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quinta-feira, 11 de julho de 2013

AGRESSÕES FAZEM PARTE DA TRISTE ROTINA DO PROFESSOR BRASILEIRO




Violência de alunos contra docentes evidencia uma "cultura de agressão"

Fonte: Gazeta do Povo (PR)




No início de 2012, enquanto dava uma de suas aulas no Colégio Estadual Santa Gema Galgani, em Curitiba, o Professor de Matemática Francisco Gasparin Neto foi interrompido por um Aluno do Ensino médio que chegou atrasado. Como sempre faz nesse tipo de situação, Neto instruiu o Aluno a sair, pedir licença e entrar novamente. O fim desse diálogo terminou na delegacia.

O estudante, que tinha 18 anos, se revoltou com o pedido e deu início a uma série de ofensas, feitas em alta voz e tom intimidador. O caso passou pela direção e em seguida o Professor registrou um boletim de ocorrência. Depois de uma audiência de conciliação, o estudante foi obrigado a pagar cestas básicas à comunidade local. Ele foi condenado por desacato a funcionário público no exercício da função.



Diálogo entre as partes é a melhor solução

A Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) optam pela cautela no que diz respeito às medidas que um Professor vítima de agressão deve tomar. Segundo a assessoria da SME, a orientação dada aos Docentes da rede municipal é de que toda situação de violência, seja entre estudantes ou envolvendo profissionais de Ensino, deve ser resolvida dentro da própria Escola, a partir do diálogo.

Como a maior parte das Escolas da prefeitura atendem apenas crianças até o 5.º ano do Ensino fundamental – apenas 11 Escolas atendem Alunos do 6.º ao 9.º ano – , o volume de ocorrências de agressão contra Professores tende a ser menor. Mesmo assim, quando ocorrem, o procedimento padrão é resolver a situação com os responsáveis pela pedagogia e direção. Em alguns casos as famílias são chamadas e participam na Escola da tomada de decisão sobre como o estudante pode se retratar diante de sua atitude.

De acordo com a Seed, as Escolas estaduais também são instruídas a resolverem os problemas internamente, e a agirem preventivamente sempre que um profissional nota o risco de violência. Tanto em caso de agressões verbais (calúnia, difamação e injúria) quanto físicas, os pais do estudante agressor são convocados e se faz o registro do ocorrido no livro ata da Escola. Quando ocorre uma agressão grave, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) pode ser acionado.

Nessas situações, o Conselho Tutelar recebe um ofício e comunica a autoridade policial para que se faça um boletim de ocorrência numa delegacia. No caso de Curitiba, que conta com estabelecimento específico, o boletim deve ser feito na Delegacia do Adolescente. Por fim, o caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude ou ao Ministério Público da região. A punição, em geral, são medidas sócioeducativas.

A atitude do Professor Neto é uma raridade. Receber agressões verbais faz parte da rotina de muitos profissionais de Educação. No entanto, confusos diante do que podem ou não fazer, a maior parte simplesmente tolera o desrespeito, ou transfere o problema à coordenação pedagógica, função que, em tese, não deveria se responsabilizar pela distribuição de broncas. “Muita coisa seria diferente se mudássemos nossa conduta, e passássemos a usar os artifícios legais contra toda a violência e desrespeito”, afirma Neto.

No mês de maio, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular e pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo mostrou que a cada dez Professores daquele estado, pelo menos quatro já sofreram agressões físicas ou verbais por parte de Alunos. O mesmo relatório mostra ainda que 42% dos Docentes já viram Alunos sob efeito de drogas, e 29% testemunharam tráfico dentro da Escola.

Segundo a APP-Sindicato, não há dados sobre a frequência das agressões feitas por Alunos contra Professores no Paraná, mas são constantes e variadas as histórias de violência compartilhadas por profissionais com seus colegas. “Seria algo muito importante se o governo promovesse uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre esse tipo de ocorrência”, sugere a Professora Janeslei Aparecida Albuquerque, se­cretária de formação política e sindical da APP.



Problema histórico

Para o doutor em Educação e Professor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Joe Garcia, é necessária uma análise mais ampla, que se refere à cultura de agressão nas Escolas em geral. “Em nosso país é recente a proibição da violência física contra Alunos, embora seja ainda muito presente a violência simbólica”, diz.

Para Garcia, em geral, as agressões surgem de uma mentalidade que vê a violência como um instrumento legítimo para resolver conflitos, lidar com as diferenças, expressar discordância ou mesmo responder à violência que vem do outro. “Os estudantes estão reproduzindo uma lógica social que tem sido alimentada no mundo há séculos”, diz, lembrando que, em nome da Educação, métodos violentos foram usados para lidar com tudo aquilo que era julgado inapropriado ou intolerável.













sexta-feira, 5 de julho de 2013

REESTRUTURAÇÃO DE CARREIRAS E GANHOS REAIS BENEFICIAM MÉDICOS E PROFESSORES


Foto: Carol Garcia/GOVBA


Dois projetos de lei que beneficiam médicos e professores do serviço público estadual foram sancionados na manhã desta quarta-feira (3). O governador Jaques Wagner assinou a criação do Plano de Cargo, Carreira e Vencimentos (PCCV) dos médicos durante encontro com representantes de entidades do setor na Sala de Reuniões da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.

Aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia na última semana, o projeto de lei entra em vigor já neste mês de julho. Também nesta quarta-feira, Wagner sancionou o projeto de lei que estabelece a incorporação da gratificação por condições especiais de trabalho dos professores das universidades estaduais.

Entre outras conquistas, os médicos passam a ter uma carreira própria e independente, além de ganho real de 32%, ao longo do atual governo. “Esse plano estabelece um avanço em nível de Brasil, o que é um aspecto positivo para a categoria”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia, Francisco Magalhães.

O Projeto de Lei nº 20.366/2013 reestrutura as carreiras de médico e regulador da assistência em saúde, dos serviços públicos de saúde, e institui o PCCV. Assim, além de ganhos reais, a categoria terá progressão de carreira, qualificação profissional e recuperação dos valores das aposentadorias com reajuste de até 200%.

“É um marco histórico, após 30 anos de luta, e a Bahia passa, segundo as entidades médicas, a ter um dos melhores planos de cargos do Brasil, incluindo todos os médicos, pensionistas e aposentados”, disse o governador.

O secretário da Saúde, Jorge Solla, explicou que o resultado de dois anos de negociações entre o governo estadual e as entidades médicas atende a uma reivindicação histórica. “É uma reivindicação antiga que corrige uma série de injustiças, melhorando a remuneração desses profissionais, e dá outra perspectiva de investimentos para a categoria”.

A remuneração mensal paga por plantão semanal de 24 horas, por exemplo, conforme o secretário, deve saltar de R$ 4.441,95 para até R$ 8.991,23, a depender da categoria do médico. A partir de abril de 2014, o valor ficará entre R$ 6.240 e R$ 10.577,90. Em 2007, os médicos recebiam menos de R$ 1.200 por plantão de 24 horas semanais.

Após o enquadramento inicial entre 2013 e 2014, o PCCV terá aplicado o primeiro processo de progressão, a partir de 2015, e o processo de promoção, a partir de 2016.

Incorporação ao vencimento básico será feita até dezembro 

Acordado com as associações dos professores das universidades estaduais, o Projeto de Lei nº 20.353/2013 estabelece que a gratificação por condições especiais de trabalho desses profissionais será incorporada completamente ao vencimento básico até dezembro deste ano.

Serão beneficiados os professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

A remuneração de um professor adjunto, que em 2006 era de R$ 3.165,87, passará para R$ 6.599,84, no próximo ano. Já o valor recebido por um professor assistente saltará de R$ 2.517,02 para R$ 4.978,53, além das vantagens pessoais. 










Fonte: SECOM - BA

quinta-feira, 4 de julho de 2013

OPINIÃO: A (DES)EDUCAÇÃO BRASILEIRA



"A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica", afirma Wemerson Damasio

Fonte: Gazeta do povo (PR)







Acontecimentos recentes – ou melhor, acontecimentos que querem que pensemos que sejam recentes – levantaram questões sobre a Educação no Brasil, como a violência e o consequente descaso das autoridades. No entanto, não é de hoje, e muito menos de ontem, que fatores violentos assombram as Escolas e todos aqueles que fazem parte delas.

Vivemos em um país onde os números falam mais alto que a percepção e bom senso do cidadão; onde o Índice de Desenvolvimento da Educação básica é camuflado bienalmente; onde o Professor passou de transmissor de conhecimentos para Educador básico e cuidador de crianças, em média 30 ou 35 por aula, recebendo uma responsabilidade que não lhe pertence: a de educar, no sentido primordial de um dicionário qualquer. Nesse processo de formar cidadãos (porque a responsabilidade agora cai única e exclusivamente sobre o profissional da Educação) exclui-se, quase que em sua totalidade, a participação familiar e política desse pré-cidadão; expõe-se pré-adolescentes, adolescentes e profissionais ao barbarismo e conquistas medievais, guerras travadas diariamente por um espaço na sociedade.

Fala-se constantemente da erradicação da miséria. Promovem-se projetos, distribuem-se benefícios e engana-se uma nação. Escondem atrás de algumas notas de real uma realidade que, aparentemente, é aceita por aqueles que são beneficiados. Esquece-se, porém, que uma nação necessita de muito mais que apenas algum dinheiro no bolso; que a promoção cidadã é galgada diariamente com muito esforço, suor e Educação. Educação em seu mais amplo sentido, e tal amplitude estacionou nas costas daqueles que se propõem a enfrentar uma guerra munidos apenas de um pouco mais de conhecimento e boas intenções de transmiti-lo.

Nesse contexto, todos se prejudicam: educandos e Educadores, filhos e pais, cidadãos e país. A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica. O reflexo de tudo isso será percebido por gerações das quais, espero, não farei mais parte, tendo em vista que num futuro próximo as nossas vidas serão cuidadas e comandadas pela geração atual que desrespeita, agride, quase nada apreende e expõe-se, orgulhosamente, à regressão nas mídias. Por outro lado, podemos também ser cuidados e comandados por aqueles que, espertamente, nos deixarão de herança seu sucessores.

Violência não é apenas socos, pontapés e agressões verbais; inclui-se nela também o descaso familiar e político para com uma geração que um dia povoará o país. O nosso país.

*Wemerson Damasio, especialista em Metodologia de Ensino, é Professor especialista da rede pública estadual e municipal. 










segunda-feira, 17 de junho de 2013

Corpo da escritora Tatiana Belinky é enterrado em São Paulo

 


Autora de 94 anos estava internada havia 11 dias e morreu no sábado (15).
Tatiana nasceu na Rússia e mudou-se para o Brasil aos 10 anos.



Tatiana Belinky em foto tirada em 1993 (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo/Agência Estado)

O corpo da escritora Tatiana Belinky foi enterrado, por volta das 14h30 deste domingo (18), no Cemitério Israelita da Vila Mariana, em São Paulo. A autora morreu na tarde de sábado (15), aos 94 anos, no Hospital Alvorada. Ela estava internada havia 11 dias, segundo a assessoria de imprensa da instituição, que não soube informar a causa da morte.

Tatiana Belinky é autora de mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios educacionais, e tradutora de muitas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov.

Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919, e aos 10 anos mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Na época, ela já falava três línguas: russo, alemão e letão.



Tatiana Belinky em 2009 (Reprodução/TV Globo)


A autora trabalhou como secretária bilíngue durante alguns anos, até se casar com Julio de Gouveia, com quem teve dois filhos, cinco netos e ao menos três bisnetos.

Em 1948, começou a fazer teatro para crianças, junto com o marido, para a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, adaptando e traduzindo textos teatrais que Julio produzia e encenava.

Com o advento da televisão, o grupo teatral de Tatiana foi convidado a apresentar suas peças na "TV Tupi", onde realizou espetáculos de tele-teatro ao vivo, com textos sempre baseados em livros, entre 1951 a 1964. Os roteiros eram escritos pela autora, a maioria adaptados da literatura nacional e internacional.

Mais tarde, Tatiana e seu marido adaptaram para a televisão o Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, com cerca de 350 capítulos, além de diversas minisséries criadas a paritr de romances famosos.

Belinky também escreveu críticas literárias para diversos jornais durante a vida, como "O Estado de S.Paulo", "Folha de São Paulo" e "Jornal da Tarde". Ela ainda colaborou com a "TV Cultura".





Ministra lamenta

Em nota de pesar divulgada neste domingo, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou que a literatura brasileira perdeu "uma grande criadora". Leia a íntegra da nota:

"Tatiana Belinky é joia rara. Da lavra de Niemeyer e outros poucos incansáveis. Sensível, produtiva. Capaz de nos brindar com centenas de livros para um público extremamente desafiador: o infanto-juvenil. Embalou muitas das minhas alegrias de infância! Conhecer a obra de Tatiana fez diferença para mim e sei que para a alma de incontáveis meninos e meninas. Nossa literatura perde uma grande criadora."











Fonte: G1

terça-feira, 21 de maio de 2013

44% dos professores de SP já sofreram agressão, diz sindicato

Pesquisa da Apeoesp ouviu professores em 167 cidades do estado.


Agressão verbal provocada pela falta de respeito é a mais comum.



Do G1 São Paulo




O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou nesta quinta-feira (9) uma pesquisa sobre a violência nas escolas. Quase metade dos professores entrevistados relata que já sofreu algum tipo de agressão. A pesquisa ouviu 1.400 pessoas em 167 municípios do estado.

Brigas entre alunos e crimes mais graves estão ocorrendo nas escolas. Dos professores da rede estadual, 44% deles dizem ter sofrido algum tipo de agressão - física ou verbal. 

Felippe Angeli, coordenador do sistema de proteção escolar da Secretaria Estadual de Educação, disse, por sua vez, que desde 2009 vem sendo desenvolvidas ações para lidar com estas questões nas escolas. Nesta quarta-feira (8), por exemplo, o governador Geraldo Alckmin e o secretário de Educação, Herman Voorwald, anunciaram a compra de câmeras e alarmes para vigilância eletrônica em escolas da Grande São Paulo e das regiões de Campinas e Baixada Santista. O objetivo é preservar o patrimônio público e inibir atos de vandalismo e violência. 

Para 35% dos professores entrevistados, os pais ou os responsáveis são quem deve resolver a violência praticada pelos filhos. Outros 25% acham que a escola também tem papel decisivo. E, para 19% dos entrevistados, o governo do estado tem que tomar medidas mais efetivas. 

Do total, 84% presenciaram ou ficaram sabendo de casos de violência na escola em que lecionam. Para 95%, os maiores responsáveis são os próprios alunos e apontam o uso de drogas e de álcool, o tráfico de drogas e a briga de gangues como situações que geram violência nas escolas. Os alunos são as maiores vítimas de da violência: 83%. 

A agressão verbal é a mais comum, segundo os professores. Para 74% dos entrevistados, o xingamento e a falta de respeito são os principais problemas. A desestruturação familiar é apontada por 47% como a razão da violência, e 49% acreditam que é resultado da educação que os alunos recebem em casa. Em segundo lugar aparece o bullying, com 60%. Pelo menos 5% dos entrevistados já sofreram agressão física. 

Para os professores, as escolas e o governo teriam que envolver os pais nesse debate contra a violência. Palestras e debates nas escolas atrairiam os pais para 28% dos professores. Para 16%, também é preciso investir em cultura e lazer dos alunos e familiares. Outros 15% querem que o policiamento nas áreas próximas às escolas seja reforçado para evitar a presença de gangues e tráfico de drogas. 

As câmeras de segurança que serão instaladas nas escolas, medida anunciada nesta quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin, não são vistas como uma grande medida contra a segurança, segundo os professores. Só 4% acreditam que as câmeras ajudem a reduzir a violência. 




Projetos 

Segundo Felippe Angeli, o Sistema de Proteção Escolar visa à prevenção de conflitos no ambiente escolar, à integração entre a escola e a rede social de garantia dos direitos da criança e do adolescente e à proteção da comunidade escolar e do patrimônio público. 

O programa, segundo Angeli, tem por base dois eixos distintos de atuação. O primeiro está relacionado à integração com a área de segurança pública, no qual está incluso o videomonitoramento das escolas para coibir a atuação de marginais e o vandalismo. "Inclusive, há um oficial da Polícia Militar prestando assessoria sobre assuntos de segurança nas escolas no gabinete do secretário neste sentido", explicou. 

O segundo eixo refere-se diretamente ao convívio escolar entre alunos, professores, pais e a comunidade onde a unidade está inserida. Neste sentido, foi criado o projeto Professor Mediador Escolar e Comunitário. "Este professor é treinador para trabalhar estes conflitos e para que sejam resolvidos de forma não violenta, inclusive fazendo esta articulação da escola com a comunidade. Cerca de 50% da rede de ensino contam com este mediador", disse. 






Fonte: G1

quinta-feira, 11 de abril de 2013

DOIS EM CADA 10 PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA NÃO TÊM CURSO SUPERIOR


Dados do Censo da Educação Básica 2012 mostram que, apesar de formação ter melhorado no País, há docentes sem diploma de graduação em todas as etapas escolares

Fonte: iG





De cada 10 professores que dão aulas na educação básica brasileira, dois trabalham sem diploma de ensino superior. O índice de docentes não graduados é maior nas turmas da educação infantil, mas há professores trabalhando sem formação adequada inclusive no ensino médio.

Os números do Censo Escolar 2012 mostram que 22% dos 2.101.408 professores brasileiros – 459 mil – não chegaram à universidade. Desse total, 8.339 terminaram apenas o ensino fundamental, 115.456 concluíram o ensino médio regular e 335.418, o magistério. Entre os 1,6 milhão diplomados, 223.777 não cursaram licenciatura, modalidade que prepara professores.

É na educação infantil que trabalha grande parte dos professores sem formação superior. Dos 443,4 mil professores dessa etapa, 36,4% não se graduaram. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é permitido que um professor que concluiu apenas o magistério lecione nessa fase, mas 10% dos docentes sequer têm essa formação mínima.

Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, fases em que todos os professores, por lei, deveriam ter cursado licenciatura para dar aulas, o cenário se repete. Do 6º ao 9º ano do fundamental, 22% dos 801 mil educadores não têm formação adequada (não cursaram faculdade ou licenciatura). No ensino médio, 18% dos 497 mil docentes estão nessa situação.

Para a ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação e diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda, todos os professores deveriam ser formados no ensino superior. “A profissão docente é muito complexa e requer formação específica e séria. A qualidade da educação está intimamente ligada à qualidade do profissional da educação. Aquela visão de que basta boa vontade e gostar de crianças está ultrapassada”, afirma.

A formação dos professores brasileiros, de modo geral, melhora a cada ano. Em 2011, o número de educadores sem curso superior (530.029) representava um quarto do total. Apesar disso, as diferenças regionais ainda persistem. Grande parte dos docentes com formação precária atua no Nordeste. Quase metade dos educadores com apenas o diploma de ensino médio regular – 50 mil dos 115 mil do País – leciona nas salas de aula nordestinas.

A Bahia é um dos Estados com mais problemas de formação dos docentes. Dos 157 mil professores, 1.150 têm apenas o ensino fundamental (13,8% de todos que estão nessa condição); 19 mil cursaram apenas o ensino médio regular e 50,8 mil não passaram do curso normal (magistério). Apenas a metade cursou uma faculdade.



Problemas na carreira

Sem incentivos para atrair os melhores estudantes para a carreira, especialistas acreditam que será difícil superar os problemas de formação dos professores, que não se esgota apenas com o estímulo à graduação. Na opinião de Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há problemas estruturais de formação dos alunos que só são solucionados dentro dos cursos de graduação.

“O aluno que não teve uma formação básica adequada não vai conseguir ser um bom professor. E, na média, infelizmente, são os alunos que tiveram mais dificuldades que acabam na profissão. A tendência do Brasil sempre é boa, mas temos um problema de ritmo dessa evolução na qualidade de ensino”, pondera. Segundo ele, a aprovação do Plano Nacional da Educação é importante para garantir recursos que acelerem a formação dos professores.

Pilar defende melhores salários e uma perspectiva mais atraente de carreira para mudar o cenário da educação. “A profissão não pode ser escolhida enquanto o jovem não acha coisa melhor”, comenta. Cara acredita que os cursos presenciais têm de expandir de forma mais direcionada, especialmente nas regiões em que eles são escassos.



Maioria feminina

Os dados do Censo Escolar mostram também que 1,6 milhão do total de professores do País é mulher. A região Nordeste é a que, proporcionalmente, possui mais educadores homens na educação básica. Dos 613 mil professores da região, 20% são homens. Metade dos docentes tem entre 25 e 40 anos de idade.

Dos 2 milhões de docentes da educação básica, 443 mil dão aulas na educação infantil; 1,4 milhão no ensino fundamental, 497 mil no ensino médio e 253 mil na educação de jovens e adultos.







sexta-feira, 22 de março de 2013

'ERA PARA EU TIRAR NOTA ZERO'




'ERA PARA EU TIRAR NOTA ZERO'

Carlos Guilherme diz que o objetivo era testar a eficiência da correção do exame

Fonte: Diário de Pernambuco (PE)





O autor da redação do Enem que incluiu uma receita de miojo no meio da sua prova acha que deveria ter recebido nota zero da banca corretora. Carlos Guilherme Custódio Ferreira tem 19 anos, está no segundo período do curso de engenharia civil da Unilavras, instituição particular de Lavras (MG), e fez a prova “por fazer”. “Quando fiz o Enem, já estava na faculdade e gostando muito do meu curso. Então, fiz a prova por teste mesmo. Como falaram que a correção seria mais rigorosa, passando por três avaliadores, resolvi incluir a receita para ver se realmente teria uma avaliação diferenciada”.Na segunda-feira, a imprensa nacional publicou reportagens relatando que redações que receberam nota 1000 no Enem tinham erros grosseiros de português (como “enchergar” e “trousse”). No texto de Carlos Guilherme, não há absurdos ortográficos. Mas, no meio da redação, no terceiro parágrafo, ele foge completamente do tema (“Movimento imigratório para o Brasil no século 21”), e escreve uma receita de miojo. Mesmo assim, sua nota foi 560 pontos.

O estudante afirma que não queria debochar dos corretores. O objetivo era testar a eficiência da correção do Exame Nacional do MEC. “Fiquei surpreso quando vi o resultado. No caso, era para eu zerar, porque fugi do tema. Confirmei o que desconfiava, que não corrigiam todas as redações direito, já que são muitas”.

Carlos ficou sabendo da repercussão de sua prova na mídia na manhã de ontem, quando acordou e abriu sua página no Facebook. Vários amigos postaram mensagens sobre sua redação, mencionando que ela tinha ficado famoso. “Não esperava tanta repercussão. Meus amigos estão falando que sou corajoso. Acho que, neste ano, a correção da redação será bem mais rigorosa. Se for pensar por este lado, o que fiz foi bom”.

Carlos recebeu 120/200 (60%) na competência 2 da correção, em que são avaliadas a compreensão da proposta da redação e a aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento do tema. Pela nota, o Ministério da Educação (MEC) entende que o estudante abordou o tema de forma “adequada”, embora “previsível” e com “argumentos superficiais”. Na competência 3, na qual é avaliada a coerência dos argumentos, o candidato recebeu 100/200 (50%). O órgão entende que o Aluno não fugiu do tema nem teve a intenção de anular a redação, pois não feriu os direitos humanos e não usou palavras ofensivas.

Hino do Palmeiras
Outro estudante que incluiu em sua redação do Enem um trecho do hino do clube de futebol Palmeiras obteve 500 pontos na prova dissertativa. O espelho da prova, que já circula nas redes sociais, mostra que 13 das 27 linhas da redação foram dedicadas ao hino do clube paulista. “As capitais, praias e as maiores cidades são os alvos mais frequentes dos imigrantes, porque quando surge o alviverde imponente no gramado onde a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente que a dureza do prélio não tarda.” 














sexta-feira, 15 de março de 2013

Porcentual de alunos com aprendizado adequado à série por cidade em 2011



Consulte índices de desempenho em português e matemática dos alunos brasileiros por município, segundo a prova Brasil


IG São Paulo 

As médias nacionais de aprendizado em geral são insatisfatórias no Brasil, segundo dados apresentados na semana passada pela ONG Todos pela Educação . Baseado nos resultados da Prova Brasil 2011, aplicada a cada dois anos pelo Ministério da Educação (MEC), chega-se à conclusão que os estudantes sabem menos que foi estabelecido como meta pela organização nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Para que seja possível acompanhar o desempenho dos alunos mais detalhadamente, o iG elaborou uma ferramenta que mostra o aprendizado por município.



Na tabela abaixo, é possível consultar porcentual de estudantes que aprenderam o básico esperado para cada etapa em português e matemática tanto no 5º no como no 9º ano. Os dados do ensino médio não estão disponíveis por município porque não há uma prova que seja realizada por todos os alunos da etapa.

Os resultados podem ser consultados por ordem alfabética ou de desempenho. Além do dado de 2011, que ranqueia as cidades, é possível ver qual era a porcentagem atingida na Prova Brasil anterior, de 2009. Também estão na ferramenta quais eram as metas feitas pelo Todos Pela Educação para 2011 e 2013 como o degrau que cada cidade deveria subir a cada biênio para chegar a 70% em 2022 e 90% em 2030.


No Brasil, nos anos finais do ensino fundamental (9º ano), 27% dos alunos alcançaram desempenho adequado em língua portuguesa – a meta era de 32%. Em matemática, foram 16,9% para uma meta de 25,4%. Nos anos iniciais (5º ano), 40% dos alunos aprenderam o adequado em português, chegando perto da meta de 42%. Em matemática, 36% dos alunos apresentaram desempenho e superaram a meta parcial em um ponto percentual.

















quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ENEM: 30% DAS ESCOLAS NÃO ATINGEM NOTA PARA DIPLOMAÇÃO NO ENSINO MÉDIO



Alunos dessas instituições não obtiveram médias que garantem certificado de conclusão do Ensino Médio a participantes que estão fora da escola


O Enem seleciona candidatos para universidades públicas e para programas de bolsas e financiamento em instituições privadas. Confere também certificação de conclusão do ensino médio a pessoas com 18 anos de idade ou mais que não concluíram essa etapa do ensino – mesmo que elas nunca tenham pisado na escola. Para conseguir o diploma, é preciso obter 450 pontos em cada uma das provas objetivas do exame (ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e matemática), além de 500 pontos na redação.

Essas são as notas mínimas, portanto, segundo avaliação do Ministério da Educação, que o candidato deve atingir para garantir a certificação. Ficar abaixo disso demonstra falta de domínio do conhecimento esperado. Assim, é preocupante constatar que boa parte dos concluintes do ensino médio, alunos regularmente matriculados no último ano do ciclo, não atinge as notas mínimas.

De acordo com um levantamento realizado pelo site de VEJA a partir do desempenho das instituições de ensino no Enem 2011, divulgado recentemente pelo MEC, as médias de 3.299 instituições brasileiras não atingiram a pontuação mínima necessária em ao menos uma das provas. Na prática, isso significa que esses estudantes não demonstraram na avaliação conhecimento suficiente para deixar a sala de aula com o canudo debaixo do braço. As 3.299 escolas representam quase um terço do total das 10.076 unidades cujos resultados foram revelados pelo MEC. Outras 13.581 instituições ficaram de fora do ranking: o desempenho delas, portanto, é desconhecido.

O estado com pior resultado proporcional é o Acre: lá, 78,4% das escolas não atingiram o patamar para a certificação. Em Tocantins, Roraima, Espírito Santo e no Amazonas, 60% das escolas têm resultado insuficiente. Na outra ponta da lista, está o Rio de Janeiro, onde apenas 10,8% das escolas não atingiram a pontuação, seguido do Distrito Federal e de São Paulo. Das 3.299 escolas "reprovadas", 277 são privadas (8,4%); entre as públicas, 12 são federais (0,3%), 33 municipais (1%) e 2.977 estaduais (90,2%). Vale lembrar, os estados são responsáveis por 85,5% do ensino médio brasileiro. 










terça-feira, 30 de outubro de 2012

JOVEM ESTUDIOSO E CAMPEÃO DE OLIMPÍADAS DE MATEMÁTICA FOI ASSASSINADO POR COLEGA




Inteligência fez filho de agricultores se destacar na escola e no Ensino Superior


Natural do Ceará, José Leandro Pinheiro nasceu na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro, no sertão do estado, a cerca de 250 km de Fortaleza. Filho de agricultores humildes, ele tem cinco irmãos. Ficou na cidade até os 14 anos e, por ser muito inteligente, ganhou uma bolsa de estudos para fazer o Ensino médio numa Escola agrícola em Iguatu, a 50 km de Irapuan. Concluiu o curso aos 17 anos e, aprovado para estudar matemática na Universidade Federal do Ceará, mudou-se para a capital cearense, onde se formou aos 20 anos. Após um curso de 45 dias, foi selecionado para fazer o mestrado em matemática no Impa.

José Leandro, de acordo com o amigo Thiago Dourado, ganhou várias medalhas em olimpíadas de matemática:

- Ele sempre foi pobre, e a inteligência foi a oportunidade que a vida deu a ele. Por isso conseguiu chegar ao Impa.

Em Deputado Irapuan Pinheiro, Elessandra Pinheiro Holanda, tia de José Leandro, disse que o sobrinho sempre foi um rapaz discreto, obediente e dedicado aos estudos.

- Quando a gente perguntava como era a vida dele no Rio, ele falava dos estudos. Nunca houve nada que chamasse a nossa atenção. Ele dizia que convivia bem com os amigos do Rio. Gostava muito da cidade e do instituto (Impa) - lembrou a tia.

- O meu sobrinho era muito compenetrado nos seus objetivos. E estudou sempre em Escola pública.

O último contato de José Leandro com a família ocorreu na última terça-feira. O estudante ligou para o pai, o agricultor Nestor Holanda Pinheiro, para dar notícias e dizer que já comprara a passagem para passar as festas de fim de ano junto com os parentes.

- Ele disse que estava bem e muito animado - contou Elessandra. - Ele nunca deu qualquer sinal de que havia algo errado. E nunca comentou nada sobre esse rapaz (o acusado do crime).



Crime deixa cidade chocada

A família soube da morte de José Leandro ontem de manhã, por meio de um telefonema do Impa à prefeitura de Deputado Irapuan Pinheiro. Segundo Antônio Ícaro Pinheiro Vieira, funcionário que atendeu a ligação, a população local está chocada.


Nestor e Elessandra embarcariam num voo de Fortaleza para o Rio de Janeiro ontem, às 23 h 30 m.








E mais...


Estudante confessa assassinato de colega e diz que sofria de bullying

Bruno Eusébio disse à polícia estar sob efeito de tranquilizantes e álcool 

O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, disse na noite desta sexta-feira (26) que, após 15 horas de depoimento, o estudante Bruno Eusébio dos Santos, de 26 anos, confessou a morte de José Leandro Pinheiro, de 21, com quem dividia quarto em uma república no Horto, Zona Sul do Rio. Segundo a polícia, o jovem disse que o crime foi motivado por bullying.

O delegado, no entanto, ressalta que o estudante não explicou que tipo de ataque ele sofria. Bruno confessou o crime na presença dos pais, que chegaram nesta sexta ao Rio de Sergipe, onde vivem. Ainda de acordo com a polícia, o estudante contou que estava sob efeito de tranquilizantes, além de ter ingerido refrigerante com vodca. Bruno disse ainda que não se lembra de muitos detalhes do momento do crime.

“Ouvimos os 13 moradores da república e nenhum deles apontou que o jovem sofria bullying, mas todos disseram que ele era muito introspectivo, calado e estudava sempre com fone de ouvido”, disse Rivaldo. Bruno deve ser encaminhado para o presídio de Bangu 2, onde passará por uma triagem que vai definir em qual penitenciária ele vai cumprir plena.

Bruno foi preso em flagrante pelo crime de homicídio qualificado, já que a vítima não teve chande de deefa por estar domi. O crime varia de 20 a 30 anos de prisão. Os dois estudavam no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa)

Na manhã de quinta-feira (25), Bruno foi encontrado desacordado na cozinha da república, com marcas de sangue. No local do crime, peritos encontraram dois frascos de antidepressivo. Bruno foi levado para o Hospital Miguel Couto, na Zona Sul, de onde saiu, já algemado, para a DH, à 1h desta sexta. Ao chegar, se manteve calado e fora de seu estado normal, segundo a polícia.

Na quinta-feira, o delegado Rivaldo Barbosa, responsável pela investigação do caso, pediu a prisão em flagrante de Bruno após ouvir dez testemunhas — sete colegas da vítima, além da zeladora e caseiro da república e um funcionário do Impa. Outro fator determinante para a decisão foi a perícia preliminar dos instrumentos utilizados na morte, uma pedra e uma faca.





Fonte: G1




terça-feira, 4 de setembro de 2012

POR QUE O BRASIL ESTÁ NO 88º LUGAR NO RANKING MUNDIAL DA EDUCAÇÃO?




A gestão ineficiente, o desprestígio do magistério e a má formação dos professores são alguns dos empecilhos ao salto educacional brasileiro


Os problemas da educação brasileira extrapolam os limites da sala de aula. O desempenho pífio revelado em avaliações internacionais se deve a uma combinação de falhas de educadores, governantes e famílias, na opinião de especialistas. Essas deficiências incluem erros de gestão, falta de recursos e pouca cobrança social por resultados que façam jus ao atual peso econômico e político do Brasil.

O desafio de alcançar um ensino de qualidade foi eleito o tema da nova campanha institucional do Grupo RBS, deflagrada na terça-feira sob o slogan A Educação Precisa de Respostas. Para investigar quais são os principais nós que comprometem a aprendizagem no país e descobrir como desatá-los, uma série de reportagens em rádios, tevês e jornais vai responder a questionamentos concretos sobre o atual cenário da educação nacional.

A primeira dessas perguntas é como pode um país que alcançou a sexta posição entre as maiores economias do planeta ostentar um constrangedor 88º lugar em um ranking mundial publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no ano passado. As respostas, oferecidas por especialistas nacionais na área, resumem os principais entraves ao avanço educacional brasileiro.

Superados estes obstáculos, o país poderia experimentar nos próximos anos um acréscimo de qualidade significativo nas escolas e vencer um atraso histórico.

— Temos de levar em conta que começamos a nos preocupar com educação com quatro, cinco séculos de atraso em relação a outros países. É impossível recuperar isso do dia para a noite, mas temos de investir melhor para não perdermos mais tempo — observa o economista Claudio de Moura Castro.

Confira, a seguir, alguns dos principais empecilhos ao salto educacional brasileiro.

Gestão ineficiente

Especialistas em educação sustentam que não basta apenas despejar mais dinheiro no sistema educacional brasileiro. Outra disciplina em que o país encontra dificuldades é como aplicar bem os recursos disponíveis — que este ano devem somar R$ 114 bilhões.

— Há mau gerenciamento, e não é porque as pessoas são incompetentes. As estruturas são viciadas por clientelismo e corporativismo. Há nomeações políticas de diretores, em muitos lugares há dois professores para cada classe, tem muita gente que não trabalha. É uma cultura gerencial difícil de desmontar — avalia o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.

Desprestígio do Magistério

Falhas na gestão do ensino explicam, em parte, a dificuldade para desatar outro nó da educação brasileira: a baixa remuneração dos professores — tanto na rede pública quanto na particular. Os baixos salários têm duplo impacto: além de oferecerem pouco estímulo aos profissionais em ação, afugentam da carreira muitos dos melhores alunos.

– A baixa aprendizagem decorre da ausência de professores com qualidade. Tornar o magistério um objeto de desejo dos jovens é fundamental. Nos países com boa educação, ser professor tem bom retorno financeiro e reconhecimento social — avalia Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos pela Educação.

No Painel RBS realizado na terça, o especialista observou que, enquanto um professor ganha, em média, R$ 1,8 mil, outro profissional com titulação equivalente recebe R$ 2,8 mil. Países que estão no topo da educação mundial, como Coreia do Sul e Finlândia, pagam bem seus professores, o que lhes permite atrair mais interessados e selecionar os melhores.

Má formação dos professores

Para especialistas, o modelo de treinamento dos mestres brasileiros é uma das razões principais para o desempenho pífio dos estudantes nas avaliações nacionais e internacionais. A principal crítica é de que os cursos não preparam adequadamente.

— Em primeiro lugar, para se formar um bom professor, você tem de aprender o conteúdo a ser ensinado. Em segundo, você tem de aprender a dar aula. O terceiro é tudo mais, ou seja, cultura, ideologia, identidade do professor, antropologia e sociologia da educação, legislação, tudo o que é periférico. No Brasil, as faculdades só ensinam o “tudo mais”, o periférico. Faltam os temas centrais — diz o economista e especialista em educação Claudio de Moura Castro.

Baixo investimento na Educação Básica

Um dos problemas que o país precisa resolver para elevar a qualidade do seu ensino é de matemática. O Brasil aplica, em média, um valor muito baixo para cada estudante da educação básica. O gasto público, em 2010, era de apenas R$ 3,5 mil ao longo de um ano. Isso representa todo o investimento estatal feito diretamente em educação dividido pelo número de alunos.

— Ainda investimos menos do que países como Argentina, México ou Chile — compara Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação.

Uma comparação internacional feita com base nas cifras aplicadas em 2008 convertidas para dólar demonstra que, em uma lista de 34 países, o Brasil só aplicou mais dinheiro por aluno de qualquer nível de ensino do que a China. Outro problema é o desequilíbrio entre os níveis educacionais. Enquanto há R$ 17,9 mil disponíveis ao ano para cada universitário, o estudante do Fundamental ao Médio conta com cinco vezes menos.

Pouca inovação na sala de aula

As dificuldades de formação e remuneração dos profissionais da educação, somadas às restrições de orçamento, resultam em outro problema: a dificuldade para apresentar um sistema de ensino renovado, inovador e capaz de despertar o interesse dos estudantes.

— Temos hoje uma situação em que a escola é do século 19, o professor é do século 20, mas o aluno é do século 21. Precisamos colocar todos no mesmo século. Para isso, é preciso ter um currículo atraente, com inovação e criação de mecanismos que estimulem a pesquisa. O aluno do século 21 não quer coisa pronta, enlatada – analisa Mozart Neves Ramos.

Baixa participação da comunidade

Os problemas da educação brasileira não estão apenas dentro do colégio. Um dos elementos apontados para o mau desempenho internacional é o pouco envolvimento de quem está do lado de fora dos muros escolares no universo da educação. A pouca intimidade foi demonstrada pela pesquisa Educar Para Crescer, realizada pelo Ibope: 72% das famílias brasileiras se dizem “satisfeitas”com a educação nacional, e dão uma média 7 (em uma escala de zero a 10) para as escolas públicas e privadas.






quarta-feira, 18 de julho de 2012

GOVERNO REAFIRMA APELO PARA O FIM DA GREVE DOS PROFESSORES





O governador Jaques Wagner volta a falar, no programa de rádio desta terça-feira (17), do empenho do governo para que sejam retomadas as aulas na rede pública e destaca o acolhimento da proposta apresentada, na semana passada, pelo Ministério Público e Tribunal de Justiça, como forma de romper o impasse e restabelecer a normalidade nas escolas da rede estadual de ensino. “É importante esse diálogo com o conjunto dos professores e espero que eles entendam que é um esforço do estado baiano e se sensibilizem com o sofrimento dos alunos e pais de alunos”.

Jaques Wagner destaca ainda as medidas para enfrentar os efeitos da seca na Bahia e o lançamento, na última sexta-feira, da pedra fundamental do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e o batismo da Plataforma P-59, da Petrobras, pela presidente Dilma Rousseff, em São Roque do Paraguaçu, município de Maragogipe, no recôncavo baiano.

Com relação à greve dos professores, o governador informa que tinha feito uma proposta anterior de investir a mais R$ 213 milhões nas despesas com a educação, mas acatou a proposta do MPE e do TJ/BA, que ampliou em outros R$ 23 milhões, especificamente para atender a questão salarial da categoria.

Diz também que a proposta antecipou em um mês – de abril para março de 2013 – o pagamento da segunda parcela do reajuste de 22% e ampliou o número de beneficiados com as promoções, contemplando, inclusive, o pessoal em estágio probatório.

“Agora está faltando a outra parte”, afirma Wagner, voltando a apelar para a normalização das atividades escolares nas unidades que ainda insistem na paralisação. Segundo ele, o retorno às aulas já está ocorrendo em mais de 1.100 das 1.400 escolas da rede estadual.

Wagner conclama a categoria para um ponto final no impasse e, para isso, espera contar com a compreensão dos professores. Reafirma a sua disposição para o diálogo, porém dentro dos limites. “Espero que, finalmente, com esse esforço a mais, a gente consiga a normalização”.



Capacidade baiana 

O governador comenta sobre a participação da presidente Dilma Rousseff nos dois eventos em Maragogipe e destaca a importância dos empreendimentos para o estado da Bahia. Segundo ele, o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, genuinamente baiano, vai implicar num investimento de R$ 2 bilhões e deve empregar de sete a oito mil pessoas, diretamente, trazendo um forte impacto positivo, não só para Maragogipe, mas para todo o Recôncavo. “É mais uma grande conquista da Bahia”.

Wagner diz que a Plataforma P-59 é o mais moderno equipamento desse estilo no mundo e um orgulho para os baianos e para ele próprio, que vem da área industrial. “Todo mundo sabe que eu comecei no chão de fábrica, lá no Polo Petroquímico. Isso me deixa, e ao povo baiano, com a autoestima elevada”.

Segundo Wagner, a plataforma foi construída em três anos e meio, e “mostra a capacidade do nosso povo e a inteligência da nossa engenharia”. Ele informa também que a P-60, mais uma plataforma semelhante à P-59, será entregue daqui a quatro meses. “É mais uma demonstração da capacidade da nossa gente”.







Fonte: SECOM - Ba

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quanto vale um professor?

Brasil fica em 18º lugar em levantamento que comparou 28 países; estudo mostra que, em vários países, benefícios indiretos podem até superar salários


Na sociedade do conhecimento, o professor universitário é mal pago. Pior: em muitos casos, é visto não como um membro da elite intelectual, mas como mais um trabalhador qualificado. Essa é uma das conclusões de um estudo comparativo de 28 países publicado este mês pelo Center for International Higher Education do Boston College. Ele mostra que o Canadá é o país que melhor paga seus docentes (média de US$ 7,1 mil). O Brasil ficou numa posição de intermediária para baixa, 18.º lugar, com média de US$ 3,1 mil (veja abaixo).

O estudo usou na maior parte dos casos dados de universidades públicas. Os valores em dólares foram calculados com base no poder de compra de uma cesta de bens e serviços.

“O Brasil se saiu relativamente bem: ficou abaixo dos países desenvolvidos, mas com destaque no âmbito regional”, diz o colombiano Ivan Pacheco, assistente de pesquisa do Boston College. “Tivemos surpresas positivas, como a Índia, onde o governo fez um esforço grande para melhorar salários. E negativas, como a Armênia: os salários estão baixos nos países da antiga União Soviética.”

Outra conclusão do estudo é a de que, com exceção dos países anglo-saxões, benefícios indiretos são tão importantes quanto salários. Os bônus vão desde incentivos dados pela Índia a quem faz vasectomia à remuneração por produtividade, usada em larga escala na China. “A tendência em muitos países é de aumento do gap entre professores superstars e os que não conseguem nem ter uma vida decente de classe média.”










Fonte: Estadão

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Professores recusam proposta do MP-BA e greve continua na Bahia

Categoria não aceitou proposta elaborada pelo Ministério Público da BA e greve completa 94 dias e compromete o ano letivo dos estudantes.


Professores votam à favor de continuidade da greve (Foto: Jairo Gonçalves/ G1)


Em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (13) os professores recusaram aproposta elaborada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e decidiram manter a greve. Diante desta resolução, a greve dos professores da rede estadual de ensino completa 94 dias e compromete ainda mais o ano letivo na Bahia.

Antes mesmo de se reunirem na Assembleia Legislativa, os professores já indicavam que não estavam satisfeitos com a proposta apresentada pelo órgão, que intermedeia as negociações entre a categoria e o governo. De acordo com Rui Oliveira, coordenador geral do sindicato (APLB) que falou com a imprensa antes da votação em assembleia, a greve continua porque não foram contemplados itens como a readmissão dos 57 professores exonerados e a devolução imediata dos salários cortados. Os professores voltam a se reunir em assembleia na próxima semana.

"Não há cenas dos próximos capítulos, isso aqui não é Avenida Brasil, os professores merecem respeito e a greve vai continuar", diz Rui, completando sua fala pedindo o apoio da comunidade ao movimento.

Os professores já haviam sinalizado ainda na noite de quinta-feira (12) que a proposta não havia agradado a categoria, pois se reuniram para analisar o documento apresentado pelo MP-BA e consideraram a proposta insuficiente. Na ocasião Rui Oliveira informou que a proposta será encaminhada para as representações da categoria no interior do estado para que eles participem da elaboração de contraproposta.



Proposta do MP-BA 

Na proposta do MP-BA, os 22% de reajuste não seriam pagos este ano como querem os professores. Os dois avanços de 7% ficam mantidos - o primeiro em novembro e o segundo seria antecipado de abril para março, de 2013. Os professores em estágio probatório, aprovados em concurso, mas que ainda não têm estabilidade, estariam incluídos nas promoções. As punições aos professores seriam revistas e o pagamento dos salários cortados estariam condicionados a um plano de reposição de aulas.

A primeira avaliação do comando de greve foi logo após a reunião do MP-BA com os sidicalistas e os representantes do Governo. Eles conversaram cerca de meia hora a portas fechadas. Na saída, Rui Oliveira disse que não houve "muita" alteração na proposta. "Deixa a desejar no que diz respeito a coisas ambíguas, como readimissão dos demitidos. Diz que vai rever, vai analisar, mas não diz que vai readmitir. É muito insuficiente e nós achamos que a greve deve continuar" afirmou ainda na noite de quinta-feira (12).


Cerca de 150 professores foram à sede do MP acompanhar movimentação (Foto: Rafaela Ribeiro/ G1)



Wagner pede retorno

O governador Jaques Wagner não participou da reunião com o MP-BA e os professores, porém concedeu coletiva à imprensa para comentar o assunto. Ele reiterou o pedido para que as aulas recomecem na segunda-feira (16), elogiou a intermediação do MP-BA, junto com o Tribunal de Justiça (TJ-BA), para o fim da greve, e abordou a expectativa em relação ao próximo encontro dos professores.

"Espero que a partir de segunda-feira o direito dos alunos de estudar possa retornar. Aquilo que foi proposto pelo MP eu estou acatando; a antecipação [do reajuste] e a inclusão do estágio probatório nas promoções. São mais de R$ 23 milhões. É praticamente R$ 10 a 11 milhões que estava previsto na primeira proposta. Insisto para que os meninos possam concluir [o ano letivo]", disse o governador.



Números

Segundo levantamento feito na quarta-feira (11) pelo Governo do Estado, o monitoramento diário que aponta quantas escolas estão funcionando na Bahia indica que, das 1.408 unidades de ensino, 200 funcionam parcialmente, 303 estão totalmente paralisadas e 905 funcionam normalmente. Embora apenas 21% das escolas estaduais permaneçam sem aulas no estado, 78% desse percentual é de instituições localizadas na capital.



Encontro com professores

Após a reunião de terça-feira (10), a vice-coordenadora do Sindicato dos Professores Estaduais, Marilene Betros, disse que o encontro com representantes do Ministério Público foi "muito positivo". Pela manhã, a assembleia-geral realizada pela categoria não apontou o fim da greve. "Consideramos muito positiva. O governo encaminhou os documentos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação]. Nós reiteramos a nossa proposta e colocamos o que era necessário", afirmou a sindicalista.

De acordo com Marilene Betros, o sindicato pediu a anulação de determinações judiciais acerca dos salários cortados e do congelamento das contribuições recebidas pelo sindicato. A categoria solicitou ainda a suspensão dos processos administrativos-disciplinares abertos contra os grevistas. Uma nova reunião da categoria com a promotoria está prevista para quinta-feira (12).



Greve ilegal

A Justiça da Bahia confirmou a ilegalidade da greve dos professores da rede estadual de ensino em julgamento realizado na tarde de sexta-feira (6). A decisão foi proferida pela desembargadora Deisy Lago Coelho, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que relatou o processo. Na decisão ela determinou a imediata suspensão da greve e dobrou o valor da multa diária a ser paga pelo sindicato da categoria em caso de desobediência, de R$ 10 mil. A ilegalidade da greve havia sido declarada pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, Ricardo D’ Ávila, no dia 14 de abril, três dias após a primeira assembleia.

Os autos do processo foram cassados e remetidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a instância jurídica estadual no dia 29 de junho. O ministro Ricardo Lewandowski chegou a considerar "lamentável" o fato do TJ-BA não ter se posicionado em relação à situação de greve. "O órgão judiciário que, embora competente para apreciação da controvérsia, ainda não se manifestou, de modo inaugural, nos autos da referida ação civil pública", apontou.



Demissões

Cinquenta e sete professores do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) tiveram os contratos rompidos com o Governo do Estado da Bahia por não acatarem a convocação de retorno imediato às salas de aula, segundo informações da Secretaria de Administração do Estado (Saeb). O desligamento dos profissionais foi oficializado em divulgação no Diário Oficial do Estado do dia 28 de junho.

No mesmo dia, foi publicado no documento o afastamento de três professores efetivos, com punição aplicada a eles de processo administrativo por indisciplina, de acordo com a Saeb. Os três serão punidos por adotarem comportamentos inadequados, como vandalismo e ameaças, ao tentar impedir aulas para estudantes do 3º ano do ensino médio do Colégio Thales de Azevedo, no bairro do Costa Azul, em Salvador.



Pedido dos professores

Os professores pedem reajuste de 22,22%. Eles alegam que o governo fez acordo com a categoria, em novembro do ano passado, que garantia os valores do piso nacional, e depois ignorou o acordo mandando para a Assembleia um projeto de lei com valores menores. No dia 25 de abril, os deputados aprovaram o projeto enviado pelo executivo que garante o piso nacional a mais de cinco mil professores de nível médio. A proposta feita pelo governo prevê reajuste salarial entre 22% e 26% por meio de progressão na carreira, através da presença regular em cursos de qualificação promovidos pelo governo. O sindicato aponta, por outro lado, que a proposta não contempla os professores aposentados, em licença médica e estágio probatório.






Fonte: G1

segunda-feira, 4 de junho de 2012

NO ENSINO MÉDIO, ÍNDICE DE REPROVAÇÃO BATE RECORDE EM 2011

Taxa na rede pública chegou a 14%, enquanto a média nacional é de 13%

João Bittar/MEC

Assim como o Ensino Fundamental, o Ensino Médio também registrou uma melhora nas taxas de aprovação da rede pública: de 71,8% para 75,2% entre os últimos cinco anos, considerando o período compreendido entre 2007 e 2011. As taxas mais baixas de aprovação permanecem no 1º ano. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

No entanto, as taxas de reprovação bateram recorde histórico em 2011: 14,1% na rede pública, índice acima da média nacional (que inclui a rede privada), que foi de 13,1%. No geral, as escolas públicas do País, tanto da zona rural quanto da urbana, apresentam as piores taxas.

Novamente, é o 1º ano do Ensino Médio que apresenta a pior situação, com quase 20% dos alunos reprovados. O abandono também é maior neste ano: 13,2%, acima da média total e da média do País.

A tabela abaixo apresenta mais dados apresentados pela rede pública em 2011.



Taxa Série 

Total 1.º ano 2.º ano 3.º ano 4.º ano Total Não- Seriado
Aprovação 75,2% 67,7% 77,3% 83,8% 88% 77,5%
Reprovação 14,1% 19,1% 12,8% 8,2% 4,3% 10,7%
Abandono 10,7% 13,2% 9,9% 8% 7,7% 11,8%



Fonte: Inep 2011.


Uma das possibilidades para a alta taxa de reprovação apresentada pelo Ensino Médio no ano passado seria, segundo o economista e coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, a incorporação de mais pessoas nessa etapa de ensino, atraídas pela chance de, futuramente, conquistar uma vaga em uma faculdade ou universidade.

“Hoje, temos um grande processo de inclusão no Ensino Superior, com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa Universidade Para Todos (ProUni). Com esses mecanismos mais inclusivos, o Ensino Médio passa a ser visto como porta de entrada para eles”, explica. “Este cenário atrai mais gente, incorporado assim pessoas de condições socioeconômicas mais baixas e que estavam fora do sistema.”

Antônio Batista, coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), também afirma que uma das hipóteses para o recorde de reprovação no Ensino Médio seja um maior número de alunos no sistema, mas aponta a falta de preparo das escolas para recebê-los como o maior desafio.

“A escola tem poucas condições para lidar com esse aluno. A reprovação ser maior no 1º ano mostra, inclusive, que ele é um filtro dessa situação”, afirma.



Propostas

O Ensino Médio vem sendo alvo de debate das políticas públicas nos últimos anos. Os dados de desempenho mostram uma situação crítica: apenas metade dos jovens com 19 anos declaram ter concluído o Ensino Médio. Além disso, 11% dos que acabam essa etapa da Educação Básica aprenderam o que era esperado do conteúdo de matemática.

Wanda Engel, superintendente do Instituto Unibanco e especialista em Ensino Médio, afirma que o baixo desempenho apresentado por esses alunos decorre das deficiências de aprendizagem no Ensino Fundamental.

“O Ensino Médio é a última parte da Educação Básica. Se o aluno chega até ele sem ter os pré-requisitos para adquirir novas competências, ele certamente terá problemas para aprender os novos conteúdos. Conhecimento é construção”, explica. “Se falta condição acadêmica para esse jovem, ele será reprovado e é um candidato a abandonar a escola.”

Além disso, segundo Wanda, aqueles que reprovaram no Ensino Fundamental chegam ao Médio mais velhos, numa idade em que já são cobrados socialmente para gerarem renda, e, por isso, são ainda mais propensos a abandonar os estudos. “Por isso, possibilidades para mudar o quadro é criar uma forma desse aluno ter renda e continuar na escola. Uma ideia é que ele exerça atividades remuneradas dentro do próprio ambiente escolar, como monitoria, por exemplo. Isso evita que ele deixe a escola”, sugere ela, que é contra o Ensino Médio noturno.

No início deste ano, o MEC aprovou novas diretrizes curriculares para o Ensino Médio – que previam, inclusive, aulas à distância para as turmas noturnas, recurso proposto pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que concebeu a resolução, mas vetado do documento pelo governo. A resolução tem 23 artigos e propõe que as escolas ofereçam, dentro de seus currículos, quatro possibilidades de dimensões temáticas: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. A ideia do CNE é que a escola seja mais atraente e se aproxime mais do projeto de vida de seus estudantes.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados instalou uma Comissão Especial (CESP)para discutir a situação do Ensino Médio. O objetivo dela é realizar estudos e pesquisas, além de apresentar propostas para a reformulação dessa fase da escolaridade.




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