremos chorando sobre o leite derramado. Ou melhor, sobre os tristes índices da nossa educação.

Francisca Romana Giacometti Paris é pedagoga, mestra em educação, diretora pedagógica do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva, e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP).





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mudanças na Secretaria de Educação Básica


Veja quem é Cesar Callegari, o substituto de Maria do Pilar Lacerda à frente da principal secretaria do MEC


Callegari. Foto:Tatiana Cardeal


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, confirmou nesta terça-feira, 7, Cesar Callegari como novo secretário de Educação Básica do MEC. Ele substitui Maria do Pilar Lacerda, que exerceu a função desde 2007 e participou dos principais projetos da gestão do ex-ministro Fernando Haddad.

Callegari é sociólogo e esteve na presidência do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) até a semana passada. Ele é presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), diretor de operações do Serviço Social da Indústria (Sesi) em São Paulo e membro do Conselho de Governança do Movimento Todos pela Educação.

Autor de várias publicações sobre educação pública, Callegari teve importante participação na implantação dos Centros de Formação do Magistério (CEFAMs), na criação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e no projeto do CNE de inclusão das disciplinas de filosofia e sociologia no Ensino Médio. Ele também já foi secretário de Educação de Taboão da Serra e deputado estadual em São Paulo por dois mandatos consecutivos.





Fonte: Revista Escola

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Jean Marc Cotê: a sala de aula do futuro













Jean Marc Cotê foi um ilustrador francês que viveu no século XIX. Ao longo da década de 1890 ele criou diversas imagens que retratam sua visão de futuro. As ilustrações do artista falam a respeito de um tempo distante: os anos 2000.

A série de ilustrações sobre o tema surgiu após uma empresa de brinquedos pedir a ele que desenhasse o mundo em um tempo desconhecido, que eles jamais chegariam a ver, mas que poderiam, ao menos, supor, imaginar, criar.

As previsões de Jean Cotê são extremamente interessantes e podemos dizer que ele não passou tão longe do que vemos hoje em dia. Chama-me a atenção, em especial, a ilustração acima, criada em 1899, tempo de efervescência da Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra e em seguida, impacto ao redor do Globo.

A França, terra natal do ilustrador, já se via extremamente modificada devido aos efeitos da Revolução Industrial e as mudanças econômicas e sociais, geradas pelo avanço tecnológico, já mexiam com o imaginário das pessoas; inclusive com o imaginário de Jean Cotê.

Ele criou essa ilustração em 1899 mostrando como seria, sob seu ponto de vista, uma sala de aula nos anos 2000. O avanço tecnológico modificou todos os campos sociais, inclusive o da educação e, para ele, num futuro distante, as mudanças seriam ainda mais gritantes.

Na imagem, estudantes estão conectados a capacetes eletrônicos fixados em suas cabeças. Cada capacete possui um fio transmissor, que se liga a uma máquina central. Nesta máquina, o professor coloca o conteúdo que deverá chegar aos alunos. Para tanto, ele utiliza livros.



O que a ilustração tem de semelhante com o nosso tempo?

A imagem denuncia um olhar visionário incrível! Jean Cotê, em seu “achismo”, já previu que o acesso a informação seria veloz e que não seria necessário carregar um livro nas mãos para poder se informar… Nesse momento vemos surgir uma previsão de futuro correta: a possibilidade de acesso à informação por meio de aparatos tecnológicos.

Além disso, ele também tirou o professor do centro da sala de aula. Os alunos olham para a frente, enquanto o professor, na lateral da sala, transmite o conteúdo. Porém, apesar de não estar mais no centro da sala de aula, a figura do docente permanece central e exclusiva, já que o professor é o único responsável por passar a informação e nesse momento, excluem-se outros possíveis educadores (aos quais podemos chamar “informais”).

A imagem, contudo não traz consigo a ideia de participação colaborativa. Os alunos recebem a informação e ponto. Não há evidências de interatividade por parte dos estudantes. Hoje isso não se faz real, uma vez que a interatividade é um dos fatores-chaves presentes dentro sala de aula (e fora dela).

Mas apesar dos pesares, temos que elogiar Cotê! Ele se arriscou num imenso desafio! Que tal tentarmos fazer o mesmo exercício e imaginarmos como será uma sala de aula daqui a 100 anos?


Alguém se arrisca?




Fonte: Cadernodia

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Conheça Anísio Teixeira

Anísio Teixeira



Anísio Spínola Teixeira (Caetité, 12 de julho de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de março de 1971) um dos maiores educadores do Brasil, responsável por mudanças de extrema relevância no cenário educacional do século XX. Baiano do município de Caetité, Anísio  Teixeira difundiu o movimento da Escola Nova e defendeu como nenhum outro a Educação pública: gratuita, laica e obrigatória.
 
O educador começou a vida estudantil em instituições jesuíticas, entre as quais, o Instituto São Luiz Gonzaga, em Caetité, e o Colégio Antônio Vieira, em Salvador, onde concluiu o ensino secundário. Em 1922, ingressou na Universidade de Direito do Rio de Janeiro, seguindo os anseios do pai, que sonhava com a carreira política para o filho. Após concluir o curso, foi convidado para ser Inspetor Geral de Ensino da Bahia. Começara aí a sua marcante trajetória no âmbito educacional.
 
Em 1925, Anísio transformou a concepção de ensino na Bahia, defendendo a ideia de que toda escola deveria oferecer uma educação gratuita, integral e de qualidade com o objetivo de desenvolver nos alunos características não só intelectuais, como também cívicas e morais.
 
Anísio Teixeira atuou como educador, filósofo da educação e gestor de grandes reformas educacionais.
 
Precursor na implantação de escolas públicas para todos os níveis, Anísio propôs que o ensino público fosse articulado em uma rede que se estendesse até a universidade. Uma de suas iniciativas mais importantes como secretário de Educação e Saúde foi a construção do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, popularmente conhecido como Escola-Parque, localizada na Caixa D’água, em Salvador, e fundada em 1950.

 

Homenagens

Depois de muito tempo relegado ao esquecimento, a memória de Anísio Teixeira foi, com o fim da ditadura militar, aos poucos sendo resgatada. Sem dúvida, o maior passo neste processo, deu-se com o lançamento, em 1 de outubro de 1993, da cédula de mil Cruzeiros Reais, lembrando o grande educador, que ficou em vigor até julho de 1994, quando foi substituída pelo Real.

O ano de seu centenário de nascimento, 2000, foi marcado por diversas homenagens. Muitas entidades educacionais ou, mais especificamente, pedagógicas, realizaram eventos em comemoração.

O dia 12 de julho é, em sua memória, feriado municipal na sua Caetité natal.

Sob auspícios da Rede Bandeirantes, um documentário foi feito em 1999, contando a vida do educador.

Inúmeras instituições de ensino no país levam seu nome, em especial o Instituto de Educação Anísio Teixeira, em sua terra natal, e na capital baiana o IAT, Centro de Formação de Profissionais da Secretaria Estadual da Educação.

A cadeira número 3 da Academia Caetiteense de Letras, em sua cidade natal, traz como patrono o grande educador.

 

Bibliografia

Dentre as sua obras, destacam-se:
  • Aspectos americanos de educação. Salvador. Tip. De São Francisco, 1928, 166 p.
  • A educação e a crise brasileira. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1956, 355 p.
  • Educação é um direito. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996, 221 p.
  • Educação e o mundo moderno. 2ª ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1977, 245 p.
  • Educação e universidade. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998, 187 p.
  • Educação no Brasil. São Paulo: Cia. Editora Nacional 1969, 385 p.
  • Educação não é privilégio. 5ª ed. Rio de Janeiro.- Editora UFRJ, 1994, 250 p.
  • Educação para a democracia: introdução à administração educacional. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997, 263 p.
  • Educação progressiva: uma introdução à filosofia da educação. 2ª ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1934, 210 p.
  • Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, s.d., 195 p.
  • Ensino superior no Brasil: análise e interpretação de sua evolução até 1969. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1989, 186 p.
  • Pequena introdução à filosofia da educação: a escola progressiva ou a transformação da escola. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1968, 150 p.
  • TEIXEIRA, Anísio e ROCHA E SILVA, Maurício. Diálogo sobre a lógica do conhecimento. São Paulo: Edart Editora, 116 p.


“Só existirá democracia no Brasil
no dia em que se montar no país
a máquina que prepara as democracias.
Essa máquina é a da escola pública”.
Anísio Teixeira.




A atual gestão da Secretaria da Educação atua pela socialização do conhecimento e pelo acesso democrático a bens culturais, tecnológicos e artísticos e tem como fonte de inspiração a vida e obra deste brasileiro missionário que buscou estabelecer a relação da Educação com o exercício cotidiano da democracia.



Fonte:  IAT - Bahia e  Wikipedia

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vygotsky e o conceito de pensamento verbal

Para Vygotsky, é o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos


Voz do pensamento. Foto: Washington University, St. Louis
Vygotsky com a filha, Gita, em 1932.

Ele realizou experimentos com crianças para entender qual a função da união entre a linguagem e o pensamento e sua relação com a evolução

Um dos grandes saltos evolutivos do homem em relação aos outros animais se deu quando ele adquiriu a linguagem, ou seja, quando aprendeu a verbalizar seus pensamentos (leia o trecho de livro na página seguinte). É por meio das palavras que o ser humano pensa. A generalização e a abstração só se dão pela linguagem e com base nelas melhor compreendemos e organizamos o mundo à nossa volta. Um dos maiores estudiosos sobre essa habilidade humana foi o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), que em meados dos anos 1920 criou o conceito de pensamento verbal (leia um resumo do conceito na última página).

Vygotsky dedicou anos de estudo para compreender as relações entre o pensamento e a linguagem - e esse foi um dos maiores acertos de seu trabalho. Até então, os estudos sobre o tema buscavam dissecar os dois conceitos isoladamente. De acordo com João Batista Martins, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), entender o desenvolvimento humano desmontando as partes que o constituem é errado.

"Vygotsky reconhecia a independência dos elementos, mas afirmava que o caminho era compreender como um se comporta em relação ao outro, como eles interagem em suas fases iniciais", explica.

Para compreender essas relações, Vygotsky buscou analisar o desenvolvimento da criança. De acordo com ele, mesmo antes de dominar a linguagem, ela demonstra capacidade de resolver problemas práticos, de utilizar instrumentos e meios para atingir objetivos. É o que o pesquisador chamou de fase pré-verbal do pensamento. Ela é capaz, por exemplo, de dar a volta no sofá para pegar um brinquedo que caiu atrás dele e que não está à vista. Esse conhecimento prático independe da linguagem e é considerado uma inteligência primária, também encontrada em primatas como o macaco-prego, que usa varetas para cutucar árvores à procura de mel e larvas de insetos.

Embora não domine a linguagem como um sistema simbólico, os pequenos também utilizam manifestações verbais. O choro e o riso têm a função de alívio emocional, mas também servem como meio de contato social e de comunicação. É o que Vygotsky chamou de fase pré-intelectual da linguagem. Essas fases podem ser associadas ao período sensório-motor descrito pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), no qual a ação da criança no mundo é feita por meio de sensações e movimentos, sem a mediação de representações simbólicas. "É a fase na qual a criança depende de sentidos como a visão para atuar no mundo e se manifesta exclusivamente por meio de sons e gestos, ligados à inteligência prática", diz Martins.

Por volta dos 2 anos de idade, o percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e o cérebro começa a funcionar de uma nova forma. A fala torna-se intelectual, com função simbólica, generalizante, e o pensamento torna-se verbal, mediado por conceitos relacionados à linguagem.



O significado das palavras une pensamento e linguagem


No livro Vygotsky - Aprendizado e Desenvolvimento, um Processo Sócio-Histórico, Marta Kohl, professora da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o significado das palavras tem papel central: é nele que pensamento e linguagem se unem. Para Vygotsky, os significados apresentam dois componentes: o primeiro diz respeito à acepção propriamente dita, capaz de fornecer os conceitos e as formas de organização básicas. Por exemplo, a palavra cachorro: ela denomina um tipo específico de animal do mundo real. Mesmo que as experiências e a compreensão das pessoas sobre determinado elemento sejam distintos, de imediato o conceito de cachorro será adequadamente entendido por qualquer pessoa de um grupo que fale o mesmo idioma.

O segundo componente é o sentido. Mais complexo, é o que a palavra representa para cada pessoa e é composto da vivência individual. Vygotsky pretendeu ir além da dimensão cognitiva e inscreve a criança em seu universo social, relacionando afetividade ao processo de construção dos significados. Desse modo, concluiu que uma pessoa traumatizada com algum episódio em que foi atacada por um cachorro, por exemplo, dará à palavra uma acepção diferente e absolutamente particular - agressão, medo, dor, raiva ou violência, por exemplo.

O sentido também está relacionado ao intercâmbio social (leia a questão de concurso na próxima página). Quando vários membros de um mesmo grupo se relacionam, eles atribuem, com base nessas relações, interpretações diferentes às palavras. É isso o que ocorre na escola. Ao começar a frequentá-la, a criança recebe a intervenção do educador, o que fará com que a transformação do significado se dê não mais apenas pela experiência vivida, mas por definições, ordenações e referências já consolidadas em sua cultura. Assim, ela não vai só aprender que a Lua é diferente de uma lâmpada - em algum momento da vivência com qualquer indivíduo mais velho -, como também acrescerá outros sentidos às palavras, entendendo que a Lua é um satélite, que gira em torno da Terra, que é diferente das estrelas e daí em diante.

"Esse é um processo que nunca acaba, que continua ocorrendo até deixarmos de existir", conclui Martins.



 
Trecho de livro


"A comunicação por meio de movimentos expressivos, observada principalmente entre animais, é mais uma efusão afetiva do que comunicação."
 
Lev Vygotsky no livro A Construção do Pensamento e da Linguagem
 

 
Comentário

O homem ganha o status de animal racional quando passa a dominar a linguagem. Animais se expressam por meio de gestos e sons, o que, para Vygotsky, não é exatamente comunicação, já que não existe a intenção explícita de se comunicar. A linguagem surge pela necessidade do ser humano de se comunicar com o outro para fortalecer o grupo e organizar o trabalho.


Resumo do conceito - Pensamento verbal


Elaborador: Lev Vygotsky (1896-1934)

É a capacidade humana de unir a linguagem ao pensamento para organizar a realidade. Para Vygotsky, o pensamento deixa de ser biológico, como o dos primatas, para se tornar histórico-social, diferenciando o homem dos outros animais. Sua principal marca é a construção dos significados das palavras. Ele surge por volta dos 2 anos de idade, quando a criança passa a dominar a fala e construir seus conceitos sobre os objetos.


Quer saber mais?

CONTATO


João Batista Martins

BIBLIOGRAFIA
A Construção do Pensamento e da Linguagem
, Lev Vygotsky, 520 págs., Ed. WMF Martins Fontes, tel. (11) 2167-9900, 71,76 reais
Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento, um Processo Sócio-Histórico, Marta Kohl de Oliveira, 112 págs., Ed. Scipione, tel. 0800-161-700, 30,90 reais
Vygotsky & a Educação, João Batista Martins, 112 págs., Ed. Autêntica, tel. (31) 3222-6819 (edição esgotada)




quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Evolução de metas poderá ser acompanhada pela sociedade, diz ministro



O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu nesta segunda-feira a aprovação, até o fim do ano, do Plano Nacional de Educação (PNE), cujo projeto de lei tramita no Congresso Nacional. O plano estabelece as diretrizes e metas para a educação brasileira nos próximos dez anos.

O projeto recebeu mais de três mil emendas, que o ministro considera redundantes. “O PNE é um plano enxuto, que permite à sociedade acompanhar o dia a dia da evolução das metas”, afirmou Haddad, em entrevista à Rádio Jovem Pan, de São Paulo.

Entre as diretrizes do PNE estão a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade do ensino, a valorização dos profissionais da educação e o estabelecimento de metas de aplicação de recursos públicos em educação proporcionalmente ao crescimento do produto interno bruto brasileiro.



Enem

Na entrevista, o ministro reafirmou a data de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 22 e 23 de outubro. Segundo ele, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) enviará os esclarecimentos sobre os custos da prova ao Tribunal de Conta da União (TCU), conforme solicitado pelo órgão.

“O TCU pediu as informações ao MEC e com razão, deu prazo de dez dias e vamos apresentar as planilhas de custo. Nós já vamos encaminhar essa semana a demonstração de que o Enem custa R$ 45 por aluno inscrito. É metade de qualquer vestibular do país”, afirmou o ministro. Haddad falou ainda sobre o piso salarial do magistério e a qualidade do ensino superior.


Ouça a entrevista do ministro Fernando Haddad à Rádio Jovem Pan






Fonte: Portal MEC

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sérgio Mamberti participa do Fórum de Políticas Culturais na Bahia

  
Tema desta edição, que acontece terça-feira (23), são os desafios da Secretaria de Políticas Culturais (SPC) no Ministério da Cultura


O Fórum de Políticas Culturais Nacionais, evento realizado pela Representação Regional do Ministério da Cultura na Bahia e pela Secretaria de Cultura do Estado, terá seu sétimo encontro no dia 23 de agosto, terça-feira, às 19h, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, com o secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Mamberti.



Sérgio Mamberti


Nesta edição o tema discutido será “Os Novos Desafios da Secretaria de Políticas Culturais no Ministério da Cultura”. A Secretaria de Políticas Culturais é responsável por coordenar e subsidiar a formulação, a implementação, o desenvolvimento e a avaliação das políticas públicas do Ministério, bem como apoiar e acompanhar outras ações relativas ao desenvolvimento das políticas culturais, no âmbito federal.

Ampliar o debate com fóruns e dirigentes de cultura dos municípios, objetivando o fortalecimento das ações e programas já existentes, repactuar estratégias e iniciar futuras parcerias, preparando o caminho para a implementação do Sistema Nacional de Cultura e do Plano Nacional de Cultura é a proposta do evento. O Fórum busca promover diálogo com gestores, produtores, estudantes, acadêmicos e agentes culturais residentes na Bahia, acerca do direcionamento das políticas do Ministério da Cultura.

Sérgio Mamberti é ator, diretor, artista plástico e produtor. Formado pela Escola de Arte Dramática, tem participado ao longo de quase 50 anos de carreira, de alguns dos mais significativos e polêmicos momentos da cena cultural brasileira. Reconhecido publicamente como ostensivo defensor da cultura nacional, colocando-se sempre à frente das mais diversas manifestações dos meios artísticos, intelectuais e políticos, durante todos esses anos. No Ministério da Cultura desde 2003, foi Secretário de Música e Artes Cênicas; Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural e; Presidente da FUNARTE (Fundação Nacional das Artes). Atualmente é Secretário de Políticas Culturais.


Serviço:

Fórum de Políticas Culturais Nacionais
Convidado: Sérgio Mamberti, secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura
Tema: “Os Novos Desafios da Secretaria de Políticas Culturais no Ministério da Cultura”
Quando: Terça-feira, 23 de agosto
Horário: 19h
Local: Sala do Coro do Teatro Castro Alves

Não há necessidade de inscrição. A participação está limitada à lotação do teatro, que tem capacidade para receber 197 pessoas.


Outras informações: (71) 7812-3931 – Camila Cerreti (RRBA-MinC)




Fonte: MINC Nordeste

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estado e municípios assinam Pacto pela Educação em Senhor do Bonfim


Crianças que estudam em escolas públicas municipais em Senhor do Bonfim e outros 32 municípios da região vão ganhar mais um aliado para uma educação de qualidade - o Pacto com os Municípios, focado no programa Pacto pela Educação -Todos pela Escola. O termo de compromisso foi assinado, nesta quinta-feira (11), pelo governador Jaques Wagner com os prefeitos dessas cidades, no Centro Cultural Ceciliano de Carvalho, em Senhor do Bonfim.

Desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, o Pacto tem como meta assegurar que todas as crianças de escolas públicas baianas sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. De acordo com o secretário Osvaldo Barreto, inicialmente quase 200 mil crianças serão beneficiadas com o programa.

Ele explica que o estado dará apoio por meio de distribuição dos livros e materiais pedagógicos para professores e estudantes da alfabetização de todas as escolas, além da formação dos docentes formadores e alfabetizadores.

O município tem como responsabilidade assumir a implantação dos cantinhos de leitura em sala de aula, com apoio da Secretaria da Educação. Também irá ofertar reforço escolar para os estudantes e garantir a participação dos educadores nas formações oferecidas pelo Governo do Estado. O desempenho dos alunos das escolas contempladas no Pacto será avaliado periodicamente.

“Esse programa é muito importante porque vai ajudar as prefeituras na qualificação dos profissionais que são responsáveis pela alfabetização de nossas crianças. Queremos oferecer a estes estudantes um ensino de qualidade”, afirmou o governador Jaques Wagner.

No total, 214 prefeituras já aderiram à iniciativa. A meta é contemplar todos os municípios do estado. A primeira assinatura do Pacto foi no dia 28 de julho deste ano, em Itabuna, com a adesão de 28 prefeitos da região sul da Bahia.



Ouça mais aqui:



Mais fotos:





quinta-feira, 7 de julho de 2011

Secretário Osvaldo Barreto concede entrevista para emissoras de rádio nesta quinta-feira






O Secretário da Educação do Estado da Bahia, Osvaldo Barreto, concede três entrevistas nesta quinta-feira (7/7) para cidades do interior da Bahia. A primeira vai ao ar às 7h30 na rádio Cidade (870 AM), de Juazeiro, dentro do programa Cidade Repórter. Em seguida, às 8 horas, o secretário fala para a rádio Povo (1460 AM), de Jequié, no programa Primeira Página. Já a terceira, acontece na rádio Cultura (820 AM) do município de Utinga, às 12h40, no programa A Voz do Povo. Na pauta, a divulgação do resultado final do concurso para professor e o pacto que a Secretaria da Educação está firmando com os municípios.
O Governo do Estado divulgou, na edição do Diário Oficial (DOE) da última terça-feira (28), o resultado final e homologação do concurso público para professor da rede estadual de ensino. O resultado traz a relação de 5.003 mil candidatos classificados e vai preencher 3,2 mil vagas para o cargo de Professor Padrão P – Grau I – do Estado. Os candidatos que foram aprovados serão chamados, por meio de Edital de Convocação e de acordo com a classificação final por Direc, Pólo e Disciplina.
Pacto – A Secretaria da Educação está firmando um Pacto com os municípios baianos para garantir a alfabetização das crianças até os oito anos de idade. Mais de 200 municípios já confirmaram a adesão ao Pacto que, dentre as ações, vai promover a formação para professores e a distribuição de material didático a todos os professores e estudantes dos municípios parceiros. O Pacto com os Municípios é uma das ações do Programa Todos pela Escola, que estabelece 10 compromissos de intervenção direta nas escolas estaduais para garantir aos estudantes o direito de aprender.



Fonte: Secretaria de Educação da Bahia

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Émile Durkheim, o criador da sociologia da educação

 

 

Para o sociólogo francês, a principal função do professor é formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social

Márcio Ferrari

Em cada aluno há dois seres inseparáveis, porém distintos. Um deles seria o que o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) chamou de individual. Tal porção do sujeito – o jovem bruto –, segundo ele, é formada pelos estados mentais de cada pessoa. O desenvolvimento dessa metade do homem foi a principal função da educação até o século 19. Principalmente por meio da psicologia, entendida então como a ciência do indivíduo, os professores tentavam construir nos estudantes os valores e a moral. A caracterização do segundo ser foi o que deu projeção a Durkheim. "Ele ampliou o foco conhecido até então, considerando e estimulando também o que concebeu como o outro lado dos alunos, algo formado por um sistema de idéias que exprimem, dentro das pessoas, a sociedade de que fazem parte", explica Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas.

Dessa forma, Durkheim acreditava que a sociedade seria mais beneficiada pelo processo educativo. Para ele, "a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta". E quanto mais eficiente for o processo, melhor será o desenvolvimento da comunidade em que a escola esteja inserida.

Nessa concepção durkheimiana – também chamada de funcionalista –, as consciências individuais são formadas pela sociedade. Ela é oposta ao idealismo, de acordo com o qual a sociedade é moldada pelo "espírito" ou pela consciência humana. "A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios – sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento – que baliza a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela", escreveu Durkheim.

Essa teoria, além de caracterizar a educação como um bem social, a relacionou pela primeira vez às normas sociais e à cultura local, diminuindo o valor que as capacidades individuais têm na constituição de um desenvolvimento coletivo. "Todo o passado da humanidade contribuiu para fazer o conjunto de máximas que dirigem os diferentes modelos de educação, cada uma com as características que lhe são próprias. As sociedades cristãs da Idade Média, por exemplo, não teriam sobrevivido se tivessem dado ao pensamento racional o lugar que lhe é dado atualmente", exemplificou o pensador.

Ensino público e laico

Durkheim não desenvolveu métodos pedagógicos, mas suas idéias ajudaram a compreender o significado social do trabalho do professor, tirando a educação escolar da perspectiva individualista, sempre limitada pelo psicologismo idealista – influenciado pelas escolas filosóficas alemãs de Kant (1724-1804) e Hegel (1770-1831). "Segundo Durkheim, o papel da ação educativa é formar um cidadão que tomará parte do espaço público, não somente o desenvolvimento individual do aluno", explica José Sérgio Fonseca de Carvalho, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Nas palavras de Durkheim, "a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto". Tais exigências, com forte influência no processo de ensino, estão relacionadas à religião, às normas e sanções, à ação política, ao grau de desenvolvimento das ciências e até mesmo ao estado de progresso da indústria local.

Se a educação for desligada das causas históricas, ela se tornará apenas exercício da vontade e do desenvolvimento individual, o que para ele era incompreensível: "Como é que o indivíduo pode pretender reconstruir, por meio do único esforço da sua reflexão privada, o que não é obra do pensamento individual?" E ele mesmo respondeu: "O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. E não poderá sabê-lo sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá representada". Por tudo isso, Durkheim é também considerado um dos mentores dos ideais republicanos de uma educação pública, monopolizada pelo Estado e laica, liberta da influência do clero romano.

Autoridade do professor

Durkheim sugeria que a ação educativa funcionasse de forma normativa. A criança estaria pronta para assimilar conhecimentos – e o professor bem preparado, dominando as circunstâncias. "A criança deve exercitar-se a reconhecer [a autoridade] na palavra do educador e a submeter-se ao seu ascendente; é por meio dessa condição que saberá, mais tarde, encontrá-la na sua consciência e aí se conformar a ela", propôs ele. "Em Durkheim, a autonomia da vontade só existe como obediência consentida", diz Heloísa Fernandes, da Faculdade de Ciências Sociais da USP. O sociólogo francês foi criticado por Jean Piaget (1896-1980) e Pierre Bourdieu (1930-2002), defensores da idéia de que a criança determina seus juízos e relações apenas com estímulos de seus educadores, sem que estes exerçam, necessariamente, força autoritária sobre ela.

A elaboração, adoção e socialização dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)foi uma grande conquista para a educação brasileira. Houve padronização na indicação dos conteúdos curriculares e uma clara demonstração do que o governo espera dos jovens que deixarão os bancos escolares nos próximos anos. Para o professor Dermeval Saviani, da Unicamp, esse fato tem certa relação com as concepções de Durkheim. "Os currículos são sugeridos para todos. Esses documentos mostram as necessidades da sociedade. Agora, cabe aos estabelecimentos de ensino pegar essas indicações e moldá-las aos estudantes", explica. "A idéia de fundo é colocar as pessoas certas nos lugares certos, onde a comunidade precisa", diz.

Biografia

Émile Durkheim nasceu em 1858, em Épinal, no noroeste da França, próximo à fronteira com a Alemanha. Era filho de judeus e optou por não seguir o caminho do rabinato, como era costume na sua família. Mais tarde declarou-se agnóstico. Depois de formar-se, lecionou pedagogia e ciências sociais na Faculdade de Letras de Bordeaux, de 1887 a 1902. A cátedra de ciências sociais foi a primeira em uma universidade francesa e foi concedida justamente àquele que criaria a Escola Sociológica Francesa. Seus alunos eram, sobretudo, professores do ensino primário. Durkheim não repartiu o seu tempo nem o pensamento entre duas atividades distintas por mero acaso. Abordou a educação como um fato social. "Estou convicto de que não há método mais apropriado para pôr em evidência a verdadeira natureza da educação", declarou. A partir de 1902, foi auxiliar de Ferdinand Buisson na cadeira de ciência da educação na Sorbonne e o sucedeu em 1906. Estava plenamente preparado para o posto, pois não parara de dedicar-se aos problemas do ensino. Dentro da educação moral, psicologia da criança ou história das doutrinas pedagógicas, não há campos que ele não tenha explorado. Suas obras mais famosas são A Divisão do Trabalho Social e O Suicídio. Morreu em 1917, supostamente pela tristeza de ter perdido o filho na Primeira Guerra Mundial, no ano anterior.

Tempo de mudanças

A segunda metade do século 19 marca o nascimento de algumas ciências humanas, como antropologia, sociologia, psicanálise e lingüística. Charles Darwin (1809-1882), Karl Marx (1818-1883) e Sigmund Freud (1856-1939), para citar apenas alguns clássicos, estavam formulando as idéias que reorientariam o pensamento mundial mais tarde, assim como fez Durkheim no campo da sociologia. A França vivia um período de conflitos – parte da região da Lorena, onde Durkheim nasceu, foi tomada pela Alemanha em 1871, o que levou à guerra entre os dois países. Nesse mesmo ano, foi proclamada a Terceira República Francesa, que implantou medidas políticas inovadoras, como a instituição da lei do divórcio. Na educação, devido também à influência das concepções de Durkheim, a Terceira República trouxe a obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino religioso nas escolas públicas, ideais que até hoje estão entre os pilares educacionais naquele país. Tais transformações foram fundamentais para a preocupação de Durkheim com a formação de professores para a nova escola laica republicana. Ele viveu também no período da chamada Segunda Revolução Industrial, quando o motor de combustão interna, o dínamo, a eletricidade, o telégrafo e o petróleo tomaram a atenção do mundo todo. Morreu durante a Primeira Guerra Mundial, no ano da Revolução Russa.



Para pensar

Durkheim dizia que a criança, ao nascer, trazia consigo só a sua natureza de indivíduo. "A sociedade encontra-se, a cada nova geração, na presença de uma tábua rasa sobre a qual é necessário construir novamente", escreveu. Os professores, como parte responsável pelo desenvolvimento dos indivíduos, têm um papel determinante e delicado. Devem transmitir os conhecimentos adquiridos, com cuidado para não tirar a autonomia de pensamento dos jovens. A proposta de Durkheim levará o aluno a avançar sozinho? Esse modelo de formação externa contraria a independência nos estudos? Ou será uma condição para que a educação cumpra seu papel social e político?



Quer saber mais?

A Evolução Pedagógica, Émile Durkheim, 325 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444 (edição esgotada)
Durkheim, José Albertino Rodrigues (org.), 208 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 27,50 reais
Educação e Sociologia, Émile Durkheim, 132 págs., Edições 70, tel. (11) 3107-0017 (Livraria Portugal, importadora), 47 reais
Sintoma Social Dominante e Moralização Infantil, Heloísa Rodrigues Fernandes, 219 págs., Edusp e Ed. Escuta, tel. (11) 3865-8950, 33,70 reais 



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens populares