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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

FAMÍLIAS APOSTAM EM MÉTODOS DE ENSINO LONGE DAS SALAS DE AULA



A prática é uma ruptura com o modelo tradicional de ensino e pode acontecer 
tanto em casa quanto em espaços alternativos


Fonte: Correio da Bahia (BA)





Pietro, de 5 anos, ficou fascinado com os filhotes da gata de estimação. “Mamãe, como os bichinhos nascem?” foi a deixa para a enfermeira Larissa Moris, 34 anos, de Feira de Santana, buscar explicações na internet para o filho. “Se ele quer comer um bolo, a gente treina matemática, medidas, a diferença de peso entre a farinha e o açúcar...”.

Tratar o aprendizado com naturalidade faz parte do processo de desescolarização adotado para Pietro neste ano e que, segundo dados da Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned), pode ser realidade para mais de mil famílias no Brasil. A prática é uma ruptura com o modelo tradicional de ensino e pode acontecer tanto em casa quanto em espaços alternativos.

Larissa resistiu em tirar o filho da escola. Só decidiu depois do rótulo de hiperativo que o menino recebeu das professoras. Além disso, Pietro se sentia excluído.

“Não vou dizer que nunca vou botar meu filho na escola. Vou deixar ele escolher. Quando perguntei se não ia se despedir dos amigos, ele disse que não, porque era agredido”, relata.

Com a mudança, colocou em casa um quadro negro e montou uma pequena biblioteca. Parou de trabalhar para educar Pietro. Sem a escola, reduziu os custos do menino em 50%. Para que ele tenha contato com outras crianças, frequenta praças e igrejas.

Em casa ou no colégio, Fábio Schebella, pesquisador e ex-diretor pedagógico da Aned, acha importante pensar no conteúdo ensinado. “É necessário ter cautela e equilibrar o interesse do aluno com suas necessidades. Focar apenas nos desejos pode gerar um déficit no desenvolvimento de conhecimentos essenciais”.

No mês que vem, o Ministério da Educação deve receber uma pesquisa sobre os resultados e impactos do ensino domiciliar em outros países. A ideia é regulamentar a prática que muda a rotina dos pais e questiona a educação formal.

Singular
A escola saiu da vida do paulista Gutto Thomaz quando ele fez 14 anos. Hoje, aos 19, é mágico. A decisão foi tomada junto com a mãe, Ana Thomaz, 45 anos.
Gutto achava desinteressante o modelo de educação formal e Ana, que é educadora, desenvolveu um método específico para o filho. “Você só aprende uma coisa se tiver um desejo genuíno e pessoas dispostas a compartilhar experiências”, garante.

Em casa, Gutto teve aulas de música, artes plásticas, aikido e filosofia, com diferentes professores. Assim, conheceu a mágica. Participou de congressos internacionais e conta que aprendeu mais nas viagens do que na escola.
A psicopedagoga Iris Sá não nega os problemas do ensino formal, mas não vê a opção domiciliar como solução. Ela acredita que o ideal é que os colégios mudem o formato. Como exemplo, cita a Escola da Ponte, em Portugal. “Lá, a criança tem um monitor e tira dúvidas com ele. É autodidata, tem computador, livros, tudo sem sala de aula”.

Gutto não fez amigos no colégio quando era estudante e evita comparar seu conhecimento com os colegas que estavam em sala de aula. “O método de desescolarização é único e diferente para cada um. Esse tipo de comparação só é possível na escola, onde o aprendizado é padronizado”.

Coletivo
A história de Ana e Gutto conseguiu inspirar outros pais. Aqui na Bahia, foi o exemplo decisivo para que o casal Igor Sant’Anna, 33 anos, e Carla de Miranda, 26 anos, tirassem o filho Luan, de 3 anos, da escola. “A educação se faz no dia a dia. Hoje eu acordei e Luan estava com cinco livrinhos na mão porque gosta que a gente leia para ele. Não precisamos tratar o aprendizado dele com ansiedade”, avalia Carla.

Igor é doutorando em Educação e Carla é parteira. Os dois também trabalham como palhaços da Companhia Pé na Terra. Eles conheceram Ana por intermédio de uma amiga. Na época, a educadora vinha à Bahia palestrar em Piracanga, comunidade a 30 minutos de Itacaré (397 km de Salvador) onde a educação acontece de forma livre e experimental.

Na comunidade, a uruguaia Ivana Jauregui, 33 anos, fundou a Escola Livre Inkiri, que funciona há cinco anos. A ideia nasceu com o primeiro filho, quando tinha 20 anos. Ela viajou pelo mundo em busca de um método de educação livre. “Tinha o desejo de ver as crianças mais autônomas”.

Em Piracanga, viu o desejo tomar forma na Inkiri. A escola tem vários espaços para crianças e jovens: marcenaria, cozinha, sala de leitura. Apesar de livre, tem disciplina: as crianças devem respeitar o próximo, guardar os objetos depois de usar e só correr na área externa.

Ivana entende que cada criança aprende a partir de uma curiosidade natural. “Na escola, o aprendizado está enxugado e limitado dentro de uma casinha, com um professor, um quadro e colegas com folhas em branco para responder. Mas a gente não aprende só quatro horas. Aprende o tempo inteiro. Como fica o resto do dia?”, provoca.

Novos espaços
Depois de quatro meses em Piracanga e um estágio na Escola da Ponte, o educador e psicólogo André Garcez fez parceria com a comunidade urbana Casa do Sol Dourado, em Patamares, e criou o Quintal das Crianças, espaço educativo que ainda não é escola.

“Mas temos essa missão de fundar uma escola livre, legalizada. Piracanga está legalizando agora porque foi para o mundo, mas outras escolas também buscam fazer isso”, ressalta Garcez.

Segundo André, a educação que ele e Ivana aplicam pretende mudar os paradigmas da educação formal. Abandonar as expectativas e julgamentos, pilares de boa parte dos métodos escolares tradicionais, e permitir que a criança construa o conhecimento a seu próprio ritmo.

Ercília de Paula, doutora em Educação, não é contra o ensino em diferentes espaços, desde que seja uma necessidade do aluno, como nos casos de crianças hospitalizadas. Mas acredita que eles não substituem o ambiente escolar. Segundo ela, enquanto na escola há convívio com a diferença, fora dela os pais determinam os amigos dos filhos.

Para Ivana, a Inkiri é uma inspiração. “Assim como a gente está se inspirando na Inkiri, eles se inspiraram na Escola da Ponte, em Portugal. Então, não nasceu do nada. Nasceu com uma base e a partir dela eles criaram uma própria forma, que é o que a gente está fazendo aqui”, afirma André Garcez.

Estudo sobre ensino domiciliar vai para o MEC
Uma decisão radical: tirar da escola o filho que cursava a 8ª série, por não confiar nas aulas sobre sexualidade. Esta foi uma das histórias descobertas por Edison Prado durante as pesquisas da sua tese de doutorado em Educação, pela Universidade de São Paulo (USP).

Não há estimativas precisas sobre o número de famílias que adotaram o ensino domiciliar - quando os pais decidem que os filhos serão educados em casa. A Aned estima que cerca de mil famílias adotam essa modalidade, mas a maioria mantém sigilo, por medo de restrições legais. “Existem vários modelos e métodos, cada família acaba decidindo qual o melhor”, afirma Ricardo Iene, consultor de Relações Públicas da Aned.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), é obrigatória a matrícula de crianças na educação básica a partir dos 4 anos. Não fazer isso pode caracterizar abandono intelectual. “Os responsáveis podem sofrer multa civil e receber ordem para matricular. Nos casos mais extremos, até perder o poder familiar (a guarda e os direitos sobre a criança)”, explica Prado. Contudo, ele encontrou jurisprudências que reconhecem o direito dos pais educarem os filhos em casa - já que isso não seria um abandono intelectual.

Lei Tramita no Congresso Nacional, desde o ano passado, o Projeto de Lei 3179/12, do deputado Lincoln Portela (PR-MG). Ele propõe legalizar o ensino domiciliar. O ministro da Educação, Aloísio Mercadante, pediu um estudo sobre a aplicação do modelo em outros países, que deve ser entregue em setembro. Até lá, o deputado prefere manter o conteúdo da pesquisa em sigilo.

O próprio Lincoln foi alfabetizado em casa pela avó e só foi à escola aos 7 anos. “Desde que iniciamos a tramitação do projeto, recebemos milhares de e-mails de apoio”, revela o deputado. Atualmente, segundo dados da Aned, 63 países consideram o ensino domiciliar legal. 










segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O desafio da dislexia



Especialista lembra que transtorno não é doença e por isso não pode ser curada

Jornal Bem Paraná (PR)




No Brasil para uma série de cursos e palestras, Educador português autor da Bateria Bacle, um dos mais conceituados testes de avaliação de pré-competências de leitura e escrita em crianças, explica que o transtorno não é doença, “portanto não há cura” Dificuldade de leitura, escrita, interpretações de textos – e cálculo aritmético. Estes são os sintomas mais comuns de um distúrbio de aprendizagem conhecido como dislexia e que é apresentado já na pré- escola. “O disléxico mostra dificuldade em aprender a ler e a escrever, em manipular as letras dentro de uma palavra e, consequentemente, em compreender um texto quando estiver lendo”, explica a fonoaudióloga e especialista em psicopedagogia Maria Ângela Nico, coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

Quando o portador do problema chega à adolescência, poderá apresentar dificuldades em aprender uma segunda língua, muitas vezes em compreender o enunciado de um problema de matemática, química ou física.



Disléxicos famosos

O artista Vince Low em parceria com a Associação de Dislexia da Malásia, criou uma série de anúncios usando imagens de famosos disléxicos. A técnica do rabisco escolhida pelo artista é proposital. Sua intenção é mostrar como pessoas disléxicas podem transformar um rabisco em algo grandioso, afinal de contas pessoas portadoras de dislexia são conhecidas por ter um aguçado senso artístico e capacidade de resolução de problemas, conta o artista, também disléxico. Entre os gênios retratados estão Jonh Lennon. Eisnten e Picasso, todos disléxicos. Mas há muitos outros profissionais de sucesso com o transtorno. O ator Tom Cruise é um deles.

O chef Jamie Olivier, por exemplo, só conseguiu ler um livro inteiro aos 38 anos por causa da dislexia. ficuldades para o cálculo aritmético”, expõe o neurocientista português Rafael Silva Pereira, doutor em Neuropsicologia da Dislexia pela Universidade de Extremadura, diretor pedagógico da Associação Ester Janz e Professor da cadeira de Dificuldades Especí- ficas de Aprendizagem no Mestrado em Educação Especial na Escola Superior de Educação Almeida Garrett (Portugal). Rafael Pereira é autor da Bateria Bacle, um dos mais conceituados testes de avalia- ção de pré-competências de leitura e escrita em crianças do Pré-Escolar a iniciar o 1.º ano de Escolaridade ou com dificuldades de aprendizagem.

Ele está no Brasil para uma série de cursos com base em “avaliação e intervenção da dislexia”. Explica que a avaliação do problema necessita ser multiprofissional, com uma equipe especializada, envolvendo fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos, neuropediatras e psiquiatras. “Associado à dislexia, algumas crianças e jovens também podem apresentar déficit de atenção, hiperatividade, impulsividade, agressividade, depressão, transtorno de ansiedade, bipolaridade e enurese”, diz.



Genética e hereditária

Segundo Maria Ângela Nico, a dislexia é um transtorno com causas variadas, como pais com dificuldades pregressas na vida Escolar; casos semelhantes nos familiares como avós, tios, primos; presença de genes potencialmente responsáveis pelo quadro; ou uma arquitetura diferente do tecido cerebral nos indivíduos disléxicos que não é encontrada nos não disléxicos. “Só podemos falar em dislexia a partir do processo de Alfabetização, mas como ela é genética e hereditária, a partir dos cinco anos de idade já é possível realizar a avaliação com uma equipe multidisciplinar especializada e essa criança com dislexia será encaminhada para uma intervenção com uma fonoaudióloga”, diz. “Depois que ela passar pelo processo de Alfabetização, será necessária uma re-avaliação para confirmar ou não o quadro”. Para o Professor Rafael Pereira, por não ser uma doença, “não há cura”.

A complexidade do distúrbio exige uma intervenção rápida. “Deverá ser realizada por uma fonoaudióloga, e ou uma psicopedagoga e se a auto-estima estiver bem rebaixada um psicólogo deverá atuar também”, conta Maria Ângela Nico. Segundo a especialista, o problema é descoberto na maior parte das vezes quando o processo de Alfabetização se inicia.

O tratamento objetiva a aprendizagem do disléxico frente às dificuldades que encontrará, de modo que consiga lidar com elas. “Quando os pais perceberem algum sinal ou sintoma nos filhos, devem conversar com a coordenadora da Escola em que a criança está frequentando, que deverá encaminhá-la para uma avaliação”, explica o Educador Rafael Pereira. “Se confirmada a dislexia, a intervenção deverá ser realizada o mais rápido possível”.



Os sinais da dislexia

-Enorme lentidão ao fazer seus deveres. Ou, ao contrário, seus deveres podem ser feitos rapidamente e com muitos erros;

-Inventa, acrescenta ou omite palavras ao ler e ao escrever;

-Só faz leitura silenciosa;

-Sua letra pode ser mal grafada e, até, ininteligível; pode borrar ou ligar as palavras entre si;

-Esquece aquilo que aprendera muito bem, em poucas horas, dias ou semanas;

-Tem grande imaginação e criatividade;

-Desliga-se facilmente, entrando "no mundo da lua";

-Baixa autoimagem e autoestima; não gosta de ir para a Escola;

-Esquiva-se de ler, especialmente em voz alta;

-Perde-se facilmente no espaço e no tempo; sempre perde e esquece seus pertences;

-Tem mudanças bruscas de humor;

-É impulsivo e interrompe os demais para falar;

-Tem dificuldades visuais, embora um exame não revele problemas com seus olhos;

-Confunde direito-esquerda, em cima em baixo; na frente-atrás;

-Tem excelente memória de longo prazo, lembrando experiências, filmes, lugares e faces;

-Boa memória longa, mas pobre memória imediata, curta e de médio prazo;

-Dificuldades para andar de bicicleta, para abotoar, para amarrar o cordão dos sapatos;

-Com muito barulho, o disléxico se sente confuso, desliga e age como se estivesse distraído;

-Cerca de 80% dos disléxicos têm dificuldades em soletração e em leitura.









segunda-feira, 5 de agosto de 2013

SOBRA ACESSO À INTERNET E FALTA INFORMAÇÃO

                    Sem professor, não adianta!



Maioria das crianças acessa internet no ambiente escolar, mas só metade dos professores orienta


A internet está cada vez mais presente no cotidiano de meninos e meninas entre 9 e 16 anos. É o que revela a pesquisa TIC Kids Online Brasil, divulgada recentemente pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

No total, foram realizadas 1.580 entrevistas com crianças e adolescentes de 9 a 16 anos usuários de internet e o mesmo número de pais ou responsáveis. A pesquisa mostra também que a maioria acessa a internet da Escola e usa a web para trabalhos Escolares. Em contrapartida, no entanto, quase metade dos Professores não orienta os Alunos sobre o uso da internet.

Os resultados da pesquisa revelam que 47% dos adolescentes usam a internet todos os dias ou quase todos os dias a partir da Escola (42%), do domicílio (40%), da lanhouse (35%) e do celular (18%). Entre as atividades mais realizadas na internet, as mais mencionadas são: fazer trabalho Escolar (82%), visitar perfil em rede social (68%) e assistir a vídeos (66%).

No Brasil, o uso da Internet para trabalho Escolar, o mais referido, é, contudo, uma prá- tica esporádica: 49% realizam-na uma ou duas vezes por semana, e 38%, uma ou duas vezes por mês. No outro extremo, as redes sociais e a troca de mensagens são práticas di- árias para mais de metade dos respondentes (53%). Mais de um terço menciona usos da Internet associados a jogos, música e comunicação (postar mensagens, enviar correio eletrônico).

A procura do contato e o recurso à rede como meio de consumo são assim as práticas mais frequentes entre crianças e adolescentes brasileiros, e as atividades relacionadas com aprendizagens Escolares aparecem em posição secundária, numa separação de esferas. No Brasil, o uso frequente está em 47%. Enquanto 66% das classes AB acessam todos os dias ou quase, isso acontece em menos da metade da classe C (45%), e em apenas 17% das classes DE. Destas, perto de um terço (31%) declara acessar uma ou duas vezes por mês, ou menos do que isso.

A pesquisa também quis saber da criança ou do adolescente se o Professor já deu orientação sobre o uso da Internet: 51% disseram que sim, que o Professor explicou por que alguns sites são bons e outros ruins; 46% identificaram que o Professor conversou diretamente sobre o que ele(a) faz na Internet; 44% disseram que o Professor sugeriu formas de usar a Internet com segurança; 10% apontaram que tiveram ajuda do Professor quando alguma coisa o(a) estava chateando ou incomodando.

De certa maneira, pouco mais da metade (51%) das crianças e jovens percebem que estão tendo algum tipo de orientação e/ou ajuda de seus Professores, o que pode ser uma boa noticia. Por outro lado, quase a metade não apontou nenhuma participação do Professor em questões dessa natureza.




Pais estão tranquilos demais

Questionados se consideram que seus filhos utilizam a Internet com segurança, 71 disseram dos pais que sim, consideram que seus filhos usam com segurança, enquanto 30% consideram que não (22%), ou não sabem (8%). Se a grande maioria dos pais não está alarmada, mas confiante sobre a segurança dos filhos na Internet, percebe-se que o fato de 30% acreditarem que não sabem, ou que os filhos não estão em segurança, é um problema que merece atenção especial dos pais e Educadores e abre brechas para problemas. 








quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CONFERÊNCIA ESCOLAR INFANTOJUVENIL PARA O MEIO AMBIENTE MOVIMENTA REDE ESTADUAL



A rede estadual de Educação está mobilizada para realizar as etapas que precedem a IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em novembro. Até 31 de agosto, unidades escolares, na capital e no interior, com pelo menos uma turma do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, promoverão sua Conferência Escolar Infantojuvenil para o Meio Ambiente. Amanhã, sábado (3), será a vez do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici, no Stiep, em Salvador.

Estudantes, professores e a comunidade do entorno da escola estarão reunidos, das 8 às 17h, para discutir sugestões dos alunos, selecionar a proposta a ser desenvolvida e escrever, coletivamente, o projeto de ação que será apresentada nas etapas regional e estadual da conferência. A programação da atividade ainda prevê a palestra ‘Meio ambiente, sustentabilidade e desafios escolares’, ministrada pela professora da Universidade Federal da Bahia, Roseleia Oliveira de Almeida.

A expectativa da professora, umas das articuladoras da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA) da escola, é que cerca de 150 pessoas participem da Conferência Escolar. “Além de três representantes de cada turma, também convidamos alguns pais e representantes da Associação de Moradores do bairro”.


Conferências


Antes de chegar à IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, é preciso cumprir algumas etapas. Após as conferências escolares, nas quais serão apresentados e elaborados os projetos de ação, alguns municípios realizarão suas conferências municipais. Em seguida, acontecerão as conferências regionais, onde serão escolhidos os projetos que representarão a regional, no período de 16 a 18 de outubro, na etapa estadual. 










Fonte: SECOM - BA

sexta-feira, 26 de julho de 2013

PROJETO DE LEI A FAVOR DO ENSINO DOMICILIAR TEM OPOSIÇÃO DO MEC

      São cerca de 800 famílias adeptas do ensino em casa no país



A rotina de estudos começa cedo para os irmãos Rafael, de 6 anos, e Gabriela, de 10. A dupla mal acorda e já está em aula, às 8h, aprendendo lições de disciplinas como Português, História e Geografia. Na parte da tarde, Gabriela se concentra em aulas de música, enquanto o caçula prefere praticar seu traço com desenhos. A rotina descrita poderia se passar numa escola, mas acontece no apartamento em Jacarepaguá onde moram as crianças, que estão sendo educadas pelos pais, Flávia e Tom Beck. Rafael e Gabriela não estão matriculadas num colégio.

— Achamos que essa forma de ensino é mais eficaz que uma escola, e trabalhamos a autoestima deles. Que colégios oferecem um psicólogo apenas para isso? — argumenta o pai, Tom, filósofo e professor de português e inglês.

Eles não estão sozinhos, mas são uma minoria. De acordo com a Associação Nacional de Ensino Domiciliar (Aned), há 800 famílias no país declaradamente adeptas de uma forma de ensino não regulamentada no Brasil. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), é dever dos pais ou responsáveis matricular na escola os filhos com idades entre 4 e 17 anos. Em alguns países, porém, a prática é reconhecida. Nos EUA, por exemplo, estima-se em 2 milhões o número de famílias adeptas do homeschooling.

Em 12 de junho último, entusiastas da educação caseira foram a uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde tramita o Projeto de Lei 3179/12, que propõe a inclusão da educação familiar na LDB. A grande maioria dos pais adeptos do ensino doméstico alegam razões religiosas para não matricular seus filhos em escolas. O próprio autor do projeto de lei, Lincoln Portela (PR-MG), é um dos líderes da bancada evangélica na Câmara. Mas a ideia está distante de atrair um consenso.

Enquanto especialistas em educação se dividem sobre o tema, o próprio Ministério da Educação se posiciona contra. “A proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a LDB e a própria Constituição Federal. O entendimento do parecer é de que a família não deve privar seus filhos do convívio escolar, sendo que cabe obrigatoriamente ao Estado o dever de assegurar a educação escolar das crianças e adolescentes”, alegou o MEC em nota ao GLOBO.

— Quem pratica o homeschoolling afirma que uma das razões para educar os filhos em casa é a baixa qualidade do ensino no Brasil. Mas se a qualidade é baixa, devemos melhorar a escola, e não abandoná-la. Além disso, a criança não cria espírito coletivo. Desenvolve-se um individualismo exacerbado — critica o professor Carlos Alberto Cury, da Faculdade de Educação da PUC-MG.

Pelo texto do projeto de lei, só seria possível regulamentar a prática se observadas “articulação, supervisão e avaliação periódica da aprendizagem pelos órgãos próprios desses sistemas, nos termos das diretrizes gerais estabelecidas pela União e das respectivas normas locais”.

Para aulas do ensino básico, a família Beck diz que segue o modelo curricular do MEC e compra material escolar recomendado no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD). Como se ambos cursassem o ensino fundamental, Rafael lê obras referentes à 1º série, enquanto que Gabriela estuda em material pedagógico do 5º ano.

Flávia sabe que vai precisar de auxílio quando os filhos chegarem ao currículo do ensino médio. Professores particulares são uma opção, mas o casal espera contar também com o intercâmbio existente entre pais adeptos da mesma prática. Se numa casa, a mãe é formada em Ciências Humanas e pode dar aulas de História, por exemplo, e, em outro, o pai tem diploma na área de Ciências Exatas, essas duas famílias ensinam conjuntamente seus filhos.

— Queremos que eles façam faculdade, que tenham uma carreira. Apenas achamos que as escolas aqui são fracas — comenta Flávia, que é escritora de livros infantis. — Quando chegar a hora, vamos orientar nossos filhos a se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Assim, eles poderão obter o certificado de conclusão do Ensino Médio.

O artigo 246 do Código Penal define como abandono intelectual “deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar”. Mas, de acordo com o advogado Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned, quem educa seus filhos em casa não está, “de maneira alguma”, cometendo uma infração.

— O que está na lei é deixar de instruir o filho na idade obrigatória, mas não cita a escola. Não há risco de ser punido criminalmente. O Código Penal não se refere à escola, mas, sim, à instrução — interpreta Magno.

Em Minas, casal foi condenado a pagar multa
Não foi este, porém, o entendimento da Vara de Infância de Juventude do município mineiro de Timóteo. Em 2010, após denúncia do Conselho Tutelar local, o órgão condenou Cléber e Bernadeth Nunes a pagar uma multa hoje estimada em R$ 9 mil. Esta foi a primeira condenação desse tipo no país, segundo a Aned.

Habituados desde pequenos a estudar, principalmente, o conteúdo pelo qual nutriam interesse, os irmãos Jônatas e David Nunes, hoje com 19 e 20 anos respectivamente, foram, na época, obrigados a prestar uma bateria de oito exames teóricos. O objetivo era comprovar, ou não, o abandono intelectual. Mas a dupla, que havia saído da escola ainda no ensino fundamental, foi aprovada em todos os testes.
— No final, provamos que abandono intelectual é diferente de abandono escolar. Ficamos felizes — resume o pai, Cléber Nunes.

Numa sala de aula improvisada em casa, na Ilha do Governador, Arthur de Freitas Machado Martin, de 8 anos, aprende a contar até dez. Ele é portador de necessidades especiais. Segundo a mãe, a advogada Consuelo Martin, não houve diagnóstico preciso sobre sua condição. O menino, que ainda não fala, está matriculado numa escola particular. A LDB não faz qualquer distinção sobre crianças com necessidades especiais ao deixar claro que todas devem estar na escola. Mas a advogada prefere educar o filho em casa, com direito a apoio de terapeuta a psicopedagogo, e pretende montar uma “escola informal” em casa.
— Em nenhuma escola o meu filho vai receber a atenção que tem em casa — diz Consuelo.

Pais acham ambiente escolar pobre e nocivo
Na pesquisa “Escola? Não, obrigado: um retrato da homeschooling no Brasil”, o sociólogo da UnB André de Holanda ouviu 62 pais que educam seus filhos em casa, residentes em 12 estados, de todas as regiões brasileiras. Como parte do trabalho, que compõe sua dissertação de mestrado na UFMG, Holanda entrevistou oito pais e mães para entender os motivos da adoção da educação domiciliar.

Segundo ele, as motivações religiosas e/ou morais foram manifestadas por todos entrevistados. O pesquisador destaca também que a maioria dos pais (76%) considera o ambiente de socialização escolar nocivo: todos citaram experiências negativas sofridas nas escolas da parte dos filhos ou deles mesmos.

Também aparecem as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre (53%). Holanda acrescenta que mais da metade dos pais-educadores adota algum modelo de aprendizagem na educação domiciliar, tipicamente com currículos e horários de estudo pré-estabelecidos por eles.
De acordo com a pesquisa, três em cada dez pais consideram “eclética” a abordagem pedagógica que aplicam aos filhos, o que sugere a ocorrência de experimentações e combinações de métodos e filosofias educacionais diversas. Os filhos educados em casa têm 8 anos, em média, e começaram a ser educados nessa modalidade com 6.

— As crianças de famílias que adotam a educação domiciliar desenvolvem criatividade e independência. Eles adquirem mais habilidade empreendedora — observa Holanda.
Já para o pedagogo Ruda Ricci, presidente do Instituto Cultivar, o que está por trás do debate é o dilema entre o direito individual versus o autoritarismo do Estado. Nessa dicotomia, Ricci prefere se posicionar defendendo o dever estatal de prover educação formal, pois a escola estimularia a sociabilidade e a solidariedade.

— A ideia da educação familiar parte do princípio de que você terá sucesso individualmente, coisa que não aprenderia na escola. Mas eu não vou à escola só para aprender o que vai cair no vestibular, mas também para aprender a conviver com o diferente. A escola tem uma função de sociabilidade.





Pais consideram ambiente escolar pobre e nocivo para os filhos


Na pesquisa “Escola? Não, obrigado: um retrato da homeschooling no Brasil”, o sociólogo da UnB André de Holanda ouviu 62 pais que educam seus filhos em casa, residentes em 12 estados, de todas as regiões brasileiras. Como parte do trabalho, que compõe sua dissertação de mestrado na UFMG, Holanda entrevistou oito pais e mães para entender os motivos da adoção da educação domiciliar.

Segundo ele, as motivações religiosas e/ou morais foram manifestadas por todos entrevistados. O pesquisador destaca também que a maioria dos pais (76%) considera o ambiente de socialização escolar nocivo: todos citaram experiências negativas sofridas nas escolas da parte dos filhos ou deles mesmos.

Também aparecem as motivações pedagógicas e as alegações de que o ensino regular ou o ambiente de aprendizado convencional é pobre (53%). Holanda acrescenta que mais da metade dos pais-educadores adota algum modelo de aprendizagem na educação domiciliar, tipicamente com currículos e horários de estudo pré-estabelecidos por eles.

De acordo com a pesquisa, três em cada dez pais consideram “eclética” a abordagem pedagógica que aplicam aos filhos, o que sugere a ocorrência de experimentações e combinações de métodos e filosofias educacionais diversas. Os filhos educados em casa têm 8 anos, em média, e começaram a ser educados nessa modalidade com 6.

— As crianças de famílias que adotam a educação domiciliar desenvolvem criatividade e independência. Eles adquirem mais habilidade empreendedora — observa Holanda.
Já para o pedagogo Ruda Ricci, presidente do Instituto Cultivar, o que está por trás do debate é o dilema entre o direito individual versus o autoritarismo do Estado. Nessa dicotomia, Ricci prefere se posicionar defendendo o dever estatal de prover educação formal, pois a escola estimularia a sociabilidade e a solidariedade.

— A ideia da educação familiar parte do princípio de que você terá sucesso individualmente, coisa que não aprenderia na escola. Mas eu não vou à escola só para aprender o que vai cair no vestibular, mas também para aprender a conviver com o diferente. A escola tem uma função de sociabilidade.










segunda-feira, 22 de julho de 2013

PROJETO DA EDUCAÇÃO RESGATA MEMÓRIA DA LUTA CONTRA DITADURA MILITAR




Levar ao espaço escolar a memória da resistência à ditadura militar (1964-1985) no Brasil, assegurando ao estudante do ensino médio o direito à memória e ao conhecimento desse período da história recente do país.

Este é o objetivo do projeto ‘Ditadura Militar Direito à Memória: 50 anos do golpe militar de 1964’, que a Secretaria da Educação do Estado da Bahia lança, hoje, segunda-feira (22), às 14 h, no auditório da instituição, no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.

O evento vai socializar, para o conjunto dos servidores da Secretaria, as diversas ações previstas no projeto, como palestras, projeção de filmes, mostra de vídeos produzidos pelos estudantes, bate-papo com ex-presos políticos, familiares de desaparecidos e autores baianos de livros sobre a temática. Todas as ações vão acontecer até abril de 2014.



História da resistência

Para subsidiar estudantes e docentes, o Portal da Educação já disponibiliza um conjunto de conteúdos, incluindo bibliografias especializadas, biblioteca virtual, artigos, banco de questões do Enem e de vestibulares estaduais e federais, filmes e documentários, músicas, vídeos pedagógicos e galeria de fotos do período da ditadura militar.

“A história da resistência à ditadura é um tema pouco discutido em sala de aula”, afirma a professora de história e assessora do Gabinete da Secretaria da Educação, Tânia Miranda. Segundo ela, as pesquisas revelam que é significativo o número de estudantes, tanto da rede pública como privada, que conclui o ensino médio sem ter conhecimento da história recente do Brasil, especialmente sobre a ditadura militar.

“A Secretaria da Educação do Estado decidiu construir um projeto na rede, visando chamar a atenção para a história desse período, caminhando junto com a Comissão Nacional da Verdade”, disse Tânia. No lançamento, o chefe de gabinete da secretaria, Paulo Pontes, ex-preso político, e a pedagoga e técnica do órgão, Suzana Martins, irmã de um ex-preso político, farão depoimentos.

No encerramento do evento, a antológica canção ‘Pra não dizer que não falei das flores’, de Geraldo Vandré, (também conhecida como ‘Caminhando...’ e considerada o hino de resistência da geração estudantil e dos movimentos civis que lutaram contra ditadura militar), será interpretada coletivamente.



Produção de vídeos

A ideia da Secretaria da Educação, segundo Tânia Miranda, é que estudantes e professores sejam os protagonistas das ações que serão realizadas, incluindo a produção de vídeos em sala de aula e outros espaços.

Os trabalhos também devem registrar as visitas a espaços públicos que foram utilizados como centros de prisão e tortura, além de depoimentos e entrevistas com ex-presos políticos e familiares. Os vídeos serão exibidos na mostra agendada para os dias 2, 3 e 4 de abril de 2014. 










Fonte: SECOM - BA

quarta-feira, 17 de julho de 2013

CONHEÇA AS 20 METAS DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE)





Os principais desafios da Educação para a próxima década, como o de alocar 10% do PIB na Educação

Fonte: O Globo (RJ)





Por meio de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011 e do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2013, elaborado pelo movimento Todos pela Educação, O GLOBO listou as 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e seus principais desafios para a próxima década, como o de alocar 10% do PIB na Educação e o de matricular 3,2 milhões de crianças e adolescentes que ainda estão fora da escola.


Meta 1

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.

Em 2011, 81,7% das crianças de 4 e 5 anos estavam matriculadas na Pré-Escola. Segundo dados do Pnad 2011, mais de um milhão de crianças nessa faixa etária ainda estão fora da escola. Por outro lado, das que tinham de 0 a 3 anos, apenas 22,95% frequentavam as escolas. A matrícula para esse grupo não é obrigatória.


Meta 2

Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de 6 a 14 anos.

O Ensino Fundamental teve em 2011 a taxa líquida de matrícula de 92,4% das crianças de 6 a 14 anos, fazendo com que muitos especialistas considerem que a modalidade já está universalizada. No entanto, pelos dados do Pnad 2011, 539,7 mil crianças ainda não frequentam as salas de aula.


Meta 3

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.

Cerca de 80% dos jovens entre 15 e 17 anos frequentam as escolas, embora apenas 52,25 destes estejam no Ensino Médio - a distorção idade-série é o maior problema a ser enfrentado nessa modalidade de ensino. Além disso, segundo o Pnad 2011, 1,6 milhão de jovens nessa faixa etária estão fora da escola.


Meta 4

Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementares.

Entre 2010 e 2011, houve um aumento de 15,3% na taxa de matrículas de crianças na Educação Especial. No mesmo período, entretanto, caiu em 11,2% o número de alunos em escolas especiais. Segundo o MEC, 78% dos alunos com algum tipo de deficiência estão matriculados na rede pública de ensino.


Meta 5

Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os oito anos de idade.

Apenas 44,5% dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental apresenta proficiência adequada em leitura, de acordo com os resultados da segunda edição da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC. O teste foi aplicado no final de 2012 a 54 mil alunos de 1,2 mil escolas públicas e privadas de todo o país. A partir deste ano, o MEC substituirá a Prova ABC pela Avaliação Nacional da Educação (ANA), um dos eixos do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pronaic).


Meta 6

Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) aluno(as) da educação básica.

Pelos dados do MEC, as matrículas na Educação de Tempo Integral representam 5,8% do total de alunos no Ensino Fundamental. Os esportes respondem por 65% da frequência na grade curricular das escolas de tempo integral.


Meta 7

Fomentar a qualidade da Educação Básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem.

O fluxo escolar é medido pelos índices de aprovação, reprovação e abandono em um ano letivo. A reprovação é um dos principais problemas na Educação Básica, com taxas girando em torno de 10% no Ensino Fundamental e 13% no Ensino Médio. O abandono ficou em 2,8% no primeiro, e 9,5% no segundo. Já a taxa de distorção idade-série, que mede a quantidade de alunos matriculados em séries inferiores ao adequado para suas idades, caiu tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. No primeiro, ela passou de 23,6% para 22,9%. No segundo, caiu de 34,5% para 32,8%.


Meta 8

Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Em 2011, a escolaridade da população de cor branca de 25 anos ou mais alcançou a média de 8,3 anos, enquanto que a população de cor negra da mesma faixa etária ficou com apenas 6,4 anos. No entanto, há desigualdade inclusive numa mesma faixa de escolaridade: entre os que estudaram 10 anos ou mais, os brancos têm um rendimento médio de R$ 798, enquanto os negros acumulam somente R$ 586,10.


Meta 9

Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até o final da vigência do PNE, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.

Em 2011, cerca de 8,4% dos brasileiros com 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever.


Meta 10

Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos (EJA) na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

O setor enfrenta uma queda contínua de matrículas. De 2007 a 2011, o país perdeu 18.893 das 166.254 turmas de EJA, ou seja, uma queda de 18,9%.


Meta 11

Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no setor público.

Diferentemente do EJA, o ensino técnico está em tendência de expansão no país. Entre 2005 e 2011, subiu de 8,2% para 14,9% o número de cursos técnicos sobre o total verificado no ensino médio regular, totalizando 1,2 milhão de alunos.


Meta 12

Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.

De 1995 a 2011, a taxa líquida de matrículas no ensino superior da população entre 18 e 24 anos passou de 5,9% para 14,9%.


Meta 13

Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores.

Em 2011, havia no Brasil 39.220 mestres e 11.314 doutores titulados, segundo dados do GeoCapes.


Meta 14

Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Pelos dados do GeoCapes, cresceu em 10% o número de estudantes titulados na pós-graduação entre 2010 e 2011.


Meta 15

Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, no prazo de vigência deste PNE, a política nacional de formação e valorização dos profissionais de educação, assegurando que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Cerca de 25% dos mais de dois milhões de docentes na educação básica ainda possuem, no máximo, o ensino médio ou magistério.


Meta 16

Formar em nível de pós-graduação 50% dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.

Na educação básica, cerca de 75% dos professores têm, no mínimo, ensino superior completo.


Meta 17

Valorizar o magistério das redes públicas da educação básica, a fim de aproximar o rendimento médio do(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o sexto ano de vigência deste PNE.

Dos mais de 2 milhões de professores na educação básica no Brasil, cerca de 18% dão aula em duas unidades escolares, e 78% lecionam em apenas um estabelecimento.


Meta 18

Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os(as) profissionais da educação básica pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do art. 206, VIII, da Constituição Federal.

Em vigor desde 2008, a Lei do Piso para o magistério ainda não é cumprida sete estados do país, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Outras 14 unidades da federação não obedecem integralmente a norma, que estabeleceu em 2012 um salário de R$ 1.451 como piso nacional.


Meta 19

Assegurar condições, no prazo de dois anos, para a efetivação da gestão democrática da Educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública e à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.

Cerca de 48% dos municípios do Brasil não possuem uma secretaria exclusiva para a Educação.


Meta 20

Ampliar progressivamente o investimento público em Educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. 










sexta-feira, 12 de julho de 2013

VOTAÇÃO DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESTÁ ATRASADA HÁ 3 ANOS




Ao contrário do projeto dos royalties para Educação, o PNE, que traça 20 metas para o setor, ainda não tem data para ser apreciado no Senado

Fonte: O Globo (RJ)



Diferentemente do projeto dos royalties do petróleo, que será apreciado nesta terça-feira (02) no Senado, o Plano Nacional de Educação ainda não tem data para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da casa. Tramitando no Congresso desde dezembro de 2010, o texto traçaria 20 metas educacionais para o período entre 2011 e 2020. Na teoria, ele deveria entrar em vigor no dia 1º de janeiro de 2011. Na prática, como está atrasado, sua vigência valerá até 10 anos a partir de sua entrada em vigor. Só na Câmara dos Deputados, o texto recebeu mais de três mil emendas.

Dentre as 20 metas do PNE, estão a inclusão de 3,2 milhões de crianças e adolescentes na educação básica e a equiparação dos salários dos docentes com profissionais de outras áreas com escolaridade equivalente. A 20ª meta, a reserva de 10% do PIB para a educação, é considerada por especialistas como a mais significativa do texto. Para o governo federal, ela só seria cumprida se o projeto de lei original que reservava 100% dos royalties para a Educação fosse aprovado sem alterações.

Para a diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, apesar de muitos manifestantes terem levado cartazes onde se pedia “10% do PIB para a Educação”, a aprovação do PNE não entrou na pauta dos protestos que lotaram as ruas do país.

- O PNE não ganhou a grande massa. Se você perguntar para uma pessoa na rua o que é o PNE, provavelmente ela não vai saber responder. Mas se houver uma pressão popular, o voto do parlamentar será influenciado – disse a diretora-executiva do Todos pela Educação.

Priscila afirma ainda que o atraso em quase três anos de vigência do PNE deixa estados e municípios sem coordenação, o que reduziria o impacto de políticas concertadas:
- Eles ficam sem coordenação, sem alinhamento. Enquanto o PNE não é aprovado, alguns os governos estaduais e municipais fazem planos locais e até tentam antecipar as metas, mas não são todos que têm essa boa vontade.













quinta-feira, 11 de julho de 2013

COMISSÃO DEBATERÁ ESCOLHA DE DIRETORES DE ESCOLAS PÚBLICAS

Audiência pública deverá ser realizada depois do recesso parlamentar de julho
e contará com a participação de especialistas e autoridades da área da Educação



O pedido partiu de Kátia Abreu (PSD-TO), que destacou o fato de a maioria dos diretores ocupar o cargo a partir de indicações políticas. O requerimento para o debate foi aprovado ontem.

Na opinião da senadora, precisam ser estudados critérios técnicos e instrumentos de valorização do mérito profissional na escolha dos diretores.

A audiência pública deverá ser realizada depois do recesso parlamentar de julho e contará com a participação de especialistas e autoridades da área da Educação.










AGRESSÕES FAZEM PARTE DA TRISTE ROTINA DO PROFESSOR BRASILEIRO




Violência de alunos contra docentes evidencia uma "cultura de agressão"

Fonte: Gazeta do Povo (PR)




No início de 2012, enquanto dava uma de suas aulas no Colégio Estadual Santa Gema Galgani, em Curitiba, o Professor de Matemática Francisco Gasparin Neto foi interrompido por um Aluno do Ensino médio que chegou atrasado. Como sempre faz nesse tipo de situação, Neto instruiu o Aluno a sair, pedir licença e entrar novamente. O fim desse diálogo terminou na delegacia.

O estudante, que tinha 18 anos, se revoltou com o pedido e deu início a uma série de ofensas, feitas em alta voz e tom intimidador. O caso passou pela direção e em seguida o Professor registrou um boletim de ocorrência. Depois de uma audiência de conciliação, o estudante foi obrigado a pagar cestas básicas à comunidade local. Ele foi condenado por desacato a funcionário público no exercício da função.



Diálogo entre as partes é a melhor solução

A Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) optam pela cautela no que diz respeito às medidas que um Professor vítima de agressão deve tomar. Segundo a assessoria da SME, a orientação dada aos Docentes da rede municipal é de que toda situação de violência, seja entre estudantes ou envolvendo profissionais de Ensino, deve ser resolvida dentro da própria Escola, a partir do diálogo.

Como a maior parte das Escolas da prefeitura atendem apenas crianças até o 5.º ano do Ensino fundamental – apenas 11 Escolas atendem Alunos do 6.º ao 9.º ano – , o volume de ocorrências de agressão contra Professores tende a ser menor. Mesmo assim, quando ocorrem, o procedimento padrão é resolver a situação com os responsáveis pela pedagogia e direção. Em alguns casos as famílias são chamadas e participam na Escola da tomada de decisão sobre como o estudante pode se retratar diante de sua atitude.

De acordo com a Seed, as Escolas estaduais também são instruídas a resolverem os problemas internamente, e a agirem preventivamente sempre que um profissional nota o risco de violência. Tanto em caso de agressões verbais (calúnia, difamação e injúria) quanto físicas, os pais do estudante agressor são convocados e se faz o registro do ocorrido no livro ata da Escola. Quando ocorre uma agressão grave, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) pode ser acionado.

Nessas situações, o Conselho Tutelar recebe um ofício e comunica a autoridade policial para que se faça um boletim de ocorrência numa delegacia. No caso de Curitiba, que conta com estabelecimento específico, o boletim deve ser feito na Delegacia do Adolescente. Por fim, o caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude ou ao Ministério Público da região. A punição, em geral, são medidas sócioeducativas.

A atitude do Professor Neto é uma raridade. Receber agressões verbais faz parte da rotina de muitos profissionais de Educação. No entanto, confusos diante do que podem ou não fazer, a maior parte simplesmente tolera o desrespeito, ou transfere o problema à coordenação pedagógica, função que, em tese, não deveria se responsabilizar pela distribuição de broncas. “Muita coisa seria diferente se mudássemos nossa conduta, e passássemos a usar os artifícios legais contra toda a violência e desrespeito”, afirma Neto.

No mês de maio, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular e pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo mostrou que a cada dez Professores daquele estado, pelo menos quatro já sofreram agressões físicas ou verbais por parte de Alunos. O mesmo relatório mostra ainda que 42% dos Docentes já viram Alunos sob efeito de drogas, e 29% testemunharam tráfico dentro da Escola.

Segundo a APP-Sindicato, não há dados sobre a frequência das agressões feitas por Alunos contra Professores no Paraná, mas são constantes e variadas as histórias de violência compartilhadas por profissionais com seus colegas. “Seria algo muito importante se o governo promovesse uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre esse tipo de ocorrência”, sugere a Professora Janeslei Aparecida Albuquerque, se­cretária de formação política e sindical da APP.



Problema histórico

Para o doutor em Educação e Professor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Joe Garcia, é necessária uma análise mais ampla, que se refere à cultura de agressão nas Escolas em geral. “Em nosso país é recente a proibição da violência física contra Alunos, embora seja ainda muito presente a violência simbólica”, diz.

Para Garcia, em geral, as agressões surgem de uma mentalidade que vê a violência como um instrumento legítimo para resolver conflitos, lidar com as diferenças, expressar discordância ou mesmo responder à violência que vem do outro. “Os estudantes estão reproduzindo uma lógica social que tem sido alimentada no mundo há séculos”, diz, lembrando que, em nome da Educação, métodos violentos foram usados para lidar com tudo aquilo que era julgado inapropriado ou intolerável.













quinta-feira, 4 de julho de 2013

OPINIÃO: A (DES)EDUCAÇÃO BRASILEIRA



"A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica", afirma Wemerson Damasio

Fonte: Gazeta do povo (PR)







Acontecimentos recentes – ou melhor, acontecimentos que querem que pensemos que sejam recentes – levantaram questões sobre a Educação no Brasil, como a violência e o consequente descaso das autoridades. No entanto, não é de hoje, e muito menos de ontem, que fatores violentos assombram as Escolas e todos aqueles que fazem parte delas.

Vivemos em um país onde os números falam mais alto que a percepção e bom senso do cidadão; onde o Índice de Desenvolvimento da Educação básica é camuflado bienalmente; onde o Professor passou de transmissor de conhecimentos para Educador básico e cuidador de crianças, em média 30 ou 35 por aula, recebendo uma responsabilidade que não lhe pertence: a de educar, no sentido primordial de um dicionário qualquer. Nesse processo de formar cidadãos (porque a responsabilidade agora cai única e exclusivamente sobre o profissional da Educação) exclui-se, quase que em sua totalidade, a participação familiar e política desse pré-cidadão; expõe-se pré-adolescentes, adolescentes e profissionais ao barbarismo e conquistas medievais, guerras travadas diariamente por um espaço na sociedade.

Fala-se constantemente da erradicação da miséria. Promovem-se projetos, distribuem-se benefícios e engana-se uma nação. Escondem atrás de algumas notas de real uma realidade que, aparentemente, é aceita por aqueles que são beneficiados. Esquece-se, porém, que uma nação necessita de muito mais que apenas algum dinheiro no bolso; que a promoção cidadã é galgada diariamente com muito esforço, suor e Educação. Educação em seu mais amplo sentido, e tal amplitude estacionou nas costas daqueles que se propõem a enfrentar uma guerra munidos apenas de um pouco mais de conhecimento e boas intenções de transmiti-lo.

Nesse contexto, todos se prejudicam: educandos e Educadores, filhos e pais, cidadãos e país. A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica. O reflexo de tudo isso será percebido por gerações das quais, espero, não farei mais parte, tendo em vista que num futuro próximo as nossas vidas serão cuidadas e comandadas pela geração atual que desrespeita, agride, quase nada apreende e expõe-se, orgulhosamente, à regressão nas mídias. Por outro lado, podemos também ser cuidados e comandados por aqueles que, espertamente, nos deixarão de herança seu sucessores.

Violência não é apenas socos, pontapés e agressões verbais; inclui-se nela também o descaso familiar e político para com uma geração que um dia povoará o país. O nosso país.

*Wemerson Damasio, especialista em Metodologia de Ensino, é Professor especialista da rede pública estadual e municipal. 










quarta-feira, 3 de julho de 2013

PROFESSOR DO ENSINO MÉDIO TERÁ BOLSA PARA MELHORAR DESEMPENHO


Meta do MEC é corrigir falhas de formação, com foco em métodos de aula e em novo currículo

Fonte: Folha de S. Paulo (SP)







Professores do Ensino médio da rede pública receberão uma bolsa do Ministério da Educação para participar de curso de aprimoramento. A medida faz parte de uma série de ações em estudo pela pasta, em parceria com o Consed (conselho de secretários estaduais de Educação), para melhorar a qualidade dessa etapa da Educação.

O objetivo é corrigir eventuais deficiências da graduação do Docente, com foco nos métodos usados em sala de aula e no novo currículo Escolar, multidisciplinar, a exemplo da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino médio).

A bolsa pode ter início ainda no segundo semestre, mas ainda não há orçamento definido. A medida segue projeto já adotado pelo MEC para os Professores alfabetizadores.
Esses Docentes vêm recebendo desde 2012 auxílio de R$ 200 para participar de curso de formação de dois anos.


O Grupo Folha não autoriza a publicação na íntegra do conteúdo produzido pelo jornal Folha de S.Paulo








quinta-feira, 13 de junho de 2013

OPINIÃO: CÉREBRO E COMPUTADOR





"Crianças nutridas adequadamente e recebendo Educação de alto nível poderão se transformar nos cientistas de que carecemos, como reconheceu a própria presidente Dilma Rousseff", afirma Arnaldo Niskier

Fonte: O Globo (RJ)







O cérebro normal de uma criança cresce até os cinco anos de idade e alcança um total de cerca de 90 bilhões de neurônios. Essa verdade não nasceu hoje, quando há um extraordinário avanço em tudo o que se refere à neurociência.

Mas é possível encontrar os prolegômenos da ideia em trabalhos como os do cientista e Professor Josué de Castro, autor do célebre "Geografia da fome".

A desnutrição nos primeiros anos de vida provoca sequelas quase sempre irreversíveis, no crescimento do cérebro. Aí pode estar também a raiz das nossas clássicas dificuldades de Alfabetização (hoje, ainda temos cerca de 14 milhões de adultos Analfabetos).

Crianças nutridas adequadamente e recebendo Educação de alto nível poderão se transformar nos cientistas de que carecemos, como reconheceu a própria presidente Dilma Rousseff. O seu programa Ciência sem Fronteiras busca exatamente a correção desse problema crônico, na Educação brasileira.

Entendemos que não basta enviar nossos jovens para os grandes centros mundiais de pesquisa. Eles voltam (quando voltam) e não encontram ambientes propícios ao desenvolvimento das suas habilidades. É mais um tempo desperdiçado e recursos jogados fora.

Com a interface cérebro-máquina agora existente temos possibilidades incríveis de expansão do conhecimento, mas isso não começa nas universidades e sim nos primeiros anos de Escolaridade. Inovação é um conceito muito amplo, que não pode ser introjetado na cabeça dos estudantes de repente, numa determinada série. Isso vem desde cedo, com Professores bem preparados e estimulados a valorizar as conquistas científicas e tecnológicas.

É claro que todos sabemos o vulto do desafio. Às vezes nos espantamos com certas decisões aparentemente incompreensíveis, como a importação de médicos cubanos, "para trabalhar no interior do país".

Quem garante a competência deles para enfrentar os desafios da medicina tropical? Nem a desculpa de que se trata de uma solução de emergência tem cabimento, até porque isso se vai perigosamente ampliando. Começou na engenharia e agora chega à medicina.

Temos é que formar de modo competente os nossos jovens, com uma Educação de primeira classe. Imaginar que a importação de cérebros estranhos à nossa realidade seja uma boa solução é tentar resolver o problema pelo facilitário.
Devemos acelerar a formação de cientistas em nosso país (existe um pequeno aumento nesse número), para aproveitar de modo inteligente a extraordinária reserva da biodiversidade brasileira.

Educando os jovens, certamente, eles irão influenciar os pais e assim se forma a equação do nosso progresso. Cérebro e computador não podem caminhar dissociados. 














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