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sexta-feira, 12 de julho de 2013

VOTAÇÃO DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESTÁ ATRASADA HÁ 3 ANOS




Ao contrário do projeto dos royalties para Educação, o PNE, que traça 20 metas para o setor, ainda não tem data para ser apreciado no Senado

Fonte: O Globo (RJ)



Diferentemente do projeto dos royalties do petróleo, que será apreciado nesta terça-feira (02) no Senado, o Plano Nacional de Educação ainda não tem data para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da casa. Tramitando no Congresso desde dezembro de 2010, o texto traçaria 20 metas educacionais para o período entre 2011 e 2020. Na teoria, ele deveria entrar em vigor no dia 1º de janeiro de 2011. Na prática, como está atrasado, sua vigência valerá até 10 anos a partir de sua entrada em vigor. Só na Câmara dos Deputados, o texto recebeu mais de três mil emendas.

Dentre as 20 metas do PNE, estão a inclusão de 3,2 milhões de crianças e adolescentes na educação básica e a equiparação dos salários dos docentes com profissionais de outras áreas com escolaridade equivalente. A 20ª meta, a reserva de 10% do PIB para a educação, é considerada por especialistas como a mais significativa do texto. Para o governo federal, ela só seria cumprida se o projeto de lei original que reservava 100% dos royalties para a Educação fosse aprovado sem alterações.

Para a diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, apesar de muitos manifestantes terem levado cartazes onde se pedia “10% do PIB para a Educação”, a aprovação do PNE não entrou na pauta dos protestos que lotaram as ruas do país.

- O PNE não ganhou a grande massa. Se você perguntar para uma pessoa na rua o que é o PNE, provavelmente ela não vai saber responder. Mas se houver uma pressão popular, o voto do parlamentar será influenciado – disse a diretora-executiva do Todos pela Educação.

Priscila afirma ainda que o atraso em quase três anos de vigência do PNE deixa estados e municípios sem coordenação, o que reduziria o impacto de políticas concertadas:
- Eles ficam sem coordenação, sem alinhamento. Enquanto o PNE não é aprovado, alguns os governos estaduais e municipais fazem planos locais e até tentam antecipar as metas, mas não são todos que têm essa boa vontade.













quinta-feira, 11 de julho de 2013

AGRESSÕES FAZEM PARTE DA TRISTE ROTINA DO PROFESSOR BRASILEIRO




Violência de alunos contra docentes evidencia uma "cultura de agressão"

Fonte: Gazeta do Povo (PR)




No início de 2012, enquanto dava uma de suas aulas no Colégio Estadual Santa Gema Galgani, em Curitiba, o Professor de Matemática Francisco Gasparin Neto foi interrompido por um Aluno do Ensino médio que chegou atrasado. Como sempre faz nesse tipo de situação, Neto instruiu o Aluno a sair, pedir licença e entrar novamente. O fim desse diálogo terminou na delegacia.

O estudante, que tinha 18 anos, se revoltou com o pedido e deu início a uma série de ofensas, feitas em alta voz e tom intimidador. O caso passou pela direção e em seguida o Professor registrou um boletim de ocorrência. Depois de uma audiência de conciliação, o estudante foi obrigado a pagar cestas básicas à comunidade local. Ele foi condenado por desacato a funcionário público no exercício da função.



Diálogo entre as partes é a melhor solução

A Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) optam pela cautela no que diz respeito às medidas que um Professor vítima de agressão deve tomar. Segundo a assessoria da SME, a orientação dada aos Docentes da rede municipal é de que toda situação de violência, seja entre estudantes ou envolvendo profissionais de Ensino, deve ser resolvida dentro da própria Escola, a partir do diálogo.

Como a maior parte das Escolas da prefeitura atendem apenas crianças até o 5.º ano do Ensino fundamental – apenas 11 Escolas atendem Alunos do 6.º ao 9.º ano – , o volume de ocorrências de agressão contra Professores tende a ser menor. Mesmo assim, quando ocorrem, o procedimento padrão é resolver a situação com os responsáveis pela pedagogia e direção. Em alguns casos as famílias são chamadas e participam na Escola da tomada de decisão sobre como o estudante pode se retratar diante de sua atitude.

De acordo com a Seed, as Escolas estaduais também são instruídas a resolverem os problemas internamente, e a agirem preventivamente sempre que um profissional nota o risco de violência. Tanto em caso de agressões verbais (calúnia, difamação e injúria) quanto físicas, os pais do estudante agressor são convocados e se faz o registro do ocorrido no livro ata da Escola. Quando ocorre uma agressão grave, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) pode ser acionado.

Nessas situações, o Conselho Tutelar recebe um ofício e comunica a autoridade policial para que se faça um boletim de ocorrência numa delegacia. No caso de Curitiba, que conta com estabelecimento específico, o boletim deve ser feito na Delegacia do Adolescente. Por fim, o caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude ou ao Ministério Público da região. A punição, em geral, são medidas sócioeducativas.

A atitude do Professor Neto é uma raridade. Receber agressões verbais faz parte da rotina de muitos profissionais de Educação. No entanto, confusos diante do que podem ou não fazer, a maior parte simplesmente tolera o desrespeito, ou transfere o problema à coordenação pedagógica, função que, em tese, não deveria se responsabilizar pela distribuição de broncas. “Muita coisa seria diferente se mudássemos nossa conduta, e passássemos a usar os artifícios legais contra toda a violência e desrespeito”, afirma Neto.

No mês de maio, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular e pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo mostrou que a cada dez Professores daquele estado, pelo menos quatro já sofreram agressões físicas ou verbais por parte de Alunos. O mesmo relatório mostra ainda que 42% dos Docentes já viram Alunos sob efeito de drogas, e 29% testemunharam tráfico dentro da Escola.

Segundo a APP-Sindicato, não há dados sobre a frequência das agressões feitas por Alunos contra Professores no Paraná, mas são constantes e variadas as histórias de violência compartilhadas por profissionais com seus colegas. “Seria algo muito importante se o governo promovesse uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre esse tipo de ocorrência”, sugere a Professora Janeslei Aparecida Albuquerque, se­cretária de formação política e sindical da APP.



Problema histórico

Para o doutor em Educação e Professor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Joe Garcia, é necessária uma análise mais ampla, que se refere à cultura de agressão nas Escolas em geral. “Em nosso país é recente a proibição da violência física contra Alunos, embora seja ainda muito presente a violência simbólica”, diz.

Para Garcia, em geral, as agressões surgem de uma mentalidade que vê a violência como um instrumento legítimo para resolver conflitos, lidar com as diferenças, expressar discordância ou mesmo responder à violência que vem do outro. “Os estudantes estão reproduzindo uma lógica social que tem sido alimentada no mundo há séculos”, diz, lembrando que, em nome da Educação, métodos violentos foram usados para lidar com tudo aquilo que era julgado inapropriado ou intolerável.













segunda-feira, 8 de julho de 2013

SENADO CORTA 53% DOS ROYALTIES QUE IAM PARA EDUCAÇÃO. HEIN???




Novo texto reduziu o repasse para a Educação de R$ 209 bilhões para R$ 97 bilhões

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)







O projeto de lei que destina royalties do petróleo para Educação e saúde, aprovado pelo Senado na noite de terça-feira, reduziu em 62% o montante direcionado às duas áreas em relação ao que havia sido votado pelos deputados.

Com isso, o repasse cai de R$ 279,08 bilhões para R$ 108,18 bilhões. No caso da Educação, o porcentual diminui 53,43% de R$ 209,31 bilhões para R$ 97,48 bilhões, Na saúde, com a redução de 84,7%, o valor despenca de R$ 69,77 bilhões para R$ 10,7 bilhões. A estimativa é da Consultoria Legislativa de Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos da Câmara, com dados da Agência Nacional do Petróleo.

É um retrocesso ao clamor popular, avaliam especialistas. O projeto da Câmara, votado na semana passada em meio ao furor das manifestações que pediam 10% do PIB brasileiro para a Educação, não chegava a alcançar esse porcentual, mas previa um acréscimo de 1,1% do PIB para o setor até 2022, chegando a 7% - hoje são 5,8%.

"A redução feita pelo Senado derrubou o porcentual de 1,1% para apenas 0,4% do PIB. Foi o anticlímax. Existia um ganho que não era o ideal, mas melhorava bem. Agora voltamos quase ao zero", diz o Professor Luiz Araújo, especialista em financiamento e políticas públicas.

O relator do projeto é o líder do governo na Casa, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e as alterações, segundo os bastidores no Congresso, são resultado de um acordo entre governo e líderes partidários.

Entre as mudanças propostas pelo Senado, duas delas explicam a redução do investimento. A primeira é em relação aos contratos já assinados. Assim como a Câmara, o texto dos senadores mantém que royalties obtidos com a produção atual de petróleo, em contratos assinados desde 3 de dezembro de 2012, já sejam destinados ao setor. A diferença é que, pelo substitutivo, a regra vale só para os royalties que cabem à União: Estados e municípios ficam isentos da obrigatoriedade.

A outra alteração que interfere no montante de verbas é a questão do Fundo Social. O projeto do Senado destina 50% dos rendimentos dos recursos recebidos pelo Fundo Social, em vez do total. Isso significa que o excedente em óleo referente aos contratos de partilha de produção não será destinado às áreas de Educação e saúde, a não ser pelos rendimentos.

"A nossa luta não é para criar pressão sobre a base econômica brasileira. O que pedimos para a Educação não vai quebrar o País. Mudar tudo isso é chamar o povo de idiota. O País não pode abrir mão dessa conquista", afirma o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

Um estudo do Professor Nelson Cardoso Amaral, especialista em financiamento da Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra que, para chegar ao valor que os Estados Unidos investem por ano em cada estudante, o Brasil teria de empenhar 10% do PIB de hoje até 2040.

Um documento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta outras possibilidades para a necessidade de aumentar recursos, como a ampliação de impostos e a vinculação de pane das contribuições para osetor, até ações como melhorar a gestão c o controle social dos gastos públicos.

Empenho. Em nota, a assessoria de imprensa do senador Eduardo Braga, relator do projeto, diz que o valor estimado no projeto da Câmara era equivocado por basear-se em premissas não fundamentadas e que as alterações introduzidas no Senado buscaram aprimorar o texto, "minimizando o risco de judicialização e evitando o uso indevido do Fundo Social".

De acordo com a nota, "utilizar no País as receitas do Fundo Social contraria todos os princípios para os quais ele foi criado, especialmente a estabilidade econômica e a capacidade de competição".

Ao fim, o texto divulgado salienta que a iniciativa de vincular os 100% dos royalties do petróleo para a Educação foi uma iniciativa do governo. "Portanto, o governo e o Parlamento brasileiro tem o maior interesse em aumentar as verbas, mas : de maneira responsável e segura juridicamente."

Por causa das alterações realizadas, a matéria volta a ser discutida na Câmara. A Casa deve votar, na próxima semana, se aceita as modificações no texto ou se mantém o que havia sido aprovado anteriormente. Após essa decisão, o projeto segue para a presidente, que decidirá pelo sanção ou veto.













quinta-feira, 4 de julho de 2013

OPINIÃO: A (DES)EDUCAÇÃO BRASILEIRA



"A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica", afirma Wemerson Damasio

Fonte: Gazeta do povo (PR)







Acontecimentos recentes – ou melhor, acontecimentos que querem que pensemos que sejam recentes – levantaram questões sobre a Educação no Brasil, como a violência e o consequente descaso das autoridades. No entanto, não é de hoje, e muito menos de ontem, que fatores violentos assombram as Escolas e todos aqueles que fazem parte delas.

Vivemos em um país onde os números falam mais alto que a percepção e bom senso do cidadão; onde o Índice de Desenvolvimento da Educação básica é camuflado bienalmente; onde o Professor passou de transmissor de conhecimentos para Educador básico e cuidador de crianças, em média 30 ou 35 por aula, recebendo uma responsabilidade que não lhe pertence: a de educar, no sentido primordial de um dicionário qualquer. Nesse processo de formar cidadãos (porque a responsabilidade agora cai única e exclusivamente sobre o profissional da Educação) exclui-se, quase que em sua totalidade, a participação familiar e política desse pré-cidadão; expõe-se pré-adolescentes, adolescentes e profissionais ao barbarismo e conquistas medievais, guerras travadas diariamente por um espaço na sociedade.

Fala-se constantemente da erradicação da miséria. Promovem-se projetos, distribuem-se benefícios e engana-se uma nação. Escondem atrás de algumas notas de real uma realidade que, aparentemente, é aceita por aqueles que são beneficiados. Esquece-se, porém, que uma nação necessita de muito mais que apenas algum dinheiro no bolso; que a promoção cidadã é galgada diariamente com muito esforço, suor e Educação. Educação em seu mais amplo sentido, e tal amplitude estacionou nas costas daqueles que se propõem a enfrentar uma guerra munidos apenas de um pouco mais de conhecimento e boas intenções de transmiti-lo.

Nesse contexto, todos se prejudicam: educandos e Educadores, filhos e pais, cidadãos e país. A espera por uma sacudida no processo educacional fica cada vez mais utópica. O reflexo de tudo isso será percebido por gerações das quais, espero, não farei mais parte, tendo em vista que num futuro próximo as nossas vidas serão cuidadas e comandadas pela geração atual que desrespeita, agride, quase nada apreende e expõe-se, orgulhosamente, à regressão nas mídias. Por outro lado, podemos também ser cuidados e comandados por aqueles que, espertamente, nos deixarão de herança seu sucessores.

Violência não é apenas socos, pontapés e agressões verbais; inclui-se nela também o descaso familiar e político para com uma geração que um dia povoará o país. O nosso país.

*Wemerson Damasio, especialista em Metodologia de Ensino, é Professor especialista da rede pública estadual e municipal. 










quarta-feira, 12 de junho de 2013

DEBAIXO DA PONTE, UM ALUNO NOTA 10 QUE SONHA SER MÉDICO



José Luiz Moni, 15 anos, um estudante exemplar, espera se tornar doutor no futuro

Fonte: Zero Hora (RS)




Debaixo de uma ponte da BR-116 mora um menino que drena toda a sua força para os estudos na esperança de, futuramente, se formar doutor. Colecionador de notas 10, José Luiz Camboim Moni tem 15 anos, pouco menos de 1m70cm e se expressa melhor com um sorriso doce do que com as palavras.

Tendo como teto o asfalto da rodovia que liga Porto Alegre ao Interior e rodeado pelas dificuldades de quem não tem um endereço formal com CEP e número de residência, José mora com a mãe, viúva, e dois irmãos.

Os obstáculos que encontra nos planos para se tornar médico, ele supera com criatividade. São muitos os exemplos. Sem pasta para carregar os livros, avistou nas últimas férias uma mochila boiando no Arroio Sapucaia. Recolheu, limpou e hoje a usa para ir à escola. Repetiu de ano apenas uma vez, aos sete anos, quando ingressou na Escola Estadual de Ensino Fundamental Ezequiel Nunes Filho, de Esteio. Foi justamente na época em que o pai morreu atropelado. O acidente coincidiu com o mesmo ponto da rodovia em que a família vive hoje — perto do km 259, em frente à empresa Refap. Depois da repetência, virou um aluno exemplar. Jamais deixou de entregar um trabalho. Em 2012, recebeu um certificado por estar entre os melhores alunos.

São 10 minutos a pé que separam José da escola. Quando retorna para o lar, nem mexe nos cadernos. No barraco de piso vermelho, de terra úmida e luz fraca, precisaria dividir a atenção no conteúdo com o trepidar do asfalto sobre a sua cabeça e com o ranger dos trilhos do trem. Assim, adotou uma estratégia:

— Ele é o primeiro a entregar as tarefas e as realiza com ótimo desempenho. Como não tem um ambiente apropriado em casa para estudar, prefere fazer os temas na aula. Isso nos comove — revela Mart'Ana Silva Pereira de Melo, professora de língua portuguesa.

Sob a proteção da ponte, são os desenhos ou filmes no DVD que deixam José feliz. Foram estes momentos de lazer, assistindo a filmes de ação, aliás, que estimularam a imaginação do adolescente e fizeram brotar o desejo de salvar vidas.

— É o que eu gosto de fazer porque aqui não dá para fazer outra coisa. Se jogar bola, pode cair no arroio. Fico olhando os filmes, imaginando se um dia eu vou mesmo conseguir ser médico — argumenta José.

Estudante da 8ª série, preenche o dia com as idas constantes à biblioteca e ao laboratório de informática. Na internet, usa o buscador para executar os trabalhos e, sempre que dá, digita "corpo humano" em sites de busca e se diverte com os resultados sobre o tema que mais o atrai.

— Ele se concentra nas atividades e é muito inteligente. Leva tudo a sério. A gente percebe que ele tem consciência de que é preciso se dedicar para haver uma mudança na vida — avalia a diretora da escola Cláudia Alves.

Mas ainda falta muito para que o futuro do menino se organize. Prestes a ingressar no Ensino Médio, José nem sabe bem o que é Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). De todas as formas que persegue o sonho da Medicina, para ele, a letra é o sinal mais claro.

— Já tenho letra de médico. Só eu me entendo — brinca José.

— Mas no meu tempo não era assim. Tu tinhas a letra bem caprichada, José — observou Márcia Porciuncula, a professora responsável pela alfabetização.

A mesma mulher que mostrou a ele o universo do saber, agora está mobilizando a comunidade em torno de uma causa. Em novembro, os colegas farão uma viagem para o Beto Carreiro. São oito parcelas de R$ 52 que serão custeadas pela comunidade escolar para que ele possa acompanhá-los.

Será a primeira vez que o menino olhará o mundo que existe além de Esteio.

O trepidar dos pilares agora não assusta mais

A miséria não impede que José ande sempre no capricho: banho tomado, cabelo aparado, estômago cheio e roupas limpas. Sozinha, a mãe, Tatiana, 35 anos, cria o garoto e os irmãos Matheus, 13 anos, e Jorge,11 anos, e ainda auxilia a filha mais velha Jéssica, 19 anos, e o neto de três anos, que moram no mesmo terreno.

Tatiana sustenta a casa como carroceira. Ou melhor, sustentava. É que no começo de maio, um carro bateu na traseira do veículo velho e desmontou-o. Enquanto aguarda o conserto, trabalha em um galpão de reciclagem e, por isto, recebe uns trocados, que dão para as três refeições diárias.

Depois que o marido morreu, pagar as contas ficou cada vez mais complicado, e a mulher que sempre teve teto, quarto, sala, banheiro e cozinha, achou a ponte até que bem aprazível quando ficou sem ter para onde ir.

Chegou lá há oito meses. Levou tudo o que tinha na antiga moradia e mobiliou o espaço público. Foram dois meses até a família se acostumar com o trepidar dos pilares.

— Para dormir, só na base do remédio. Parecia que a qualquer momento um carro ia despencar nas nossas cabeças. Agora nem ligo mais — garante Tatiana.

Dá para contar nos dedos os poucos objetos que enfeitam paredes ou decoram ambientes: um relógio sem pilhas, um buda de porcelana, um ramalhete de chá de marcela, algumas fotos nas paredes do quarto e cartas que ganhou dos filhos.

Às 20h fecha as portas da casa — que de fora, se assemelha a uma caverna —, acomoda as crianças. Antes de dormir, retira a Bíblia do criado mudo ao lado da cama e lê até adormecer. O mantra em suas preces é sempre o mesmo: que todos os filhos encontrem o caminho do bem. Sobre os planos para o futuro, fora o de ter um médico na família, nenhum outro. Ainda não sabe se vai conseguir sair dali tão cedo, mas tem fé.

— Não há mal que dure para sempre, tu não acha? _ pergunta para a repórter.. 






segunda-feira, 10 de junho de 2013

MAIORIA DAS ESCOLAS BRASILEIRAS TEM INFRAESTRUTURA BÁSICA


Estudo de pesquisadores da UnB e da UFSC analisou as condições físicas de 194 mil unidades de ensino

Fonte: Agência Brasil







A maior parte das escolas brasileiras (84,5%) apresenta uma estrutura elementar ou básica. Isso significa que tem apenas água, banheiro, energia, esgoto, cozinha, sala de diretoria e equipamentos como TV, DVD, computadores e impressora. Na outra ponta, 0,6% das escolas apresenta uma infraestrutura considerada avançada, com sala de professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, parque infantil, além de laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com necessidades especiais.

É a informação que está no estudo dos pesquisadores José Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino, da Universidade de Brasília (UnB), e Dalton Francisco de Andrade, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Uma Escala para Medir a Infraestrutura Escolar. Os pesquisadores utilizam dados do Censo Escolar 2011 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O estudo foi feito com dados de 194.932 escolas, incluindo públicas e privadas, rurais e urbanas.

O estudo mostra que mais de 44% das escolas da educação básica brasileiras ainda apresentam uma infraestrutura escolar elementar, apenas com água, banheiro, energia, esgoto e cozinha.

Os pesquisadores se dizem surpreendidos com os resultados. “Há um percentual alto de escolas que não têm requisitos básicos de infraestrutura, como sala de diretoria, sala de professor e biblioteca. Assim, fica transparente a necessidade de políticas públicas que visem a diminuir as discrepâncias e promover condições escolares mínimas para que a aprendizagem possa ocorrer em um ambiente escolar mais favorável", diz o estudo.

"A criança, quando chega à escola, tem que ter equipamentos, conforto do ambiente para se concentrar, se dedicar aos estudos e ao aprendizado. O professor precisa de equipamento para desenvolver o trabalho dele, assim como a escola", explica em entrevista à Agência Brasil um dos autores do estudo, José Soares Neto. "O Brasil está passando por um momento em que é consenso que se deve investir em educação. A pesquisa traz uma perspectiva de como orientar esse investimento para resolver um problema que não é simples".

Dividindo-se por região, o Nordeste apresenta a maior porcentagem de escolas com estrutura elementar: 71%; e apenas 0,3% com estrutura avançada. A maior porcentagem de escolas com estrutura avançada está na Região Sul: 1,6% - na região, 19,8% das escolas têm estrutura elementar.

Levando-se em consideração a administração, mais da metade das escolas públicas federais (58,1%) têm uma infraestrutura adequada, ou seja, além dos itens básicos, como água, energia e cozinha, têm sala de professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva e parque infantil. Essas escolas têm uma estrutura melhor do que as estaduais ou municipais e até mesmo que as particulares, cuja maioria (58,4%) têm uma estrutura básica.

Outro dado destacado pelos pesquisadores é a diferença entre as escolas urbanas e rurais. "Enquanto 18,3% das escolas urbanas têm infraestrutura elementar, o oposto ocorre em relação às escolas rurais: 85,2% encontram-se nesta categoria", diz o estudo. 









quinta-feira, 23 de maio de 2013

OPINIÃO: AGRESSÕES NAS ESCOLAS: A RESPONSABILIDADE É DE TODOS




"A escola se preocupa com os conteúdos, mas conteúdo não se aprende em situação de sofrimento", afirma Esther Cristina Pereira

Fonte: Gazeta do Povo (PR)





É comum ouvirmos, enxergarmos, lermos e até visualizarmos bem de pertinho situações de agressões em qualquer lugar. Quando se fala em Escola, tem-se um sentimento diferente. Esse repúdio social à violência dentro da Escola deveria, sim, vir junto com um enorme questionário para avaliarmos o porquê da briga em ambiente Escolar entre crianças e adolescentes.

Em primeiro lugar, observar o todo é extremamente necessário, pois a Escola tem se tornado o primeiro ambiente social que a criança vive e nele iniciam os primeiros “nãos” que recebe. Temos nas mãos uma geração educada pelas famílias, ganhando e tendo tudo, não conhecendo a palavra não, não vivendo o dividir, o não ter e o esperar. Quando chegam às Escolas, essa geração de crianças e adolescentes começa a viver com os nãos, com as negações às suas vontades, pois estão convivendo com o social, comportamentos coletivos que são obrigados a trilhar, mas para o qual não foram preparados.

Pensemos em um pequenino, rei da sua casa, da sua família, filho único, neto único, tudo único. Ele não será todos os dias o primeiro da fila, ele não será atendido em todos os momentos pela Professora e terá de perceber que os outros também têm vez e voz. Fazer parte da coletividade é um dos pontos mais conflitantes para o ser humano.

Em segundo lugar, ouvir o outro, se colocar no lugar do outro, não é disciplina ou conduta ensinada às crianças de hoje. Impera o que eu quero, quando quero. Como na Escola são muitos que querem tudo ao mesmo tempo, os conflitos começam a dar sinais, pois assim o poder aparece e continuam em um ganha ganha infinito, muitas vezes pela violência.

A Escola é sim um espaço civilizador. É nela que o ser humano inicia seu estágio para conviver verdadeiramente com a civilização. Nesse espaço, a violência começa com pequenos conflitos e indisciplinas. Se eles não forem trabalhados com qualidade pelos adultos que nela estão inseridos, invariavelmente crescerão e se tornarão um problema muito maior.

A Escola, com seu papel de formadora, não pode terceirizar para porteiros ou monitores os problemas e conflitos entre os Alunos. Ela precisa trazer para si, junto com as famílias, os relacionamentos mal resolvidos e conversas mal acabadas, pois a violência entre os educandos é sempre coisa pequena que, quando mal resolvida, ganha dimensões muito maiores. E esse problema é sentido no ambiente Escolar, pois sempre um Aluno abre a guarda, contando para algum adulto a situação. A Escola se preocupa com os conteúdos, mas conteúdo não se aprende em situação de sofrimento.

Não existe um Professor que não consiga resolver conflitos. Existe aquele que não quer resolver, que não tira tempo para isso. A resolução de conflitos não precisa de curso ou aperfeiçoamento, basta o Professor querer abrir mão do conteúdo para auxiliar os seus educandos no processo de viver em sociedade.

Acreditar na Escola com autonomia e diálogo se faz necessário, pois ela existe. Uma instituição que ouça o Aluno, em toda a sua dimensão, que debata os problemas, os conflitos sociais e familiares, que gere nos educandos uma sinergia de autocomprometimento e ajuda mútua. Desta Escola é o que precisamos hoje.

Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação, de Curitiba (PR).









terça-feira, 21 de maio de 2013

44% dos professores de SP já sofreram agressão, diz sindicato

Pesquisa da Apeoesp ouviu professores em 167 cidades do estado.


Agressão verbal provocada pela falta de respeito é a mais comum.



Do G1 São Paulo




O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou nesta quinta-feira (9) uma pesquisa sobre a violência nas escolas. Quase metade dos professores entrevistados relata que já sofreu algum tipo de agressão. A pesquisa ouviu 1.400 pessoas em 167 municípios do estado.

Brigas entre alunos e crimes mais graves estão ocorrendo nas escolas. Dos professores da rede estadual, 44% deles dizem ter sofrido algum tipo de agressão - física ou verbal. 

Felippe Angeli, coordenador do sistema de proteção escolar da Secretaria Estadual de Educação, disse, por sua vez, que desde 2009 vem sendo desenvolvidas ações para lidar com estas questões nas escolas. Nesta quarta-feira (8), por exemplo, o governador Geraldo Alckmin e o secretário de Educação, Herman Voorwald, anunciaram a compra de câmeras e alarmes para vigilância eletrônica em escolas da Grande São Paulo e das regiões de Campinas e Baixada Santista. O objetivo é preservar o patrimônio público e inibir atos de vandalismo e violência. 

Para 35% dos professores entrevistados, os pais ou os responsáveis são quem deve resolver a violência praticada pelos filhos. Outros 25% acham que a escola também tem papel decisivo. E, para 19% dos entrevistados, o governo do estado tem que tomar medidas mais efetivas. 

Do total, 84% presenciaram ou ficaram sabendo de casos de violência na escola em que lecionam. Para 95%, os maiores responsáveis são os próprios alunos e apontam o uso de drogas e de álcool, o tráfico de drogas e a briga de gangues como situações que geram violência nas escolas. Os alunos são as maiores vítimas de da violência: 83%. 

A agressão verbal é a mais comum, segundo os professores. Para 74% dos entrevistados, o xingamento e a falta de respeito são os principais problemas. A desestruturação familiar é apontada por 47% como a razão da violência, e 49% acreditam que é resultado da educação que os alunos recebem em casa. Em segundo lugar aparece o bullying, com 60%. Pelo menos 5% dos entrevistados já sofreram agressão física. 

Para os professores, as escolas e o governo teriam que envolver os pais nesse debate contra a violência. Palestras e debates nas escolas atrairiam os pais para 28% dos professores. Para 16%, também é preciso investir em cultura e lazer dos alunos e familiares. Outros 15% querem que o policiamento nas áreas próximas às escolas seja reforçado para evitar a presença de gangues e tráfico de drogas. 

As câmeras de segurança que serão instaladas nas escolas, medida anunciada nesta quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin, não são vistas como uma grande medida contra a segurança, segundo os professores. Só 4% acreditam que as câmeras ajudem a reduzir a violência. 




Projetos 

Segundo Felippe Angeli, o Sistema de Proteção Escolar visa à prevenção de conflitos no ambiente escolar, à integração entre a escola e a rede social de garantia dos direitos da criança e do adolescente e à proteção da comunidade escolar e do patrimônio público. 

O programa, segundo Angeli, tem por base dois eixos distintos de atuação. O primeiro está relacionado à integração com a área de segurança pública, no qual está incluso o videomonitoramento das escolas para coibir a atuação de marginais e o vandalismo. "Inclusive, há um oficial da Polícia Militar prestando assessoria sobre assuntos de segurança nas escolas no gabinete do secretário neste sentido", explicou. 

O segundo eixo refere-se diretamente ao convívio escolar entre alunos, professores, pais e a comunidade onde a unidade está inserida. Neste sentido, foi criado o projeto Professor Mediador Escolar e Comunitário. "Este professor é treinador para trabalhar estes conflitos e para que sejam resolvidos de forma não violenta, inclusive fazendo esta articulação da escola com a comunidade. Cerca de 50% da rede de ensino contam com este mediador", disse. 






Fonte: G1

quinta-feira, 11 de abril de 2013

DOIS EM CADA 10 PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA NÃO TÊM CURSO SUPERIOR


Dados do Censo da Educação Básica 2012 mostram que, apesar de formação ter melhorado no País, há docentes sem diploma de graduação em todas as etapas escolares

Fonte: iG





De cada 10 professores que dão aulas na educação básica brasileira, dois trabalham sem diploma de ensino superior. O índice de docentes não graduados é maior nas turmas da educação infantil, mas há professores trabalhando sem formação adequada inclusive no ensino médio.

Os números do Censo Escolar 2012 mostram que 22% dos 2.101.408 professores brasileiros – 459 mil – não chegaram à universidade. Desse total, 8.339 terminaram apenas o ensino fundamental, 115.456 concluíram o ensino médio regular e 335.418, o magistério. Entre os 1,6 milhão diplomados, 223.777 não cursaram licenciatura, modalidade que prepara professores.

É na educação infantil que trabalha grande parte dos professores sem formação superior. Dos 443,4 mil professores dessa etapa, 36,4% não se graduaram. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é permitido que um professor que concluiu apenas o magistério lecione nessa fase, mas 10% dos docentes sequer têm essa formação mínima.

Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, fases em que todos os professores, por lei, deveriam ter cursado licenciatura para dar aulas, o cenário se repete. Do 6º ao 9º ano do fundamental, 22% dos 801 mil educadores não têm formação adequada (não cursaram faculdade ou licenciatura). No ensino médio, 18% dos 497 mil docentes estão nessa situação.

Para a ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação e diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda, todos os professores deveriam ser formados no ensino superior. “A profissão docente é muito complexa e requer formação específica e séria. A qualidade da educação está intimamente ligada à qualidade do profissional da educação. Aquela visão de que basta boa vontade e gostar de crianças está ultrapassada”, afirma.

A formação dos professores brasileiros, de modo geral, melhora a cada ano. Em 2011, o número de educadores sem curso superior (530.029) representava um quarto do total. Apesar disso, as diferenças regionais ainda persistem. Grande parte dos docentes com formação precária atua no Nordeste. Quase metade dos educadores com apenas o diploma de ensino médio regular – 50 mil dos 115 mil do País – leciona nas salas de aula nordestinas.

A Bahia é um dos Estados com mais problemas de formação dos docentes. Dos 157 mil professores, 1.150 têm apenas o ensino fundamental (13,8% de todos que estão nessa condição); 19 mil cursaram apenas o ensino médio regular e 50,8 mil não passaram do curso normal (magistério). Apenas a metade cursou uma faculdade.



Problemas na carreira

Sem incentivos para atrair os melhores estudantes para a carreira, especialistas acreditam que será difícil superar os problemas de formação dos professores, que não se esgota apenas com o estímulo à graduação. Na opinião de Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há problemas estruturais de formação dos alunos que só são solucionados dentro dos cursos de graduação.

“O aluno que não teve uma formação básica adequada não vai conseguir ser um bom professor. E, na média, infelizmente, são os alunos que tiveram mais dificuldades que acabam na profissão. A tendência do Brasil sempre é boa, mas temos um problema de ritmo dessa evolução na qualidade de ensino”, pondera. Segundo ele, a aprovação do Plano Nacional da Educação é importante para garantir recursos que acelerem a formação dos professores.

Pilar defende melhores salários e uma perspectiva mais atraente de carreira para mudar o cenário da educação. “A profissão não pode ser escolhida enquanto o jovem não acha coisa melhor”, comenta. Cara acredita que os cursos presenciais têm de expandir de forma mais direcionada, especialmente nas regiões em que eles são escassos.



Maioria feminina

Os dados do Censo Escolar mostram também que 1,6 milhão do total de professores do País é mulher. A região Nordeste é a que, proporcionalmente, possui mais educadores homens na educação básica. Dos 613 mil professores da região, 20% são homens. Metade dos docentes tem entre 25 e 40 anos de idade.

Dos 2 milhões de docentes da educação básica, 443 mil dão aulas na educação infantil; 1,4 milhão no ensino fundamental, 497 mil no ensino médio e 253 mil na educação de jovens e adultos.







quarta-feira, 20 de março de 2013

ENSINO MÉDIO BRASILEIRO ERA RUIM. E ESTÁ PIOR.



Só um em cada dez alunos encerra ciclo sabendo o que deveria em matemática - número inferior ao medido em 2009. Em português, a situação também não é boa, revela relatório da ONG Todos Pela Educação

Fonte: Veja.com



O ensino médio reúne atualmente alguns dos piores indicadores da educação brasileira. É nessa etapa da educação básica que se concentram as maiores taxas de abandono escolar e também as notas mais baixas no Ideb, índice que mede a qualidade de nossas escolas. E o pior: a situação não está melhorando, como comprova relatório divulgado nesta quarta-feira pela ONG Todos Pela Educação. Os dados, compilados a partir de resultados de 2011 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, revelam que apenas 10,3% dos alunos brasileiros terminam o ensino médio sabendo o que deveriam em matemática – ou seja, quase 90% dos alunos não aprendem o esperado.

É um retrocesso em relação à medição anterior, realiza em 2009, quando 11% dos estudantes do 3º ano sabiam o esperado na disciplina. Em 2003, esse índice era de 12,8%. Os resultados ficaram abaixo da meta estabelecida pela ONG para o ano de 2011 e colocam em xeque o objetivo traçado para 2022, ano do bicentenário da Independência: ao menos 70% dos estudantes com conhecimentos adequados a seu estágio escolar.

Em língua portuguesa, não houve retrocesso em relação 2009. Contudo, praticamente não houve avanços, e a cifra ficou longe da meta. Em 2009, 28,9% dos estudantes demonstraram dominar os conteúdos esperados. Em 2011, o número chegou a 29,2%.

Os maus resultados não são exclusividade do ensino médio. No 9º ano do ciclo fundamental, apenas 16,9% dos alunos demonstraram dominar os conhecimentos de matemática. Apesar de ainda distantes do ideal, houve progresso em relação a 2009, quando esse índice era de 14,8%. Já em língua portuguesa, 27% dos alunos alcançaram desempenho adequado, representando um ligeiro aumento em relação à medição anterior, 26,3%.

É nos anos iniciais do ensino fundamental que o desempenho do Brasil apresenta sinais menos preocupantes, com evolução significativa. Em matemática, 36,3% dos alunos do 5º ano registraram aprendizado adequado em 2011, ante 32,6% em 2009. Já em língua portuguesa, o índice foi de 40%, frente a 32,6% do indicador anterior.

O relatório do Todos Pela Educação evidencia a fragilidade da rede pública de ensino. Quando analisadas separadamente, as escolas mantidas por governos das três esferas apresentam índices em média 5 pontos porcentuais abaixo da média nacional, que considera as redes pública e a privada. Nas escolas públicas do Alagoas, por exemplo, apenas 1,4% dos estudantes do 3º ano do enisno médio sabem o que deveriam saber em matemática. Isso significa que de cada 100 alunos, 98 não aprendem o esperado.



Brasil tem 3,6 milhões de crianças e jovens fora da escola

Apesar dos esforços de universalização da educação básica nas últimas décadas, o Brasil registrava 3,6 milhões de crianças e jovens fora das salas de aula em 2011. É isso que mostra um relatório divulgado nesta quarta-feira pela ONG Todos Pela Educação, com base nos dados da última edição da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad). Segundo o levantamento, o Brasil já conseguiu incluir 92% da população entre 4 e 17 anos na escola, mas ainda se mantém distante da meta de 98% de inclusão estabelecida pela entidade para 2022, ano do bicentenário da Independência.

É no estado do Piauí que está a maior taxa de atendimento escolar: 94,8%. No extremo oposto estão Amazonas e Amapá, ambos com 88,7%. Já em números absolutos, São Paulo tem o maior contingente de crianças e jovens fora da escola: 575.000.

Os números mostram ainda que o grande desafio do Brasil é colocar a população entre 15 e 17 anos nas salas de aula, faixa etária correspondente ao ensino médio. Em 2011, a taxa de atendimento desse grupo era de 80,6% o que significa que 2 milhões de jovens não estavam matriculados em nenhuma etapa da educação básica.

Outro ponto de destaque do relatório é a defasagem de uma parcela considerável da população em idade escolar: apenas 64,9% dos jovens com 16 anos têm ensino fundamental completo. A pior situação é no estado de Alagoas, onde 38,9% dos jovens nessa idade ainda não concluíram o 9º ano. Por outro lado, em Mato Grosso, esse percentual é 83%, o maior do país.

Em relação ao ensino médio, apenas 51,1% dos jovens com 19 anos concluiu a última etapa da educação básica. A pior situação é do estado de Amazonas, com 33,9%. No extremo oposto, em Santa Catarina, esse percentual é 69,8%.









sexta-feira, 15 de março de 2013

Porcentual de alunos com aprendizado adequado à série por cidade em 2011



Consulte índices de desempenho em português e matemática dos alunos brasileiros por município, segundo a prova Brasil


IG São Paulo 

As médias nacionais de aprendizado em geral são insatisfatórias no Brasil, segundo dados apresentados na semana passada pela ONG Todos pela Educação . Baseado nos resultados da Prova Brasil 2011, aplicada a cada dois anos pelo Ministério da Educação (MEC), chega-se à conclusão que os estudantes sabem menos que foi estabelecido como meta pela organização nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Para que seja possível acompanhar o desempenho dos alunos mais detalhadamente, o iG elaborou uma ferramenta que mostra o aprendizado por município.



Na tabela abaixo, é possível consultar porcentual de estudantes que aprenderam o básico esperado para cada etapa em português e matemática tanto no 5º no como no 9º ano. Os dados do ensino médio não estão disponíveis por município porque não há uma prova que seja realizada por todos os alunos da etapa.

Os resultados podem ser consultados por ordem alfabética ou de desempenho. Além do dado de 2011, que ranqueia as cidades, é possível ver qual era a porcentagem atingida na Prova Brasil anterior, de 2009. Também estão na ferramenta quais eram as metas feitas pelo Todos Pela Educação para 2011 e 2013 como o degrau que cada cidade deveria subir a cada biênio para chegar a 70% em 2022 e 90% em 2030.


No Brasil, nos anos finais do ensino fundamental (9º ano), 27% dos alunos alcançaram desempenho adequado em língua portuguesa – a meta era de 32%. Em matemática, foram 16,9% para uma meta de 25,4%. Nos anos iniciais (5º ano), 40% dos alunos aprenderam o adequado em português, chegando perto da meta de 42%. Em matemática, 36% dos alunos apresentaram desempenho e superaram a meta parcial em um ponto percentual.

















quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ENEM: 30% DAS ESCOLAS NÃO ATINGEM NOTA PARA DIPLOMAÇÃO NO ENSINO MÉDIO



Alunos dessas instituições não obtiveram médias que garantem certificado de conclusão do Ensino Médio a participantes que estão fora da escola


O Enem seleciona candidatos para universidades públicas e para programas de bolsas e financiamento em instituições privadas. Confere também certificação de conclusão do ensino médio a pessoas com 18 anos de idade ou mais que não concluíram essa etapa do ensino – mesmo que elas nunca tenham pisado na escola. Para conseguir o diploma, é preciso obter 450 pontos em cada uma das provas objetivas do exame (ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e matemática), além de 500 pontos na redação.

Essas são as notas mínimas, portanto, segundo avaliação do Ministério da Educação, que o candidato deve atingir para garantir a certificação. Ficar abaixo disso demonstra falta de domínio do conhecimento esperado. Assim, é preocupante constatar que boa parte dos concluintes do ensino médio, alunos regularmente matriculados no último ano do ciclo, não atinge as notas mínimas.

De acordo com um levantamento realizado pelo site de VEJA a partir do desempenho das instituições de ensino no Enem 2011, divulgado recentemente pelo MEC, as médias de 3.299 instituições brasileiras não atingiram a pontuação mínima necessária em ao menos uma das provas. Na prática, isso significa que esses estudantes não demonstraram na avaliação conhecimento suficiente para deixar a sala de aula com o canudo debaixo do braço. As 3.299 escolas representam quase um terço do total das 10.076 unidades cujos resultados foram revelados pelo MEC. Outras 13.581 instituições ficaram de fora do ranking: o desempenho delas, portanto, é desconhecido.

O estado com pior resultado proporcional é o Acre: lá, 78,4% das escolas não atingiram o patamar para a certificação. Em Tocantins, Roraima, Espírito Santo e no Amazonas, 60% das escolas têm resultado insuficiente. Na outra ponta da lista, está o Rio de Janeiro, onde apenas 10,8% das escolas não atingiram a pontuação, seguido do Distrito Federal e de São Paulo. Das 3.299 escolas "reprovadas", 277 são privadas (8,4%); entre as públicas, 12 são federais (0,3%), 33 municipais (1%) e 2.977 estaduais (90,2%). Vale lembrar, os estados são responsáveis por 85,5% do ensino médio brasileiro. 










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Royalties do petróleo: CNTE não aceita gato por lebre




Ao tomar conhecimento do teor da Medida Provisória nº 592, a CNTE verificou que a forma de distribuição dos recursos destinados a estados e municípios, oriundos da camada Pré-Sal, continua sem vinculação própria para a área da educação pública, fato que motivou a Entidade a pedir esclarecimentos ao Ministro da Educação sobre a efetiva abrangência da referida MP e sua estimativa de arrecadação.

A Campanha VETA TUDO, DILMA!, promovida pela CNTE, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, UNE, UBES, Undime e outros parceiros foi clara ao reivindicar o veto integral da Lei nº 12.734, que liberou a parcela dos royalties do Pré-Sal, de estados e municípios, para aplicação em inúmeras áreas. E as recentes declarações do ministro Mercadante e da presidenta Dilma deram a entender que essa liberalização dos royalties seria revista na MP 592, coisa que, na nossa avaliação, não ocorreu na plenitude.

Cabe esclarecer que nem o compromisso da União em destinar 50% dos recursos do Fundo Social para a educação (na sua integralidade) encontra-se contemplado na MP 592, uma vez que a receita incidirá sobre os rendimentos do Fundo. A MP, no entanto, destina 100% dos royalties a serem pagos pela exploração em áreas de concessão regidas pela Lei 9.478/1997, a partir de 3 de dezembro de 2012 – respeitando, assim, os contratos firmados anteriormente a esta data, razão de um dos vetos presidenciais à Lei 12.734. Ocorre que essa área de "concessão" das bacias petrolíferas encontra-se praticamente esgotada, devendo ser priorizada a área do Pré-Sal - e desta, somente os rendimentos do Fundo Social (50%) estão garantidos até o momento para a educação.

Pelas estimativas da CNTE, a nova disposição dos royalties deve significar cerca de 1% de acréscimo do PIB para a educação, ficando muito aquém da estimativa da meta 20 do Plano Nacional de Educação.

Por estas razões, a CNTE aguarda esclarecimentos do MEC sobre a MP 592 e sobre outras possibilidades de se atingir o investimento correspondente a 10% do PIB para a educação pública na próxima década. Em outra linha de ação, a CNTE manterá contato com parlamentares no Congresso, a fim de apresentar emendas a MP 592 com a finalidade de assegurar a integralidade dos recursos do Pré-Sal de estados e municípios para a educação.









Fonte: CNTE

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PROFESSOR BRASILEIRO GANHA MENOS QUE METADE DO SALÁRIO DOS DOCENTES DOS PAÍSES DA OCDE


Docente do Ensino Fundamental II ganhou, em média, US$ 16,3 mil por ano em 2009. Enquanto isso, na média, um profissional com formação e tempo de experiência equivalentes recebeu US$ 41,7 mil nos países da organização




Um professor brasileiro do fundamental 2 (6º a 9º anos) ganhou, em média, US$ 16,3 mil por ano em 2009. Enquanto isso, na média, um profissional com formação e tempo de experiência equivalentes recebeu US$ 41,7 mil nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Se for levada em consideração a situação do professor da rede pública, a comparação fica ainda pior. A média anual é U$ 15,4 mil. Os salários dos docentes brasileiros foram calculados, com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional Amostra de Domicílios) 2010 pela Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais a pedido do UOL. Já os dados da OCDE foram divulgados no começo de setembro no relatório anual Education at a Glance ("Olhar sobre a Educação" em tradução livre).

“Salário é o principal [fator de atração para carreira docente]”, afirma o pesquisador Rubens Barbosa de Camargo, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). E os estudos - além da experiência prática - confirmam e reafirmam a importância do professor na qualidade da educação.

“Há muitos licenciados [profissionais com licenciatura que podem dar aulas] que deixam a profissão. Melhorando o salário, não só atrai a juventude como pode trazer de volta esses professores”, diz Camargo.

Para a economista Fabiana de Felício, da consultoria Metas - Avaliação e Proposição de Políticas Sociais, a questão que se coloca é: como selecionar bons professores se a profissão não é valorizada. “É uma atividade desgastante e [dar aula é] um compromisso inadiável. Tem de pagar um salário compatível [para que valha a pena ser professor]” , diz Fabiana.

Diferença com outros profissionais
Pelos cálculos da consultoria Metas, o salário médio de um professor da rede pública com curso superior e com, pelo menos, 15 anos de experiência (US$ 15,4 mil) não chega a metade (48,5%) da remuneração dos demais profissionais (US$ 31,7 mil) no Brasil.

No caso dos profissionais do fundamental de modo geral a diferença é um pouco menor. O salário anual médio de um professor da rede pública (US$ 13,1 mil) é 54,7% do médio das demais profissões (US$ 24,4 mil) com a mesma formação e o mesmo tempo de serviço.

Os números são ruins, mas já foram ainda piores. "Com a introdução do Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério] que depois virou o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], o professor deixou de ter salários acintosos", diz Camargo.

Essa desproporção é comum mesmo nos países ricos da OCDE. Na média, os países da OCDE pagam a seus professores 85% do valor com que remuneram os demais profissionais da etapa equivalente ao fundamental 2.

Na Finlândia, país tido como exemplo pela qualidade da educação, um professor secundário com 15 anos de experiência tem salário praticamente equivalente ao restante da força de trabalho (98%). Dos 30 países com dados disponíveis, apenas quatro têm proporções na casa dos 50%. São eles: Islândia (50%), República Tcheca (53%), Estônia (57%) e Hungria (58%).

Em comparação com os países da OCDE, o Brasil está entre aqueles com menor investimento anual por aluno do grupo, sendo o terceiro que menos investe por aluno no pré-primário (US$ 1,696) e no secundário (US$ 2,235) e o quarto colocado no primário (US$ 2,405).

PNE
Uma das 20 metas do documento original do PNE (Plano Nacional de Educação), elaborado no final de 2010, diz respeito à remuneração dos professores. Segundo o documento a 17ª meta das 20 propostas é “valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente”.

O PNE, que deveria estar em vigor no período de 2011 a 2020, ainda se encontra na Câmara dos Deputados. A disputa que mais tem causado o atraso de sua aprovação é o percentual de investimento em educação. Movimentos em defesa da educação apontam para 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

No último capítulo dessa novela, a meta de investimento em educação subiu de 7,5% para 8% do PIB e criou a possibilidade de elevar esse percentual a 10%, caso metade dos recursos do pré-sal, a serem investidos na área, representem 2% do total.

Segundo um relatório elaborado pela Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), o salário dos professores abocanham um valor equivalente a 1,5% do PIB nos dias de hoje. “Com 2% do PIB seria possível alcançar a média dos outros trabalhadores”, avalia Rubens Barbosa de Camargo. Segundo ele, a valorização do magistério passa ainda por melhoria nas condições de trabalho, como infraestrutura de qualidade e diminuição do número de alunos por sala. 






terça-feira, 4 de setembro de 2012

POR QUE O BRASIL ESTÁ NO 88º LUGAR NO RANKING MUNDIAL DA EDUCAÇÃO?




A gestão ineficiente, o desprestígio do magistério e a má formação dos professores são alguns dos empecilhos ao salto educacional brasileiro


Os problemas da educação brasileira extrapolam os limites da sala de aula. O desempenho pífio revelado em avaliações internacionais se deve a uma combinação de falhas de educadores, governantes e famílias, na opinião de especialistas. Essas deficiências incluem erros de gestão, falta de recursos e pouca cobrança social por resultados que façam jus ao atual peso econômico e político do Brasil.

O desafio de alcançar um ensino de qualidade foi eleito o tema da nova campanha institucional do Grupo RBS, deflagrada na terça-feira sob o slogan A Educação Precisa de Respostas. Para investigar quais são os principais nós que comprometem a aprendizagem no país e descobrir como desatá-los, uma série de reportagens em rádios, tevês e jornais vai responder a questionamentos concretos sobre o atual cenário da educação nacional.

A primeira dessas perguntas é como pode um país que alcançou a sexta posição entre as maiores economias do planeta ostentar um constrangedor 88º lugar em um ranking mundial publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no ano passado. As respostas, oferecidas por especialistas nacionais na área, resumem os principais entraves ao avanço educacional brasileiro.

Superados estes obstáculos, o país poderia experimentar nos próximos anos um acréscimo de qualidade significativo nas escolas e vencer um atraso histórico.

— Temos de levar em conta que começamos a nos preocupar com educação com quatro, cinco séculos de atraso em relação a outros países. É impossível recuperar isso do dia para a noite, mas temos de investir melhor para não perdermos mais tempo — observa o economista Claudio de Moura Castro.

Confira, a seguir, alguns dos principais empecilhos ao salto educacional brasileiro.

Gestão ineficiente

Especialistas em educação sustentam que não basta apenas despejar mais dinheiro no sistema educacional brasileiro. Outra disciplina em que o país encontra dificuldades é como aplicar bem os recursos disponíveis — que este ano devem somar R$ 114 bilhões.

— Há mau gerenciamento, e não é porque as pessoas são incompetentes. As estruturas são viciadas por clientelismo e corporativismo. Há nomeações políticas de diretores, em muitos lugares há dois professores para cada classe, tem muita gente que não trabalha. É uma cultura gerencial difícil de desmontar — avalia o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.

Desprestígio do Magistério

Falhas na gestão do ensino explicam, em parte, a dificuldade para desatar outro nó da educação brasileira: a baixa remuneração dos professores — tanto na rede pública quanto na particular. Os baixos salários têm duplo impacto: além de oferecerem pouco estímulo aos profissionais em ação, afugentam da carreira muitos dos melhores alunos.

– A baixa aprendizagem decorre da ausência de professores com qualidade. Tornar o magistério um objeto de desejo dos jovens é fundamental. Nos países com boa educação, ser professor tem bom retorno financeiro e reconhecimento social — avalia Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos pela Educação.

No Painel RBS realizado na terça, o especialista observou que, enquanto um professor ganha, em média, R$ 1,8 mil, outro profissional com titulação equivalente recebe R$ 2,8 mil. Países que estão no topo da educação mundial, como Coreia do Sul e Finlândia, pagam bem seus professores, o que lhes permite atrair mais interessados e selecionar os melhores.

Má formação dos professores

Para especialistas, o modelo de treinamento dos mestres brasileiros é uma das razões principais para o desempenho pífio dos estudantes nas avaliações nacionais e internacionais. A principal crítica é de que os cursos não preparam adequadamente.

— Em primeiro lugar, para se formar um bom professor, você tem de aprender o conteúdo a ser ensinado. Em segundo, você tem de aprender a dar aula. O terceiro é tudo mais, ou seja, cultura, ideologia, identidade do professor, antropologia e sociologia da educação, legislação, tudo o que é periférico. No Brasil, as faculdades só ensinam o “tudo mais”, o periférico. Faltam os temas centrais — diz o economista e especialista em educação Claudio de Moura Castro.

Baixo investimento na Educação Básica

Um dos problemas que o país precisa resolver para elevar a qualidade do seu ensino é de matemática. O Brasil aplica, em média, um valor muito baixo para cada estudante da educação básica. O gasto público, em 2010, era de apenas R$ 3,5 mil ao longo de um ano. Isso representa todo o investimento estatal feito diretamente em educação dividido pelo número de alunos.

— Ainda investimos menos do que países como Argentina, México ou Chile — compara Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação.

Uma comparação internacional feita com base nas cifras aplicadas em 2008 convertidas para dólar demonstra que, em uma lista de 34 países, o Brasil só aplicou mais dinheiro por aluno de qualquer nível de ensino do que a China. Outro problema é o desequilíbrio entre os níveis educacionais. Enquanto há R$ 17,9 mil disponíveis ao ano para cada universitário, o estudante do Fundamental ao Médio conta com cinco vezes menos.

Pouca inovação na sala de aula

As dificuldades de formação e remuneração dos profissionais da educação, somadas às restrições de orçamento, resultam em outro problema: a dificuldade para apresentar um sistema de ensino renovado, inovador e capaz de despertar o interesse dos estudantes.

— Temos hoje uma situação em que a escola é do século 19, o professor é do século 20, mas o aluno é do século 21. Precisamos colocar todos no mesmo século. Para isso, é preciso ter um currículo atraente, com inovação e criação de mecanismos que estimulem a pesquisa. O aluno do século 21 não quer coisa pronta, enlatada – analisa Mozart Neves Ramos.

Baixa participação da comunidade

Os problemas da educação brasileira não estão apenas dentro do colégio. Um dos elementos apontados para o mau desempenho internacional é o pouco envolvimento de quem está do lado de fora dos muros escolares no universo da educação. A pouca intimidade foi demonstrada pela pesquisa Educar Para Crescer, realizada pelo Ibope: 72% das famílias brasileiras se dizem “satisfeitas”com a educação nacional, e dão uma média 7 (em uma escala de zero a 10) para as escolas públicas e privadas.






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